Unesp · Meio de Ano 2009 — 2ª Fase — Questões de Física comentadas — Método TEF

Universidade Estadual Paulista

Vestibular Meio de Ano 2009 · Prova de Conhecimentos Específicos · questões discursivas de Física Q19 a Q21.

Q11
Mecânica — Cinemática — Movimento circular uniforme
Pista circular com duas faixas concêntricas, de raios 3 m e 4 m. O atleta A está no ponto 1, sobre a linha de chegada, com velocidade vertical para cima; o atleta B está no ponto 2, no topo da faixa externa, com velocidade para a esquerda.

Como indica a figura, dois atletas, A e B, percorrem uma pista circular em duas faixas diferentes, uma de raio $3\text{ m}$ e outra de raio $4\text{ m}$, com velocidades constantes em módulo. Num certo instante, os atletas passam simultaneamente pelos pontos $1$ e $2$ indicados, estando o atleta B à frente do atleta A por um ângulo de $\dfrac{\pi}{2}$.

A partir desse instante, os dois atletas demoraram o mesmo intervalo de tempo para cruzarem juntos, pela primeira vez, a Linha de Chegada. Determine a razão $R$ entre o módulo da velocidade tangencial do atleta A em relação ao atleta B.

Resultado esperado

$R=\dfrac{v_A}{v_B}=1$: os dois atletas têm velocidades tangenciais de mesmo módulo.
Resolução comentada

O atleta A está sobre a linha de chegada no instante inicial; logo, só volta a cruzá-la depois de uma volta completa, e o arco que percorre é:

$$s_A=2\pi\cdot3=6\pi\text{ m}$$

O atleta B está adiantado de $\dfrac{\pi}{2}$, isto é, falta a ele um ângulo de $2\pi-\dfrac{\pi}{2}=\dfrac{3\pi}{2}$ para chegar à linha:

$$s_B=\dfrac{3\pi}{2}\cdot4=6\pi\text{ m}$$

Como os arcos são iguais e os tempos também, as velocidades tangenciais (constantes em módulo) são iguais:

$$R=\dfrac{v_A}{v_B}=\dfrac{s_A/\Delta t}{s_B/\Delta t}=\dfrac{6\pi}{6\pi}=1$$

Q12
Mecânica — Dinâmica — Leis de Newton: blocos em contato

Três blocos, $1$, $2$ e $3$, de massas respectivamente iguais a $m_1$, $m_2$ e $m_3$, encontram-se sobre um plano horizontal, podendo se deslocar sem atrito. Os blocos estão sob ação da aceleração da gravidade e de uma força $\vec F$, como mostra a figura.

Três blocos 1, 2 e 3 em contato, apoiados em um plano horizontal, com uma força F horizontal para a direita aplicada sobre o bloco 1.

Determine a aceleração do sistema e a força $F_{23}$ que o bloco $2$ exerce sobre o bloco $3$, em função de $F$, $m_1$, $m_2$ e $m_3$.

Resultado esperado

$a=\dfrac{F}{m_1+m_2+m_3}$ e $F_{23}=\dfrac{m_3\,F}{m_1+m_2+m_3}$.
Resolução comentada

Aceleração. Na horizontal, a única força externa sobre o conjunto é $F$ (o peso e a normal se anulam e não há atrito):

$$F=(m_1+m_2+m_3)\,a\Rightarrow a=\dfrac{F}{m_1+m_2+m_3}$$

Força de $2$ sobre $3$. O bloco $3$ é acelerado apenas por $F_{23}$:

$$F_{23}=m_3\,a=\dfrac{m_3\,F}{m_1+m_2+m_3}$$

Q13
Mecânica — Gravitação — Terceira lei de Kepler

A tabela apresenta as características de dois planetas que giram ao redor de uma mesma estrela, tal como os planetas do sistema solar giram em torno do Sol.

