ITA 2013 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Vestibular ITA 2013 · 20 questões objetivas (Q01–Q20) e 10 dissertativas (Q21–Q30) · Enunciados e alternativas transcritos do PDF fornecido; figuras originais em WebP; gabarito oficial das objetivas.

Vestibular ITA 2013 · 20 questões objetivas (Q01–Q20) e 10 dissertativas (Q21–Q30) · Enunciados e alternativas transcritos do PDF fornecido; figuras originais em WebP; gabarito oficial das objetivas.

Dados da prova

Constantes fornecidas no caderno ITA 2013:

Carga do próton: $q_p=1{,}6\times10^{-19}\ \text{C}$
Massa do próton: $m_p=1{,}7\times10^{-27}\ \text{kg}$
Aceleração da gravidade: $g=10\ \text{m/s}^2$
Pressão atmosférica: $1\ \text{atm}=76\ \text{cm Hg}$
Velocidade da luz no vácuo: $c=3\times10^8\ \text{m/s}$
Q01
Mecânica — Cinemática — Movimento relativo

Ao passar pelo ponto $O$, um helicóptero segue na direção norte com velocidade $v$ constante. Nesse momento, um avião passa pelo ponto $P$, a uma distância $\delta$ de $O$, e voa para o oeste, em direção a $O$, com velocidade $u$ também constante, conforme mostra a figura. Considerando $t$ o instante em que a distância $d$ entre o helicóptero e o avião for mínima, assinale a alternativa correta.

Esquema original da questão 01, ITA 2013
A)A distância percorrida pelo helicóptero no instante em que o avião alcança o ponto $O$ é $\delta u/v$.
B)A distância do helicóptero ao ponto $O$ no instante $t$ é igual a $\delta v/\sqrt{v^2+u^2}$.
C)A distância do avião ao ponto $O$ no instante $t$ é igual a $\dfrac{\delta v^2}{v^2+u^2}$.
D)O instante $t$ é igual a $\dfrac{\delta v}{v^2+u^2}$.
E)A distância $d$ é igual a $\dfrac{\delta u}{\sqrt{v^2+u^2}}$.

Gabarito oficial ITA 2013

C
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Adotamos a origem em $O$, eixo $x$ voltado para $P$ e eixo $y$ para o norte. As posições são $H=(0,vt)$ e $A=(\delta-ut,0)$.

Calcule a distância ao quadrado em função do tempo:

\[d^2(t)=(\delta-ut)^2+v^2t^2\]
\[d^2(t)=(u^2+v^2)t^2-2\delta ut+\delta^2\]

O mínimo da parábola determina o instante de maior aproximação:

\[t_* =\frac{\delta u}{u^2+v^2}\]

Nesse instante, a distância do avião a $O$ é $x_A=\delta-ut_*=\dfrac{\delta v^2}{u^2+v^2}$.

Checagem. Com $v=0$, o encontro em $O$ ocorre em $t=\delta/u$; a expressão de $x_A$ resulta zero, como esperado.

Cuidado, armadilha! Tomar o instante da passagem pelo ponto O como instante de aproximação mínima ou trocar $u$ e $v$ nos numeradores.

Alternativa correta: C

Q02
Mecânica — Oscilações — Mola em caixa

No interior de uma caixa de massa $M$, apoiada num piso horizontal, encontra-se fixada uma mola de constante elástica $k$ presa a um corpo de massa $m$, em equilíbrio na vertical. Conforme a figura, este corpo também se encontra preso a um fio tracionado, de massa desprezível, fixado à caixa, de modo que resulte uma deformação $b$ da mola. Considere que a mola e o fio se encontram no eixo vertical de simetria da caixa. Após o rompimento do fio, a caixa vai perder contato com o piso se

Esquema original da questão 02, ITA 2013
A)$b>(M+m)g/k$.
B)$b>(M+2m)g/k$.
C)$b>(M-m)g/k$.
D)$b>(2M-m)g/k$.
E)$b>(M-2m)g/k$.

Gabarito oficial ITA 2013

B
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Antes do eventual desprendimento, a caixa fica imóvel; a massa $m$ passa a oscilar em torno do equilíbrio gravitacional da mola. A caixa levanta quando a força vertical que a mola faz sobre ela superar seu peso $Mg$.

Meça a deformação a partir do comprimento natural, positiva para baixo. Na posição inicial, a velocidade é nula:

\[x_i=b\]
\[E=\frac12kb^2-mgb\]

No ponto de inversão superior, a velocidade volta a ser nula. Conserve a energia:

\[\frac12kx^2-mgx=\frac12kb^2-mgb\]

Além da raiz inicial $x=b$, obtemos $x_{\min}=2mg/k-b$. Se $b>2mg/k$, a mola comprime de $b-2mg/k$. Para perder contato com o piso, a força para cima sobre a caixa deve satisfazer $k(b-2mg/k)>Mg$, isto é, $kb-2mg>Mg$.

Portanto, $b>\dfrac{(M+2m)g}{k}$. Checagem. A maior massa $M$ exige maior deformação inicial; o peso de $m$ também aumenta o limiar.

Cuidado, armadilha! Confundir a deformação inicial com a extensão máxima, desconsiderando o efeito gravitacional durante a oscilação.

Alternativa correta: B

Q03
Ondas — Interferência — Experimento de Young

Num experimento clássico de Young, $d$ representa a distância entre as fendas e $D$ a distância entre o plano destas fendas e a tela de projeção das franjas de interferência, como ilustrado na figura. Num primeiro experimento, no ar, utiliza-se luz de comprimento de onda $\lambda_1$ e, num segundo experimento, na água, utiliza-se luz cujo comprimento de onda no ar é $\lambda_2$. As franjas de interferência dos experimentos são registradas numa mesma tela. Sendo o índice de refração da água igual a $n$, assinale a expressão para a distância entre as franjas de interferência construtiva de ordem $m$ para o primeiro experimento e as de ordem $M$ para o segundo experimento.

Esquema original da questão 03, ITA 2013
A)$\left|\dfrac{D(M\lambda_2-mn\lambda_1)}{nd}\right|$.
B)$\left|\dfrac{D(M\lambda_2-m\lambda_1)}{nd}\right|$.
C)$\left|\dfrac{D(M\lambda_2-mn\lambda_1)}{d}\right|$.
D)$\left|\dfrac{Dn(M\lambda_2-m\lambda_1)}{d}\right|$.
E)$\left|\dfrac{D(Mn\lambda_2-m\lambda_1)}{d}\right|$.

Gabarito oficial ITA 2013

A
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Para o máximo de ordem $k$ no experimento de duas fendas, $y_k=k\lambda D/d$, na aproximação de pequenos ângulos.

No ar, a franja de ordem $m$ está em $y_m=m\lambda_1D/d$. Na água, a frequência não muda, mas o comprimento de onda torna-se $\lambda_2/n$, logo $y_M=M\lambda_2D/(nd)$.

A separação geométrica é o módulo da diferença: $\Delta y=\left|y_M-y_m\right|=\left|\dfrac{D(M\lambda_2-mn\lambda_1)}{nd}\right|$.

Checagem. Se $n=1$ e $M=m$ e as duas luzes têm o mesmo comprimento de onda, a separação desaparece.

Cuidado, armadilha! Usar $\lambda_2$ como comprimento de onda dentro da água ou confundir as ordens distintas $m$ e $M$.

