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Albert Einstein 2024

Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein

Vestibular 2024 · Prova I (Conhecimentos Gerais), questões de Física (Q36-40), mais 1 questão discursiva — resolução comentada Método TEF.

Q36
Cinemática — Transmissão por Engrenagens

O mecanismo mostrado na figura foi adaptado para afiar facas. Ele é constituído de engrenagens de tamanhos diferen- tes e de uma fita abrasiva. O motor que faz a engrenagem 1 girar tem frequência de 75 rpm e os pinos com os quais a fita abrasiva faz contato têm raios de curvatura iguais, medindo 5 cm cada um. Nesse procedimento, a faca é mantida em contato com a fita abrasiva e em repouso em relação ao solo. Sabendo que o número de dentes na periferia de uma engrenagem é diretamente proporcional ao raio dessa engre- nagem, que não há escorregamento entre a fita abrasiva e os pinos com os quais ela faz contato e adotando π = 3, a velocidade escalar com que a fita passa pela faca que está sendo afiada é de

Mecanismo de engrenagens e fita abrasiva usado para afiar facas

(www.redutoresibr.com.br. Adaptado.)

A)2,0 m/s
B)2,5 m/s
C)3,5 m/s
D)3,0 m/s
E)1,5 m/s.

Gabarito oficial

D
Resolução

Como o número de dentes é proporcional ao raio, a razão de transmissão entre engrenagens engrenadas é o inverso da razão do número de dentes: $\omega\cdot N=$ constante no ponto de engrenamento.

A engrenagem 1 ($56$ dentes) gira a $75$ rpm e engrena com a engrenagem 2 ($14$ dentes): $\omega_2=\omega_1\dfrac{N_1}{N_2}=75\times\dfrac{56}{14}=300$ rpm. A engrenagem 3 está no mesmo eixo da 2, logo também gira a $300$ rpm, e engrena com a engrenagem 4 ($14$ dentes, $28$ dentes a 3): $\omega_4=\omega_3\dfrac{N_3}{N_4}=300\times\dfrac{28}{14}=600$ rpm.

O pino que arrasta a fita está no eixo da engrenagem 4, girando a $600$ rpm $=10$ rotações por segundo. Como não há escorregamento, a velocidade da fita é a velocidade periférica do pino (raio $5$ cm $=0{,}05$ m): $v=2\pi r f=2\times3\times0{,}05\times10=3{,}0$ m/s.

Q37
Estática — Equilíbrio de Móbile

Um móbile é composto de duas hastes, cinco fios e três objetos pendentes, um representando a Terra, de massa mT, outro representando o Sol, de massa m S, e outro represen - tando a Lua, de massa mL. Sabendo que o móbile está em equilíbrio com as hastes na posição horizontal, desprezando as massas das hastes e dos fios e considerando as medidas indicadas na figura, a razão é

Figura da questão 37 do Albert Einstein 24
A)7,0
B)5,0
C)5,5
D)3,5
E)7,5

Gabarito oficial

E
Resolução

Cada haste do móbile está em equilíbrio de torques em torno do seu ponto de suspensão. Na haste de baixo, $m_S$ (a $30$ cm) e $m_L$ (a $60$ cm) equilibram-se: $m_S\,g\times30=m_L\,g\times60 \Rightarrow m_S=2\,m_L$.

Na haste de cima, de um lado está $m_T$ (a $20$ cm) e do outro todo o peso suspenso pela haste de baixo, $(m_S+m_L)$, a $50$ cm: $m_T\,g\times20=(m_S+m_L)\,g\times50$.

Substituindo $m_S=2m_L$: $m_T\times20=(2m_L+m_L)\times50=150\,m_L \Rightarrow m_T=7{,}5\,m_L$, ou seja, $\dfrac{m_T}{m_L}=7{,}5$.

Q38
Termodinâmica — Gás Ideal (Pressão e Densidade)

Uma nebulosa planetária é uma nuvem composta de hidro - gênio, com uma densidade muito baixa, de modo que esse gás pode ser tratado como ideal. Como exemplo, temos a Nebulosa do Anel, com densidade média de 3 × 10 –18 kg/m3 e uma temperatura média de 10 000 K.

Nebulosa do Anel, nuvem de hidrogênio de baixa densidade

Nebulosa do Anel (https://oal.ul.pt)

Adotando o valor para a constante universal dos gases ideais e para a massa molar do hidrogênio, a pressão média no interior da Nebulosa do Anel é

A)2,4 × 10–8 Pa
B)2,0 × 10–11 Pa
C)1,2 × 10–10 Pa
D)6,0 × 10–9 Pa
E)1,8 × 10–12 Pa.

Gabarito oficial

C
Resolução

Para um gás ideal, $PV=nRT$. Como $n=\dfrac{m}{M}$ (massa dividida pela massa molar) e $\rho=\dfrac{m}{V}$, dividindo os dois lados por $V$: $P=\dfrac{n}{V}RT=\dfrac{\rho}{M}RT$.

Usando $R\approx8$ J/(mol·K) e a massa molar do hidrogênio molecular $M=2$ g/mol $=2\times10^{-3}$ kg/mol: $P=\dfrac{\rho\,R\,T}{M}=\dfrac{3\times10^{-18}\times8\times10^4}{2\times10^{-3}}=\dfrac{2{,}4\times10^{-13}}{2\times10^{-3}}=1{,}2\times10^{-10}$ Pa.