CaracterísticasPlaneta 1Planeta 2
Período (s)$T_1$$3\times10^{7}$
Distância média do planeta à estrela (m)$1\times10^{13}$$1\times10^{11}$

Sabendo-se que a $3.^{\mathrm{a}}$ Lei de Kepler afirma que o quadrado do período de revolução ($T^2$) de cada planeta em torno de uma estrela é diretamente proporcional ao cubo da distância média ($d^3$) desse planeta à estrela, determine o período de revolução $T_1$ do planeta $1$, em segundos, em relação à estrela.

Resultado esperado

$T_1=3\times10^{10}\text{ s}$.
Resolução comentada

Para planetas da mesma estrela, $\dfrac{T^2}{d^3}$ é constante:

$$\dfrac{T_1^{2}}{(10^{13})^{3}}=\dfrac{(3\times10^{7})^{2}}{(10^{11})^{3}}$$

$$T_1^{2}=\dfrac{9\times10^{14}\cdot10^{39}}{10^{33}}=9\times10^{20}\Rightarrow T_1=3\times10^{10}\text{ s}$$

Q14
Mecânica — Trabalho e energia — Trabalho da força elástica

A tabela relaciona as massas que foram dependuradas na extremidade de uma mola e os diferentes comprimentos que ela passou a ter, devido à deformação que sofreu.

Massas (g)Comprimento da mola (cm)
012
10017
20022
30027

Determine o trabalho, em joules, realizado pela força elástica da mola quando deformada de $20\text{ cm}$. Considere a mola ideal e admita a aceleração da gravidade igual a $10\text{ m/s}^2$.

Resultado esperado

Constante elástica $k=20\text{ N/m}$; trabalho da força elástica: $-0{,}4\text{ J}$ (módulo $0{,}4\text{ J}$).
Resolução comentada

Constante elástica. A cada $100\text{ g}$ ($P=1{,}0\text{ N}$) a mola alonga $5{,}0\text{ cm}=0{,}050\text{ m}$:

$$k=\dfrac{P}{\Delta x}=\dfrac{1{,}0}{0{,}050}=20\text{ N/m}$$

Trabalho. Na deformação de $0$ a $x=20\text{ cm}=0{,}20\text{ m}$, a força elástica se opõe ao deslocamento e o trabalho é:

$$W=-\dfrac{k\,x^{2}}{2}=-\dfrac{20\cdot(0{,}20)^{2}}{2}=-0{,}4\text{ J}$$

Observação: O sinal negativo indica que a força elástica atua contra a deformação; o módulo do trabalho, $0{,}4\text{ J}$, é a energia elástica armazenada na mola.

Q15
Mecânica — Hidrostática — Pressão em fluidos: lei de Stevin

Dois mergulhadores, A e B, estão submersos em um tanque, a diferentes profundidades, de forma que a distância vertical entre eles é de $1{,}3$ metro, como indica a figura. Sabendo-se que o manômetro localizado no pulso do mergulhador B indica uma pressão de $880\text{ mmHg}$, determine essa pressão, em pascal, e a indicação do manômetro do mergulhador A, em mmHg.

Dois mergulhadores submersos: o mergulhador A, acima, e o mergulhador B, abaixo, com 1,3 metro de distância vertical entre eles.

Admita que a densidade do mercúrio é $13$ vezes maior que a da água e que a pressão atmosférica na superfície do tanque seja de $760\text{ mmHg}$ ou $1{,}0\times10^{5}\text{ Pa}$.