Alternativa correta: A

Q04
Mecânica — Dinâmica — Contatos sem atrito

Num certo experimento, três cilindros idênticos encontram-se em contato pleno entre si, apoiados sobre uma mesa e sob a ação de uma força horizontal $F$, constante, aplicada na altura do centro de massa do cilindro da esquerda, perpendicularmente ao seu eixo, conforme a figura. Desconsiderando qualquer tipo de atrito, para que os três cilindros permaneçam em contato entre si, a aceleração $a$ provocada pela força deve ser tal que

Esquema original da questão 04, ITA 2013
A)$\dfrac{g}{3\sqrt3}\leq a\leq\dfrac{g}{\sqrt3}$.
B)$\dfrac{2g}{3\sqrt2}\leq a\leq\dfrac{4g}{\sqrt2}$.
C)$\dfrac{g}{2\sqrt3}\leq a\leq\dfrac{4g}{3\sqrt3}$.
D)$\dfrac{2g}{3\sqrt2}\leq a\leq\dfrac{3g}{4\sqrt2}$.
E)$\dfrac{g}{2\sqrt3}\leq a\leq\dfrac{3g}{4\sqrt3}$.

Gabarito oficial ITA 2013

A
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Como os cilindros não têm atrito, as forças de contato são normais às superfícies. As linhas entre os centros dos cilindros tangentes fazem $60^\circ$ com a horizontal. Analisamos a dinâmica horizontal e vertical no referencial que acelera com o conjunto.

No cilindro superior, sejam $N_e$ e $N_d$ as normais dos cilindros esquerdo e direito. O equilíbrio vertical dá $\frac{\sqrt3}{2}(N_e+N_d)=mg$. Horizontalmente, $\frac12(N_e-N_d)=ma$.

Disso resulta $N_e=mg/\sqrt3+ma$ e $N_d=mg/\sqrt3-ma$. Para manter o contato superior-direito, $N_d\geq0$, logo $a\leq g/\sqrt3$.

No cilindro direito, o contato direto com o esquerdo transmite uma normal horizontal $N_h$, e o contato com o cilindro superior tem componente $N_d/2$ dirigida para a direita. Logo $ma=N_h+N_d/2$, com $N_h\geq0$. Inserindo $N_d$, obtemos $a\geq g/(3\sqrt3)$.

Checagem. Os limites representam perdas distintas de contato: inferior-inferior no mínimo e superior-direito no máximo.

Cuidado, armadilha! Assumir contatos permanentes sem impor a não negatividade das forças normais.

Alternativa correta: A

Q05
Mecânica — Estática — Barra em casca hemisférica

Duas partículas, de massas $m$ e $M$, estão respectivamente fixadas nas extremidades de uma barra de comprimento $L$ e massa desprezível. Tal sistema é então apoiado no interior de uma casca hemisférica de raio $r$, de modo a se ter equilíbrio estático com $m$ posicionado na borda $P$ da casca e $M$, num ponto $Q$, conforme mostra a figura. Desconsiderando forças de atrito, a razão $m/M$ entre as massas é igual a

Esquema original da questão 05, ITA 2013
A)$\dfrac{L^2-2r^2}{2r^2}$.
B)$\dfrac{2L^2-3r^2}{2r^2}$.
C)$(L^2-2r^2)(r^2-L^2)$.
D)$\dfrac{2L^2-3r^2}{r^2-L^2}$.
E)$\dfrac{3L^2-2r^2}{L^2-2r^2}$.

Gabarito oficial ITA 2013

A
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Os contatos são sem atrito: em $Q$, a normal passa pelo centro da circunferência; em $P$, a reação é perpendicular à borda local. A distância $PQ=L$ é corda de um círculo de raio $r$.

Se $\alpha$ é o ângulo entre a barra e a horizontal, a geometria da corda fornece $L=2r\cos\alpha$. A condição de equilíbrio dos momentos da barra, tomando $Q$ como polo, dá $N_P\,L\sin\alpha=mg\,L\cos\alpha$ para a partícula em $P$.

O equilíbrio das forças e a geometria da reação em Q fornecem:

\[\tan(2\alpha)=\frac{(m+M)g}{N_P}\]
\[N_P=\frac{mg}{\tan\alpha}\]

Elimine a reação e use a identidade do ângulo duplo:

\[\frac2{1-\tan^2\alpha}=1+\frac M m\]
\[\frac M m=\frac1{\cos(2\alpha)}\]
\[\frac m M=\cos(2\alpha)\]

Agora substitua a relação geométrica da corda:

\[L=2r\cos\alpha\]
\[\frac m M=2\cos^2\alpha-1\]
\[\frac m M=\frac{L^2-2r^2}{2r^2}\]

Checagem. A razão deve ser não negativa; isso impõe $L\geq\sqrt2\,r$ dentro das configurações admissíveis.

Cuidado, armadilha! Escolher linhas de ação das normais como verticais e ignorar o centro da circunferência.

Alternativa correta: A

Q06
Mecânica — Dinâmica — Perda de contato

Uma corda, de massa desprezível, tem fixada em cada uma de suas extremidades, $F$ e $G$, uma partícula de massa $m$. Esse sistema encontra-se em equilíbrio apoiado numa superfície cilíndrica sem atrito, de raio $r$, abrangendo um ângulo de $90^\circ$ e simetricamente disposto em relação ao ápice $P$ do cilindro, conforme mostra a figura. Se a corda for levemente deslocada e começa a escorregar no sentido anti-horário, o ângulo $\theta\equiv\widehat{FOP}$ em que a partícula na extremidade $F$ perde contato com a superfície é tal que

Esquema original da questão 06, ITA 2013
A)$2\cos\theta=1$.
B)$2\cos\theta-\operatorname{sen}\theta=\sqrt2$.
C)$2\operatorname{sen}\theta+\cos\theta=\sqrt2$.
D)$2\cos\theta+\operatorname{sen}\theta=\sqrt2$.
E)$2\cos\theta+\operatorname{sen}\theta=\sqrt2/2$.

Gabarito oficial ITA 2013

D
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Enquanto ambas as massas tocam a superfície, movem-se com a mesma rapidez $v$; como não há dissipação, conserva-se a energia mecânica das duas partículas.

A posição inicial é simétrica em torno do topo, com altura $r/\sqrt2$ para cada massa. Na configuração caracterizada por $\theta$, as alturas relativas ao centro são $r\cos\theta$ e $r\operatorname{sen}\theta$. A energia fornece $\sqrt2\,mgr=mv^2+mgr(\cos\theta+\operatorname{sen}\theta)$.

No instante do desprendimento, a normal sobre a massa F se anula:

\[mg\cos\theta=\frac{mv^2}{r}\]
\[v^2=gr\cos\theta\]

Substitua essa rapidez na conservação da energia:

\[\sqrt2=2\cos\theta+\operatorname{sen}\theta\]

Checagem. A condição de descolamento é $N=0$, não $v=0$; a tensão na corda não realiza trabalho sobre o sistema completo.

Cuidado, armadilha! Igualar simplesmente tração a peso ou tomar a normal nula antes de encontrar a rapidez.