Q39
Óptica — Vergência e Equação de Gauss

Vergência de uma lente é uma grandeza que mede a capa- cidade dessa lente em desviar a luz que incide sobre ela. A vergência é definida como sendo o inverso da distância focal da lente e é medida em dioptrias (di), no Sistema Internacio - nal de Unidades. Considere que um objeto linear real seja colocado, em repouso, a 50 cm de uma lente gaussiana de vergência 2,5 di. Se a imagem desse objeto for projetada em um anteparo, ela será vista

Figura da questão 39 do Albert Einstein 24
A)quatro vezes maior que o objeto
B)duas vezes maior que o objeto
C)do mesmo tamanho que o objeto
D)duas vezes menor que o objeto
E)quatro vezes menor que o objeto

Gabarito oficial

A
Resolução

A vergência é o inverso da distância focal: $f=\dfrac1V=\dfrac1{2{,}5}=0{,}4$ m $=40$ cm.

Como a imagem é projetada em anteparo, é real. Pela equação de Gauss, com o objeto a $p=50$ cm: $\dfrac1f=\dfrac1p+\dfrac1{p'} \Rightarrow \dfrac1{40}=\dfrac1{50}+\dfrac1{p'} \Rightarrow \dfrac1{p'}=\dfrac1{40}-\dfrac1{50}=\dfrac{5-4}{200}=\dfrac1{200} \Rightarrow p'=200$ cm.

O aumento linear é $A=-\dfrac{p'}{p}=-\dfrac{200}{50}=-4$: a imagem é real, invertida e $4$ vezes maior que o objeto.

Q40
Eletrostática — Campo Elétrico Uniforme

Tubarões apresentam estruturas sensoriais próximas aos seus focinhos chamadas de ampolas de Lorenzini, com a capacidade de detectar campos elétricos muito sutis, gerados por outros animais. São eletrorreceptores que, além de facilitar a caça de suas presas, possibilitam-lhes orientar-se durante a navegação.

Ampolas de Lorenzini destacadas no focinho de um tubarão — questão 40 do Albert Einstein 24

(https://lemundo.com.br)

Alguns tubarões podem detectar campos elétricos muito fracos, da ordem de 10⁻⁶ V/m. Para se ter uma ideia da grande sensibilidade elétrica dos sensores desses animais, considere que esse mesmo campo elétrico seja produzido entre duas placas metálicas paralelas ligadas a uma pilha AA comum, de 1,5 V, como mostrado na figura.

Placas metálicas paralelas ligadas a uma pilha de 1,5 V, com distância d entre elas — questão 40 do Albert Einstein 24

Nesse caso, a distância d entre essas placas deverá ser de

A)1,5 × 10⁰ m
B)1,5 × 10⁶ m
C)1,5 × 10⁻² m
D)1,5 × 10² m
E)1,5 × 10⁻⁶ m

Gabarito oficial

B
Resolução

Entre placas paralelas, o campo elétrico é uniforme e relaciona-se à ddp e à distância por $E=\dfrac{U}{d}$. Isolando $d$ e usando a pilha de $1{,}5$ V para reproduzir o campo de $10^{-6}$ V/m: $d=\dfrac{U}{E}=\dfrac{1{,}5}{10^{-6}}=1{,}5\times10^{6}$ m.

Q3
Dinâmica — Sistema de Polias e Plano Inclinado
Questão discursiva

Em uma obra, uma caixa A é mantida em repouso no alto de uma prancha de madeira inclinada de um ângulo θ com a horizontal, com o auxílio de um sistema formado por duas polias e fios, todos ideais, e de um bloco B de massa 12 kg. A caixa A está inicialmente a 6,75 m de distância do ponto em que a prancha toca o solo (ponto S). Desprezando os atritos e adotando g = 10 m/s2 e sen θ = 0,6, calcule:

a) o intervalo de tempo necessário, em segundos, para que a caixa A chegue ao ponto S, considerando que o fio que prende essa caixa se rompa.

b) a massa da caixa A, em kg, e a intensidade da força de tração, em N, que o fio ligado a essa caixa exerce no ponto em que ele está preso no teto (ponto T), na situação de equilíbrio mostrada na figura. RESOLuçãO E RESPOSt A

Figura da questão discursiva do Albert Einstein 24
Resolução

b) A polia junto ao bloco B é móvel: o mesmo fio ideal sustenta B em dois trechos, então a tração $T$ no fio vale metade do peso de B: $2T=m_B\,g \Rightarrow T=\dfrac{12\times10}{2}=60$ N. Como o fio é ideal e as polias, sem atrito, essa mesma tração $T=60$ N percorre todo o fio — inclusive no trecho preso ao teto no ponto T.

Para a caixa A em equilíbrio no plano sem atrito, a tração equilibra a componente do peso ao longo do plano: $T=m_A\,g\,\text{sen}\,\theta \Rightarrow m_A=\dfrac{T}{g\,\text{sen}\,\theta}=\dfrac{60}{10\times0{,}6}=10$ kg.

a) Se o fio se rompe, a caixa A (massa $10$ kg, calculada no item b) passa a descer livremente pelo plano sem atrito, com aceleração $a=g\,\text{sen}\,\theta=10\times0{,}6=6$ m/s². Partindo do repouso, a $6{,}75$ m do ponto S: $d=\dfrac{a\,t^2}{2} \Rightarrow 6{,}75=\dfrac{6\,t^2}{2}=3t^2 \Rightarrow t^2=2{,}25 \Rightarrow t=1{,}5$ s.

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