Resultado esperado

Pressão em B: $\approx1{,}2\times10^{5}\text{ Pa}$ ($1{,}16\times10^{5}\text{ Pa}$); indicação em A: $780\text{ mmHg}$.
Resolução comentada

Pressão em B, em pascal. Usando $760\text{ mmHg}=1{,}0\times10^{5}\text{ Pa}$:

$$p_B=880\cdot\dfrac{1{,}0\times10^{5}}{760}\approx1{,}16\times10^{5}\text{ Pa}$$

Pressão em A. O mergulhador A está $1{,}3\text{ m}$ acima de B, então a pressão nele é menor, pela diferença de pressão de uma coluna de água de $1{,}3\text{ m}=1300\text{ mm}$. Como o mercúrio é $13$ vezes mais denso, essa coluna equivale a uma coluna de mercúrio $13$ vezes menor:

$$\Delta p=\dfrac{1300}{13}=100\text{ mmHg}$$

$$p_A=p_B-\Delta p=880-100=780\text{ mmHg}$$

Q16
Termologia — Termodinâmica — Trabalho em transformação gasosa
Gráfico P × V: do ponto A (V1, P1) ao ponto B (V2, P2), por um segmento de reta crescente.

O gráfico da pressão ($P$) em função do volume ($V$) representa a transformação gasosa AB sofrida por uma determinada amostra de gás ideal. Sabe-se que $V_2=2\,V_1$, $P_2=2\,P_1$ e que, em A, a temperatura absoluta do gás é $T_1$.

Determine o trabalho realizado pelo gás, em função de $P_1$ e $V_1$, e sua temperatura em B, em função de $T_1$.

Resultado esperado

$W=\dfrac{3}{2}\,P_1V_1$ e $T_B=4\,T_1$.
Resolução comentada

Trabalho. É numericamente igual à área do trapézio sob o segmento AB:

$$W=\dfrac{P_1+P_2}{2}\,(V_2-V_1)=\dfrac{P_1+2P_1}{2}\,(2V_1-V_1)=\dfrac{3}{2}\,P_1V_1$$

Temperatura em B. Pela lei geral dos gases:

$$\dfrac{P_1V_1}{T_1}=\dfrac{P_2V_2}{T_B}\Rightarrow T_B=\dfrac{2P_1\cdot2V_1}{P_1V_1}\,T_1=4\,T_1$$

Q17
Óptica — Refração — Lei de Snell e reflexão total
Raio incidente do meio 1 sobre a superfície plana que separa os meios 1 e 2, formando o ângulo θ1 com a normal tracejada.

Considere que um raio de luz monocromática, que se propaga num meio material com índice de refração $n_1$, incida sobre a superfície perfeitamente plana e polida de outro meio material, de índice de refração $n_2$, com ângulo $\theta_1=30^{\circ}$. Sabendo que a razão entre os índices de refração do meio $1$ e do meio $2$ vale $\sqrt2$, faça, no caderno de respostas, um desenho do raio de luz refratado, indicando o desvio angular que esse raio de luz sofre ao ser refratado (diferença entre os ângulos de refração e de incidência) e explique o que aconteceria se o ângulo de incidência $\theta_1$ fosse igual a $60^{\circ}$.

Resultado esperado

Ângulo de refração $\theta_2=45^{\circ}$ e desvio angular de $15^{\circ}$ (o raio se afasta da normal); para $\theta_1=60^{\circ}$ não há refração, ocorrendo reflexão total.
Resolução comentada

Raio refratado. Pela lei de Snell:

$$n_1\,\mathrm{sen}\,30^{\circ}=n_2\,\mathrm{sen}\,\theta_2\Rightarrow\mathrm{sen}\,\theta_2=\sqrt2\cdot\dfrac12=\dfrac{\sqrt2}{2}\Rightarrow\theta_2=45^{\circ}$$

Como $n_1>n_2$, o raio refratado se afasta da normal: no desenho, ele atravessa a superfície no meio $2$ formando $45^{\circ}$ com a normal, do lado oposto ao do raio incidente. O desvio angular é:

$$\delta=\theta_2-\theta_1=45^{\circ}-30^{\circ}=15^{\circ}$$

Incidência a $60^{\circ}$. O ângulo limite para a passagem de $1$ para $2$ é:

$$\mathrm{sen}\,L=\dfrac{n_2}{n_1}=\dfrac{1}{\sqrt2}\Rightarrow L=45^{\circ}$$

Como $60^{\circ}>L$, a lei de Snell daria $\mathrm{sen}\,\theta_2=\sqrt2\cdot\dfrac{\sqrt3}{2}=\dfrac{\sqrt6}{2}\approx1{,}22>1$, o que é impossível. Portanto, não há raio refratado: toda a luz é refletida na superfície, ocorrendo reflexão total, com ângulo de reflexão de $60^{\circ}$.