Alternativa correta: D

Q07
Mecânica — Colisões — Lançamento contra parede

Uma pequena bola de massa $m$ é lançada de um ponto $P$ contra uma parede vertical lisa com uma certa velocidade $v_0$, numa direção de ângulo $\alpha$ em relação à horizontal. Considere que após a colisão a bola retorna ao seu ponto de lançamento, a uma distância $d$ da parede, como mostra a figura. Nestas condições, o coeficiente de restituição deve ser

Esquema original da questão 07, ITA 2013
A)$e=\dfrac{gd}{v_0^2\operatorname{sen}(2\alpha)-gd}$.
B)$e=\dfrac{2gd}{v_0^2\cos(2\alpha)-2gd}$.
C)$e=\dfrac{3gd}{2v_0^2\operatorname{sen}(2\alpha)-2gd}$.
D)$e=\dfrac{4gd}{v_0^2\cos(2\alpha)-gd}$.
E)$e=\dfrac{2gd}{v_0^2\tan(2\alpha)-gd}$.

Gabarito oficial ITA 2013

A
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A parede lisa só altera a componente horizontal: antes do choque $v_x=v_0\cos\alpha$; depois $v_x'=-e v_0\cos\alpha$. A componente vertical permanece contínua.

Até a parede, o movimento horizontal é uniforme. Calcule o tempo, a altura e a velocidade vertical no choque:

\[t_1=\frac d{v_0\cos\alpha}\]
\[y_1=v_0\operatorname{sen}\alpha\,t_1-\frac{gt_1^2}{2}\]
\[v_{y1}=v_0\operatorname{sen}\alpha-gt_1\]

Após a colisão, a rapidez horizontal é multiplicada pelo coeficiente de restituição:

\[t_2=\frac d{ev_0\cos\alpha}\]
\[t_2=\frac{t_1}{e}\]

Imponha o retorno à altura de P e defina o tempo total:

\[2v_0\operatorname{sen}\alpha\,(t_1+t_2)=g(t_1+t_2)^2\]
\[T=t_1+t_2\]
\[T=\frac{2v_0\operatorname{sen}\alpha}{g}\]

Assim $\frac{d}{v_0\cos\alpha}(1+1/e)=\frac{2v_0\operatorname{sen}\alpha}{g}$; logo $e=\dfrac{gd}{v_0^2\operatorname{sen}(2\alpha)-gd}$.

Checagem. Para uma colisão perfeitamente elástica, $e=1$, recupera-se $d=v_0^2\operatorname{sen}(2\alpha)/(2g)$.

Cuidado, armadilha! Supor que a parede inverte toda a velocidade ou que os dois tempos de percurso são iguais.

Alternativa correta: A

Q08
Termologia — Termodinâmica — Expansão e recuo

A figura mostra um sistema, livre de qualquer força externa, com um êmbolo que pode ser deslocado sem atrito em seu interior. Fixando o êmbolo e preenchendo o recipiente de volume $V$ com um gás ideal a pressão $P$, e em seguida liberando o êmbolo, o gás expande-se adiabaticamente. Considerando as respectivas massas $m_c$, do cilindro, e $m_e$, do êmbolo, muito maiores que a massa $m_g$ do gás, e sendo $\gamma$ o expoente de Poisson, a variação da energia interna $\Delta U$ do gás quando a velocidade do cilindro for $v_c$ é dada aproximadamente por

Esquema original da questão 08, ITA 2013
A)$3PV\gamma/2$.
B)$\dfrac{3PV}{2(\gamma-1)}$.
C)$-\dfrac{m_c(m_e+m_c)v_c^2}{2m_e}$.
D)$-\dfrac{(m_c+m_e)v_c^2}{2}$.
E)$-\dfrac{m_e(m_e+m_c)v_c^2}{2m_c}$.

Gabarito oficial ITA 2013

C
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Como não há força externa horizontal e inicialmente o sistema está em repouso, o momento linear do cilindro e do êmbolo se conserva. Desprezando o momento do gás, $m_cv_c+m_ev_e=0$.

Logo $v_e=-(m_c/m_e)v_c$. Por ser adiabática, a expansão não recebe calor: a diminuição da energia interna fornece a energia cinética dos dois corpos.

Assim, $\Delta U=-\left(\frac12m_cv_c^2+\frac12m_ev_e^2\right)=-\frac12m_cv_c^2(1+m_c/m_e)=-\dfrac{m_c(m_e+m_c)v_c^2}{2m_e}$.

Checagem. O sinal é negativo e a expressão tem unidade de joule; o expoente $\gamma$ não é necessário à relação energética pedida.

Cuidado, armadilha! Tratar o gás em expansão como se realizasse trabalho contra um obstáculo fixo ou esquecer o recuo do cilindro.

Alternativa correta: C

Q09
Mecânica — Energia — Rampa móvel sem atrito

Uma rampa maciça de $120\ \text{kg}$ inicialmente em repouso, apoiada sobre um piso horizontal, tem sua declividade dada por $\tan\theta=3/4$. Um corpo de $80\ \text{kg}$ desliza nessa rampa a partir do repouso, nela percorrendo $15\ \text{m}$ até alcançar o piso. No final desse percurso, e desconsiderando qualquer tipo de atrito, a velocidade da rampa em relação ao piso é de aproximadamente

A)$1\ \text{m/s}$.
B)$3\ \text{m/s}$.
C)$5\ \text{m/s}$.
D)$2\ \text{m/s}$.
E)$4\ \text{m/s}$.

Gabarito oficial ITA 2013

C
Resolução — Método TEF

Estratégia física. O bloco perde altura $h=15\operatorname{sen}\theta=9\ \text{m}$, pois $\operatorname{sen}\theta=3/5$. Como não há força horizontal externa, conservam-se o momento horizontal e a energia mecânica.

Denote por $U$ a rapidez da rampa e por $w$ a rapidez do bloco em relação à rampa, paralela ao plano. A velocidade horizontal do bloco no solo vale $w\cos\theta-U$, escolhendo a rampa no sentido oposto. O momento horizontal dá $80(w\cos\theta-U)=120U$, logo $U=\frac{80}{200}\frac45w=0{,}32w$.

A energia perdida é $80\cdot10\cdot9=7200\ \text{J}$. A energia cinética é $\frac12(120)U^2+\frac12(80)[(w\cos\theta-U)^2+(w\operatorname{sen}\theta)^2]$. Substituindo $U=0{,}32w$, resulta $w\approx15{,}5\ \text{m/s}$ e $U\approx4{,}97\ \text{m/s}$.

Checagem. A velocidade aproximada da rampa é $5\ \text{m/s}$, e a velocidade horizontal do centro de massa permanece nula.

Cuidado, armadilha! Aplicar $mgh=mv^2/2$ apenas ao bloco ou tratar a rampa como imóvel.

Alternativa correta: C

Q10
Eletricidade — Capacitores — Dielétrico parcial

Certo produto industrial constitui-se de uma embalagem rígida cheia de óleo, de dimensões $L\times L\times d$, sendo transportado numa esteira que passa por um sensor capacitivo de duas placas paralelas e quadradas de lado $L$, afastadas entre si de uma distância ligeiramente maior que $d$, conforme a figura. Quando o produto estiver inteiramente inserido entre as placas, o sensor deve acusar um valor de capacitância $C_0$. Considere, contudo, tenha havido antes um indesejado vazamento de óleo, tal que a efetiva medida da capacitância seja $C=3C_0/4$. Sendo dadas as respectivas constantes dielétricas do óleo, $\kappa=2$, e do ar, $\kappa_{\text{ar}}=1$, e desprezando o efeito da constante dielétrica da embalagem, assinale a percentagem do volume de óleo vazado em relação ao seu volume original.

Esquema original da questão 10, ITA 2013
A)$5\%$.
B)$50\%$.
C)$100\%$.
D)$10\%$.
E)$75\%$.

Gabarito oficial ITA 2013

B
Conferência: o PDF de resoluções assinala C, mas o gabarito oficial indica B; o cálculo confirma 50%.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. No sensor, as regiões com óleo e com ar ocupam áreas diferentes entre as mesmas placas: são capacitores em paralelo. Não devem ser somadas como camadas em série.

Inicialmente $C_0=2\varepsilon_0L^2/d$. Se a fração de volume com óleo é $f$, $C=\varepsilon_0L^2[2f+(1-f)]/d=\varepsilon_0L^2(1+f)/d$.

Imponha a capacitância final informada e isole a fração de óleo que permanece:

\[C=\frac34C_0\]
\[1+f=\frac34\cdot2\]
\[1+f=1{,}5\]
\[f=0{,}5\]

A fração vazada é o complemento:

\[1-f=0{,}5\]

Logo, vazou 50% do óleo.

Nota de conferência. A resolução do PDF fornecido assinala visualmente 100%, mas sua própria conta conclui 50%. O gabarito oficial do ITA 2013 é coerente com o resultado de 50%.

Cuidado, armadilha! Tomar a queda relativa de capacitância como igual à fração de óleo retirada ou confiar na marcação C errada do PDF de soluções.

Alternativa correta: B

Q11
Magnetismo — Indução eletromagnética — Autoindução

O circuito mostrado na figura é constituído por um gerador com f.e.m. $\varepsilon$ e um resistor de resistência $R$. Considere as seguintes afirmações, sendo a chave $S$ fechada:

I — Logo após a chave $S$ ser fechada haverá uma f.e.m. autoinduzida no circuito.

II — Após um tempo suficientemente grande cessará o fenômeno de autoindução no circuito.

III — A autoindução no circuito ocorrerá sempre que houver variação da corrente elétrica no tempo.

Assinale a alternativa verdadeira.

Esquema original da questão 11, ITA 2013
A)Apenas a I é correta.
B)Apenas a II é correta.
C)Apenas a III é correta.
D)Apenas a II e a III são corretas.
E)Todas são corretas.

Gabarito oficial ITA 2013

E
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Uma corrente variável produz fluxo magnético variável através do próprio circuito. A lei da autoindução é $\varepsilon_L=-L\,\Delta i/\Delta t$, para indutância $L$.

I — Verdadeira: ao fechar a chave, a corrente passa de zero para um valor estacionário e há f.e.m. autoinduzida durante o transitório. II — Verdadeira: após o transitório, $\Delta i/\Delta t=0$, de modo que a f.e.m. autoinduzida desaparece. III — Verdadeira: qualquer variação da corrente produz autoindução no circuito real com indutância não nula.

Checagem. O resistor não impede o fenômeno: até um circuito simples possui indutância distribuída. As três proposições são verdadeiras.

Cuidado, armadilha! Imaginar que só uma bobina explicitamente desenhada pode ter indutância.

Alternativa correta: E

Q12
Óptica — Prisma e espelho plano — Desvio angular

Um raio horizontal de luz monocromática atinge um espelho plano vertical após incidir num prisma com abertura de $4^\circ$ e índice de refração $n=1{,}5$. Considere o sistema imerso no ar e que tanto o raio emergente do prisma como o refletido pelo espelho estejam no plano do papel, perpendicular ao plano do espelho, como mostrado na figura. Assinale a alternativa que indica respectivamente o ângulo e o sentido em que deve ser girado o espelho em torno do eixo perpendicular ao plano do papel que passa pelo ponto $O$, de modo que o raio refletido retorne paralelamente ao raio incidente no prisma.

Esquema original da questão 12, ITA 2013
A)$4^\circ$, sentido horário.
B)$2^\circ$, sentido horário.
C)$2^\circ$, sentido anti-horário.
D)$1^\circ$, sentido horário.
E)$1^\circ$, sentido anti-horário.

Gabarito oficial ITA 2013

D
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Em um prisma fino, o desvio angular é aproximadamente $\delta=(n-1)A$, com abertura $A=4^\circ$.

Daí $\delta=(1{,}5-1)\cdot4^\circ=2^\circ$. O raio chega ao espelho inclinado $2^\circ$ em relação à direção inicial. Uma rotação do espelho plano em $\varphi$ altera a direção do raio refletido em $2\varphi$.

Para que o feixe refletido volte paralelo ao original, basta $2\varphi=2^\circ$, isto é, $\varphi=1^\circ$. A geometria da figura exige rotação horária.

Checagem. Um erro clássico consiste em girar o espelho pelo ângulo total de desvio, esquecendo o fator 2 da reflexão.

Cuidado, armadilha! Concluir que o espelho deve girar 2°, ignorando que o raio refletido gira pelo dobro.

Alternativa correta: D

Q13
Ondas — Filmes finos — Reflexão de micro-ondas

Um prato plástico com índice de refração $1{,}5$ é colocado no interior de um forno de micro-ondas que opera a uma frequência de $2{,}5\times10^9\ \text{Hz}$. Supondo que as micro-ondas incidam perpendicularmente ao prato, pode-se afirmar que a mínima espessura deste em que ocorre o máximo de reflexão das micro-ondas é de

A)$1{,}0\ \text{cm}$.
B)$2{,}0\ \text{cm}$.
C)$3{,}0\ \text{cm}$.
D)$4{,}0\ \text{cm}$.
E)$5{,}0\ \text{cm}$.

Gabarito oficial ITA 2013

B
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Há dois feixes refletidos: um na interface ar–plástico, com inversão de fase de $\pi$, e outro na interface plástico–ar, sem essa inversão.

Para que os dois raios refletidos interfiram construtivamente, a diferença de percurso óptico $2ne$ deve valer um múltiplo ímpar de $\lambda_0/2$. Na menor espessura não nula, $2ne=\lambda_0/2$, logo $e=\lambda_0/(4n)$.

Como $\lambda_0=c/f=3\times10^8/(2{,}5\times10^9)=0{,}12\ \text{m}$, obtemos $e=0{,}12/(4\cdot1{,}5)=0{,}020\ \text{m}=2{,}0\ \text{cm}$.

Checagem. A inversão única de fase faz a condição de reflexão máxima ser de quarto de onda dentro do plástico.

Cuidado, armadilha! Impor $2ne=\lambda_0$ sem contabilizar a inversão de fase de uma reflexão.

Alternativa correta: B

Q14
Eletricidade — Eletrodinâmica — Leis de Kirchhoff

Considere o circuito elétrico mostrado na figura formado por quatro resistores de mesma resistência, $R=10\ \Omega$, e dois geradores ideais cujas respectivas forças eletromotrizes são $\varepsilon_1=30\ \text{V}$ e $\varepsilon_2=10\ \text{V}$. Pode-se afirmar que as correntes $i_1$, $i_2$, $i_3$ e $i_4$ nos trechos indicados na figura, em ampères, são respectivamente de

Esquema original da questão 14, ITA 2013
A)$2,\;2/3,\;5/3\ \text{e}\ 4$.
B)$7/3,\;2/3,\;5/3\ \text{e}\ 4$.
C)$4,\;4/3,\;2/3\ \text{e}\ 2$.
D)$2,\;4/3,\;7/3\ \text{e}\ 5/3$.
E)$2,\;2/3,\;4/3\ \text{e}\ 4$.