Q18
Óptica — Óptica geométrica — Sombra e semelhança de triângulos

Um pai, desejando brincar com seu filho com a sombra de um boneco projetada na parede, acende uma lâmpada, considerada uma fonte de luz puntiforme, distante $2$ metros do boneco e $6$ metros da parede na qual a sombra será projetada.

Admitindo que a altura do boneco seja igual a $20\text{ cm}$, qual a altura da sombra projetada na parede? Faça um desenho, na folha de respostas, representando os raios de luz a partir da lâmpada até a parede e indicando a posição do boneco e a região de sombra.

Resultado esperado

A sombra projetada na parede tem altura de $60\text{ cm}$.
Resolução comentada

A luz se propaga em linha reta; os raios que partem da lâmpada e passam pelo topo do boneco formam, com a parede, triângulos semelhantes ao triângulo lâmpada–boneco:

lâmpadabonecoparede2 m6 m (da lâmpada)sombra

$$\dfrac{H_{sombra}}{h_{boneco}}=\dfrac{d_{lâmpada\text{-}parede}}{d_{lâmpada\text{-}boneco}}=\dfrac{6}{2}=3$$

$$H_{sombra}=3\cdot20=60\text{ cm}$$

Observação: As distâncias de $2\text{ m}$ e $6\text{ m}$ foram tomadas a partir da lâmpada. No esquema, a lâmpada está à altura da base do boneco e as alturas são medidas perpendicularmente à reta lâmpada–parede; o resultado depende apenas da razão entre as distâncias.

Q19
Eletromagnetismo — Campo magnético — Campo magnético de solenoide
Fio de cobre enrolado em espiras em torno de um cilindro de ferro de comprimento L, com corrente i entrando pela esquerda e saindo pela direita.

Um professor deseja construir um eletroímã que seja capaz de gerar um campo magnético $\vec B$ de intensidade $12\times10^{-3}\text{ T}$. Para isso, enrola um fio de cobre em torno de um cilindro de ferro, como indica a figura.

Sabendo que a expressão para determinação da intensidade do campo magnético é $B=\dfrac{\mu\,i\,N}{L}$, que a permeabilidade magnética do ferro é $\mu=3\times10^{-4}\text{ T}\cdot\text{m/A}$ e que a intensidade de corrente $i$ que percorrerá o fio será de $2{,}0\text{ A}$, determine $\dfrac{N}{L}$, número de espiras por metro de solenoide. Admitindo que a corrente elétrica circule em torno do cilindro de ferro como indicado na figura, refaça, no caderno de respostas, o desenho do eletroímã, nele indicando o sentido do campo magnético gerado.

Resultado esperado

$\dfrac{N}{L}=20$ espiras por metro; o campo no interior do eletroímã aponta para a esquerda (para o lado em que a corrente entra).
Resolução comentada

Número de espiras por metro.

$$B=\mu\,i\,\dfrac{N}{L}\Rightarrow\dfrac{N}{L}=\dfrac{B}{\mu\,i}=\dfrac{12\times10^{-3}}{3\times10^{-4}\cdot2{,}0}=20\text{ espiras/m}$$

Sentido do campo. Na figura, a corrente sobe nos trechos visíveis (face frontal do cilindro), passa por cima e volta descendo pelo lado de trás. Aplicando a regra da mão direita (dedos no sentido da corrente nas espiras), o polegar indica o sentido do campo no interior do eletroímã: para a esquerda. No desenho refeito, basta traçar o vetor $\vec B$ no interior do cilindro apontando da direita para a esquerda; o extremo esquerdo é o polo norte do eletroímã.

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