Gabarito oficial ITA 2013

B
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Defina as correntes nos sentidos das setas do desenho. Aplicamos Kirchhoff às malhas independentes e à junção dos ramos; o circuito não pode ser simplificado por uma única associação em série/paralelo.

As equações das malhas independentes fornecem:

\[3Ri_1=2\varepsilon_1+\varepsilon_2\]
\[3Ri_3=\varepsilon_1+2\varepsilon_2\]

Substitua os valores das fontes e a resistência de 10 ohms:

\[i_1=\frac{60+10}{30}\]
\[i_1=\frac73\ \mathrm A\]
\[i_3=\frac{30+20}{30}\]
\[i_3=\frac53\ \mathrm A\]

Pela lei dos nós, $i_2=i_1-i_3=2/3\ \text{A}$. Pela malha externa e as fontes, $i_4=(\varepsilon_1+\varepsilon_2)/R=40/10=4\ \text{A}$.

Checagem. Os sinais positivos confirmam os sentidos desenhados; $i_1-i_3=i_2$ assegura a conservação de carga.

Cuidado, armadilha! Somar resistores como se não houvesse derivações ou inverter os sinais dos geradores.

Alternativa correta: B

Q15
Eletricidade — Eletrostática — Cascas condutoras

A figura mostra duas cascas esféricas condutoras concêntricas no vácuo, descarregadas, em que $a$ e $c$ são, respectivamente, seus raios internos, e $b$ e $d$ seus respectivos raios externos. A seguir, uma carga pontual negativa é fixada no centro das cascas. Estabelecido o equilíbrio eletrostático, a respeito do potencial nas superfícies externas das cascas e do sinal da carga na superfície de raio $d$, podemos afirmar, respectivamente, que

Esquema original da questão 15, ITA 2013
A)$V(b)>V(d)$ e a carga é positiva.
B)$V(b)<V(d)$ e a carga é positiva.
C)$V(b)=V(d)$ e a carga é negativa.
D)$V(b)>V(d)$ e a carga é negativa.
E)$V(b)<V(d)$ e a carga é negativa.

Gabarito oficial ITA 2013

E
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Seja a carga central $-q$, com $q>0$. Como o campo no interior de cada condutor é nulo, a casca interna induz $+q$ na face de raio $a$ e $-q$ na de raio $b$; a casca externa induz $+q$ em $c$ e $-q$ em $d$.

Logo a carga da superfície externa de raio $d$ é negativa. Entre os condutores ($b<r<c$), o campo equivale ao de carga líquida $-q$: $E_r=-kq/r^2$.

O potencial varia segundo $V(b)-V(d)=kq\left(\frac1c-\frac1b\right)<0$, pois $c>b$. Assim $V(b)<V(d)$.

Checagem. Ambas as cascas permanecem com carga total nula, mas não com carga nula em cada uma de suas faces.

Cuidado, armadilha! Considerar nulas as cargas de cada superfície por as cascas serem inicialmente neutras.

Alternativa correta: E

Q16
Mecânica — Hidrostática — Empuxo em dois líquidos

Um recipiente contém dois líquidos homogêneos e imiscíveis, $A$ e $B$, com densidades respectivas $\rho_A$ e $\rho_B$. Uma esfera sólida, maciça e homogênea, de massa $m=5\ \text{kg}$, permanece em equilíbrio sob ação de uma mola de constante elástica $k=800\ \text{N/m}$, com metade de seu volume imerso em cada um dos líquidos, respectivamente, conforme a figura. Sendo $\rho_A=4\rho$ e $\rho_B=6\rho$, em que $\rho$ é a densidade da esfera, pode-se afirmar que a deformação da mola é de

Esquema original da questão 16, ITA 2013
A)$0\ \text{m}$.
B)$9/16\ \text{m}$.
C)$3/8\ \text{m}$.
D)$1/4\ \text{m}$.
E)$1/8\ \text{m}$.

Gabarito oficial ITA 2013

D
Resolução — Método TEF

Estratégia física. O empuxo total é a soma dos pesos dos volumes deslocados nos dois líquidos. Como a esfera mergulha metade do volume em cada camada: $E=(\rho_A+\rho_B)gV/2=5\rho gV$.

Desconte o peso da esfera do empuxo total para obter a força que a mola deve equilibrar:

\[P=\rho gV\]
\[P=mg\]
\[E-P=4mg\]
\[kx=4mg\]

Assim, $x=4mg/k=(4\cdot5\cdot10)/800=0{,}25\ \text{m}=1/4\ \text{m}$.

Checagem. Como as densidades dos dois líquidos superam a da esfera, a mola deve estar alongada para exercer força para baixo.

Cuidado, armadilha! Usar somente a densidade do fluido inferior ou deixar de descontar o peso da esfera.

Alternativa correta: D

Q17
Termologia — Segunda lei — Seta do tempo

Diferentemente da dinâmica newtoniana, que não distingue passado e futuro, a direção temporal tem papel marcante no nosso dia-a-dia. Assim, por exemplo, ao aquecer uma parte de um corpo macroscópico e o isolarmos termicamente, a temperatura deste se torna gradualmente uniforme, jamais se observando o contrário, o que indica a direcionalidade do tempo. Diz-se então que os processos macroscópicos são irreversíveis, evoluem do passado para o futuro e exibem o que o famoso cosmólogo Sir Arthur Eddington denominou de seta do tempo. A lei física que melhor traduz o tema do texto é

A)a segunda lei de Newton.
B)a lei de conservação da energia.
C)a segunda lei da termodinâmica.
D)a lei zero da termodinâmica.
E)a lei de conservação da quantidade de movimento.

Gabarito oficial ITA 2013

C
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A descrição trata da irreversibilidade de processos espontâneos e da tendência ao equilíbrio térmico em um sistema isolado.

A segunda lei da termodinâmica estabelece que a entropia total de um sistema isolado não diminui: $\Delta S\geq0$. A dispersão espontânea de energia térmica é compatível com o aumento da entropia; o processo inverso não ocorre espontaneamente em escala macroscópica.

Checagem. A lei zero define equilíbrio térmico, mas não indica uma direção preferencial para a evolução espontânea. Portanto, a lei pedida é a segunda lei da termodinâmica.

Cuidado, armadilha! Confundir equilíbrio térmico (lei zero) com a regra de evolução espontânea (segunda lei).

Alternativa correta: C

Q18
Física moderna — Efeito fotoelétrico — Hidrogênio

Num experimento que usa o efeito fotoelétrico ilumina-se a superfície de um metal com luz proveniente de um gás de hidrogênio cujos átomos sofrem transições do estado $n$ para o estado fundamental. Sabe-se que a função trabalho $\phi$ do metal é igual à metade da energia de ionização do átomo de hidrogênio cuja energia do estado $n$ é dada por $E_n=E_1/n^2$. Considere as seguintes afirmações:

I — A energia cinética máxima do elétron emitido pelo metal é $E_C=E_1/n^2-E_1/2$.

II — A função trabalho do metal é $\phi=-E_1/2$.

III — A energia cinética máxima dos elétrons emitidos aumenta com o aumento da frequência da luz incidente no metal a partir da frequência mínima de emissão.

Assinale a alternativa verdadeira.

A)Apenas a I e a III são corretas.
B)Apenas a II e a III são corretas.
C)Apenas a I e a II são corretas.
D)Apenas a III é correta.
E)Todas são corretas.

Gabarito oficial ITA 2013

E
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Os níveis ligados do hidrogênio são negativos, $E_1<0$. A energia de ionização a partir do fundamental é $-E_1$, logo $\phi=(-E_1)/2=-E_1/2$; a proposição II é verdadeira.

O fóton emitido na transição $n\to1$ tem energia $h f=E_n-E_1=E_1/n^2-E_1$. Pela equação fotoelétrica de Einstein, $E_{C,\max}=hf-\phi=(E_1/n^2-E_1)+E_1/2=E_1/n^2-E_1/2$, como afirma I (para transições com emissão possível).

Pela mesma equação $E_{C,\max}=hf-\phi$, a energia cinética cresce linearmente com a frequência acima do limiar. III também é verdadeira.

Checagem. O sinal negativo de $E_1$ é essencial; tratar a energia fundamental como positiva produz resultados inconsistentes.

Cuidado, armadilha! Trocar o sinal de $E_1$ ou confundir energia de ionização com energia do estado fundamental.

Alternativa correta: E

Q19
Magnetismo — Campo magnético — Espira e fios

Uma espira circular de raio $R$ é percorrida por uma corrente elétrica $i$ criando um campo magnético. Em seguida, no mesmo plano da espira, mas em lados opostos, a uma distância $2R$ do seu centro colocam-se dois fios condutores retilíneos, muito longos e paralelos entre si, percorridos por correntes $i_1$ e $i_2$ não nulas, de sentidos opostos, como indicado na figura. O valor de $i$ e o seu sentido para que o módulo do campo de indução resultante no centro da espira não se altere são respectivamente

Esquema original da questão 19, ITA 2013
A)$i=\dfrac{i_1+i_2}{2\pi}$ e horário.
B)$i=\dfrac{i_1+i_2}{2\pi}$ e anti-horário.
C)$i=\dfrac{i_1+i_2}{4\pi}$ e horário.
D)$i=\dfrac{i_1+i_2}{4\pi}$ e anti-horário.
E)$i=\dfrac{i_1+i_2}{\pi}$ e horário.

Gabarito oficial ITA 2013

D
Resolução — Método TEF

No centro da espira, calcule separadamente os módulos dos campos da espira e dos fios, estes a uma distância de dois raios:

\[B_e=\frac{\mu_0i}{2R}\]
\[B_1=\frac{\mu_0i_1}{4\pi R}\]
\[B_2=\frac{\mu_0i_2}{4\pi R}\]

Pela regra da mão direita, as contribuições dos dois fios apontam para dentro da página. Para manter o mesmo módulo do campo produzido originalmente pela espira, o resultado deve inverter o sentido do campo da espira: $B_e-(B_1+B_2)=-B_e$.

A condição de inversão do sentido, preservando o módulo, exige:

\[2B_e=B_1+B_2\]
\[\frac{\mu_0i}{R}=\frac{\mu_0(i_1+i_2)}{4\pi R}\]
\[i=\frac{i_1+i_2}{4\pi}\]

A corrente da espira deve ter sentido anti-horário, produzindo campo para fora da página.

Checagem. O enunciado conserva o módulo, não o vetor campo magnético: essa diferença permite a inversão de sentido.

Cuidado, armadilha! Tentar anular a contribuição dos fios ou impor igualdade vetorial em lugar da igualdade de módulos.

Alternativa correta: D

Q20
Mecânica — Gravitação — Energia orbital

Uma lua de massa $m$ de um planeta distante, de massa $M\gg m$, descreve uma órbita elíptica com semieixo maior $a$ e semieixo menor $b$, perfazendo um sistema de energia $E$. A lei das áreas de Kepler relaciona a velocidade $v$ da lua no apogeu com sua velocidade $v'$ no perigeu, isto é, $v'(a-e)=v(a+e)$, em que $e$ é a medida do centro ao foco da elipse. Nessas condições, podemos afirmar que

A)$E=-\dfrac{GMm}{2a}$.
B)$E=-\dfrac{GMm}{2b}$.
C)$E=-\dfrac{GMm}{2e}$.
D)$E=-\dfrac{GMm}{\sqrt{a^2+b^2}}$.
E)$v^{\prime}=\sqrt{\dfrac{2GM}{a-e}}$.

Gabarito oficial ITA 2013

A
Resolução — Método TEF

Estratégia física. No apogeu e no perigeu, as velocidades são tangenciais às órbitas. A distância ao foco central vale, respectivamente, $r_a=a+e$ e $r_p=a-e$.

A conservação do momento angular (lei das áreas) fornece $v_a(a+e)=v_p(a-e)$. A energia mecânica é a mesma nos dois pontos: $E=\frac12mv_a^2-GMm/(a+e)=\frac12mv_p^2-GMm/(a-e)$.

Eliminando uma das velocidades com a lei das áreas, resulta $v_a^2=GM(a-e)/[a(a+e)]$. Substituindo na energia do apogeu, $E=\frac{GMm(a-e)}{2a(a+e)}-\frac{GMm}{a+e}=-\frac{GMm}{2a}$.

Checagem. O resultado depende só do semieixo maior da órbita ligada; no caso circular $a=r$ recupera-se $E=-GMm/(2r)$.

Cuidado, armadilha! Confundir semieixo maior com distância focal ou usar a fórmula de velocidade de escape no perigeu.

Alternativa correta: A

Q21
Física moderna — Relatividade — Relação energia-momento

Considere as seguintes relações fundamentais da dinâmica relativística de uma partícula: a massa relativística $m=m_0\gamma$, o momentum relativístico $p=m_0\gamma v$ e a energia relativística $E=m_0\gamma c^2$, em que $m_0$ é a massa de repouso da partícula e $\gamma=1/\sqrt{1-v^2/c^2}$ é o fator de Lorentz. Demonstre que $E^2-p^2c^2=(m_0c^2)^2$ e, com base nessa relação, discuta a afirmação: “Toda partícula com massa de repouso nula viaja com a velocidade da luz $c$”.

Resposta discursiva — síntese TEF

$E^2-p^2c^2=m_0^2c^4$; para $m_0=0$ e $E>0$, $v=c$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Partimos das definições fornecidas, sem recorrer a uma nova fórmula pronta. $E^2-p^2c^2=\gamma^2m_0^2c^4-\gamma^2m_0^2v^2c^2=\gamma^2m_0^2c^2(c^2-v^2)$.

Como $\gamma^2=1/(1-v^2/c^2)$, a razão se simplifica: $E^2-p^2c^2=m_0^2c^4=(m_0c^2)^2$.

Para uma partícula física sem massa de repouso e com energia não nula, a relação invariante se reduz a:

\[E=pc\]

A relação cinemática relativística determina sua velocidade no vácuo:

\[v=\frac{pc^2}{E}\]
\[v=c\]

Checagem conceitual. Não substitua simplesmente $m_0=0$ na forma $m_0\gamma$: para $v=c$, ocorre a expressão indeterminada $0\times\infty$. O limite correto é tratado pela relação invariante de energia-momento.

Cuidado, armadilha! Usar as expressões $m_0\gamma$ em $m_0=0$ e $v=c$ sem tratar a forma indeterminada.

Resposta:

\[E^2-p^2c^2=m_0^2c^4\]

Para massa de repouso nula e energia positiva:

\[v=c\]
Q22
Termologia — Gases — Zero absoluto e manômetro

Um recipiente é inicialmente aberto para a atmosfera à temperatura de $0^\circ\text{C}$. A seguir, o recipiente é fechado e imerso num banho térmico com água em ebulição. Ao atingir o novo equilíbrio, observa-se o desnível do mercúrio indicado na escala das colunas do manômetro. Construa um gráfico $P\times T$ para os dois estados do ar no interior do recipiente e o extrapole para encontrar a temperatura $T_0$ em que $P=0$, interpretando fisicamente este novo estado à luz da teoria cinética dos gases.

Esquema original da questão 22, ITA 2013

Resposta discursiva — síntese TEF

$T_0\approx-271{,}4^\circ\text{C}$ (escala $76\ \text{cmHg}$ por atm).
Resolução — Método TEF

Estratégia física. O volume do ar no recipiente é fixo; para gás ideal, $P/T_K$ é constante. O gráfico $P\times T$ em graus Celsius é uma reta cujo intercepto com o eixo da temperatura fornece uma estimativa do zero absoluto.

Use os dois estados do gás e o desnível total entre as superfícies do mercúrio:

\[T_1=0\,{}^\circ\mathrm C\]
\[P_1=76\ \mathrm{cmHg}\]
\[\Delta h=28\ \mathrm{cmHg}\]
\[T_2=100\,{}^\circ\mathrm C\]
\[P_2=104\ \mathrm{cmHg}\]

A reta de pressão em função da temperatura Celsius passa pelos pontos (0, 76) e (100, 104):

\[P(T)=76+0{,}28T\]

Extrapole até a pressão nula:

\[T_0=-\frac{76}{0{,}28}\]
\[T_0\approx-271{,}4\,{}^\circ\mathrm C\]

Interpretação. O valor é uma estimativa experimental próxima de $-273{,}15^\circ\text{C}$. No modelo de gás ideal, a pressão extrapolada tende a zero ao tender a energia cinética de translação a zero. Gases reais liquefazem antes dessa extrapolação.

Nota de conferência. A resolução do PDF fornecido usa a densidade do Hg e $1\ \text{atm}=10^5\ \text{Pa}$ para obter $-262{,}6^\circ\text{C}$; o resultado muda porque esses dados aproximados não são perfeitamente compatíveis com $1\ \text{atm}=76\ \text{cmHg}$. Aqui priorizamos a escala manométrica indicada no enunciado.

Cuidado, armadilha! Confundir pressão manométrica com absoluta ou calcular o desnível como 14 cm em vez de 28 cm.

Resposta: $T_0\approx-271{,}4^\circ\text{C}$ (escala $76\ \text{cmHg}$ por atm).

Q23
Mecânica — Colisões — Projétil e barra móvel

Num plano horizontal $x\times y$, um projétil de massa $m$ é lançado com velocidade $v$, na direção $\theta$ com o eixo $x$, contra o centro de massa de uma barra rígida, homogênea, de comprimento $L$ e massa $M$, que se encontra inicialmente em repouso a uma distância $D$ de uma parede, conforme a figura. Após uma primeira colisão elástica com a barra, o projétil retrocede e colide elasticamente com a parede. Desprezando qualquer atrito, determine o intervalo de valores de $\theta$ para que ocorra uma segunda colisão com a barra, e também o tempo decorrido entre esta e a anterior na parede.

Esquema original da questão 23, ITA 2013

Resposta discursiva — síntese TEF

$M>3m$, $|\tan\theta|\leq\dfrac{L(M-3m)}{4D(M+m)}$; $\Delta t=\dfrac{D(M+m)^2}{v\cos\theta(M-m)(M-3m)}$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Na colisão central com a barra, o impulso é horizontal; a componente $v\operatorname{sen}\theta$ do projétil mantém-se inalterada, e a barra não ganha rotação. Escreva $u=v\cos\theta>0$.

Pelas equações unidimensionais de choque elástico, depois da primeira colisão as componentes horizontais são $u'_m=\frac{m-M}{m+M}u$ e $u'_M=\frac{2m}{m+M}u$. O projétil só retorna à parede se $M>m$.

A distância da barra à parede no instante em que o projétil reflete é $D_1=D\frac{M+m}{M-m}$. Após refletir na parede, o projétil segue com rapidez horizontal $u''=\frac{M-m}{M+m}u$ em direção à barra; a barra avança com $u'_M$.

Para ocorrer alcance, é necessário $u''>u'_M$, isto é, $M>3m$. O tempo entre o choque na parede e a segunda colisão com a barra é $\Delta t=\frac{D_1}{u''-u'_M}=\dfrac{D(M+m)^2}{v\cos\theta\,(M-m)(M-3m)}$.

Até o segundo choque com a barra, o projétil sofre deslocamento transversal $\Delta y=v\operatorname{sen}\theta\left[t_{\text{parede}}+\Delta t\right]=\dfrac{2D(M+m)\tan\theta}{M-3m}$. Para atingir a barra, deve-se ter $|\Delta y|\leq L/2$.

Logo $|\tan\theta|\leq\dfrac{L(M-3m)}{4D(M+m)}$, com $M>3m$ e $\cos\theta>0$. Checagem. O intervalo angular se estreita quando a barra se afasta ($D$ cresce) ou quando $M$ se aproxima de $3m$.

Cuidado, armadilha! Desprezar que a barra se desloca enquanto o projétil vai à parede, ou esquecer a condição $M>3m$.

Resposta: $M>3m$, $|\tan\theta|\leq\dfrac{L(M-3m)}{4D(M+m)}$; $\Delta t=\dfrac{D(M+m)^2}{v\cos\theta(M-m)(M-3m)}$.

Q24
Ondas — Interferometria — Resolução angular

Dois radiotelescópios num mesmo plano com duas estrelas operam como um interferômetro na frequência de $2{,}1\ \text{GHz}$. As estrelas são interdistantes de $L=5{,}0$ anos-luz e situam-se a uma distância $D=2{,}5\times10^7$ anos-luz da Terra. Ver figura. Calcule a separação mínima, $d$, entre os dois radiotelescópios necessária para distinguir as estrelas. Sendo $\theta\ll1$ em radianos, use a aproximação $\theta\simeq\tan\theta\simeq\operatorname{sen}\theta$.

Esquema original da questão 24, ITA 2013

Resposta discursiva — síntese TEF

$d_{\min}\approx7{,}14\times10^5\ \text{m}\approx714\ \text{km}$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. A separação angular das estrelas, para $L\ll D$, é $\theta\simeq L/D=5/(2{,}5\times10^7)=2{,}0\times10^{-7}\ \text{rad}$.

O comprimento de onda recebido é $\lambda=c/f=3{,}0\times10^8/(2{,}1\times10^9)\approx0{,}142857\ \text{m}$. Para uma linha de base $d$, uma diferença angular $\theta$ modifica a diferença de caminhos em aproximadamente $d\theta$.

No critério de resolução adotado pelo PDF da questão, dois máximos adjacentes se distinguem quando $d\theta\simeq\lambda$. Assim, $d_{\min}\simeq\lambda/\theta=0{,}142857/(2{,}0\times10^{-7})\approx7{,}14\times10^5\ \text{m}$.

Checagem. A linha de base é da ordem de $714\ \text{km}$; a distância absoluta às estrelas só entra pela razão $L/D$. O critério exato de visibilidade depende da resposta angular do interferômetro; aqui usamos a convenção da solução anexa.

Cuidado, armadilha! Usar a distância em anos-luz como se fosse $d$, ou esquecer que $\lambda$ está em metros.

Resposta: $d_{\min}\approx7{,}14\times10^5\ \text{m}\approx714\ \text{km}$.

Q25
Mecânica — Empuxo — Variação de massa e volume

Em atmosfera de ar calmo e densidade uniforme $d_a$, um balão aerostático, inicialmente de densidade $d$, desce verticalmente com aceleração constante de módulo $a$. A seguir, devido a uma variação de massa e de volume, o balão passa a subir verticalmente com aceleração de mesmo módulo $a$. Determine a variação relativa do volume em função da variação relativa da massa e das densidades $d_a$ e $d$.

Resposta discursiva — síntese TEF

$\dfrac{\Delta V}{V_1}=\left(1+\dfrac{\Delta m}{m_1}\right)\dfrac{2d-d_a}{d_a}-1$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Escreva os equilíbrios dinâmicos nas duas fases; o peso é $mg$ e o empuxo é $d_agV$. Na descida, $m_1g-d_agV_1=m_1a$, logo $d_agV_1=m_1(g-a)$.

Na subida, o empuxo supera o peso:

\[d_agV_2-m_2g=m_2a\]
\[d_agV_2=m_2(g+a)\]

Divida essa relação pela correspondente à descida:

\[\frac{V_2}{V_1}=\frac{m_2}{m_1}\frac{g+a}{g-a}\]

Defina as variações relativas de massa e volume:

\[\delta_m=\frac{m_2-m_1}{m_1}\]
\[\delta_V=\frac{V_2-V_1}{V_1}\]
\[\delta_V=(1+\delta_m)\frac{g+a}{g-a}-1\]

Use a densidade inicial para eliminar a aceleração:

\[d=\frac{m_1}{V_1}\]
\[\frac ag=1-\frac{d_a}{d}\]

Eliminando $a$, $\delta_V=\left(1+\delta_m\right)\dfrac{2d-d_a}{d_a}-1$.

Checagem. O balão inicialmente desce, logo $d>d_a$; a expressão deve ser interpretada com as novas massa e densidade ainda físicas.

Cuidado, armadilha! Supor densidade do balão constante após a alteração de massa e volume.

Resposta: $\dfrac{\Delta V}{V_1}=\left(1+\dfrac{\Delta m}{m_1}\right)\dfrac{2d-d_a}{d_a}-1$.

Q26
Termologia — Termodinâmica — Trabalho adiabático

Um mol de um gás ideal sofre uma expansão adiabática reversível de um estado inicial cuja pressão é $P_i$ e o volume é $V_i$ para um estado final em que a pressão é $P_f$ e o volume é $V_f$. Sabe-se que $\gamma=C_p/C_v$ é o expoente de Poisson, em que $C_p$ e $C_v$ são os respectivos calores molares a pressão e a volume constantes. Obtenha a expressão do trabalho realizado pelo gás em função de $P_i$, $V_i$, $P_f$, $V_f$ e $\gamma$.

Resposta discursiva — síntese TEF

$W=\dfrac{P_iV_i-P_fV_f}{\gamma-1}$.
Resolução — Método TEF

Na transformação adiabática não há troca de calor. Adotando trabalho positivo quando realizado pelo gás:

\[Q=0\]
\[\Delta U=-W\]

Para o gás ideal:

\[\Delta U=nC_v(T_f-T_i)\]

Escreva a lei dos gases ideais nos estados inicial e final:

\[nRT_i=P_iV_i\]
\[nRT_f=P_fV_f\]

Combine a relação de Mayer com a definição do expoente adiabático:

\[C_p-C_v=R\]
\[\gamma=\frac{C_p}{C_v}\]
\[C_v=\frac R{\gamma-1}\]

Logo $W=-n\frac{R}{\gamma-1}(T_f-T_i)=\dfrac{P_iV_i-P_fV_f}{\gamma-1}$.

Checagem. Numa expansão reversível, $V_f>V_i$, a temperatura diminui e $W>0$. Não se deve fixar $\gamma=5/3$ sem o enunciado especificar que o gás é monoatômico.

Cuidado, armadilha! Substituir arbitrariamente $C_v=3R/2$ apesar de o expoente $\gamma$ ser genérico.

Resposta: $W=\dfrac{P_iV_i-P_fV_f}{\gamma-1}$.

Q27
Mecânica — Cinemática — Tambor giratório

Um dispositivo é usado para determinar a distribuição de velocidades de um gás. Em $t=0$, com os orifícios $O'$ e $O$ alinhados no eixo $z$, moléculas ejetadas de $O'$, após passar por um colimador, penetram no orifício $O$ do tambor de raio interno $R$, que gira com velocidade angular constante $\omega$. Considere, por simplificação, que neste instante inicial ($t=0$) as moléculas em movimento encontram-se agrupadas em torno do centro do orifício $O$. Enquanto o tambor gira, conforme mostra a figura, tais moléculas movem-se horizontalmente no interior deste ao longo da direção do eixo $z$, cada qual com sua própria velocidade, sendo paulatinamente depositadas na superfície interna do tambor no final de seus percursos. Nestas condições, obtenha em função do ângulo $\theta$ a expressão para $v-v_{\min}$, em que $v$ é a velocidade da molécula depositada correspondente ao giro $\theta$ do tambor e $v_{\min}$ é a menor velocidade possível para que as moléculas sejam depositadas durante a primeira volta deste.

Esquema original da questão 27, ITA 2013

Resposta discursiva — síntese TEF

$v-v_{\min}=2R\omega\left(\dfrac1\theta-\dfrac1{2\pi}\right)$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Cada molécula percorre o diâmetro interno $2R$ do tambor com movimento aproximadamente retilíneo uniforme; portanto, $t=2R/v$.

O ângulo girado pelo tambor é o produto da velocidade angular pelo tempo de voo:

\[\theta=\omega t\]
\[v=\frac{2R\omega}{\theta}\]

Para a deposição na primeira volta, o ângulo não ultrapassa uma volta completa:

\[\theta\leq2\pi\]

A menor rapidez corresponde ao maior ângulo permitido.

Assim, $v_{\min}=2R\omega/(2\pi)=R\omega/\pi$. Subtraindo: $v-v_{\min}=2R\omega\left(\frac1\theta-\frac1{2\pi}\right)$.

Checagem. Em $\theta=2\pi$, a diferença é zero; quando $\theta$ diminui, a molécula é mais rápida. Os ângulos devem ser expressos em radianos.

Cuidado, armadilha! Confundir o comprimento de trajetória com $R$ em vez de $2R$ ou não impor o limite $2\pi$.

Resposta: $v-v_{\min}=2R\omega\left(\dfrac1\theta-\dfrac1{2\pi}\right)$.

Q28
Eletricidade — Geradores — Máxima transferência de potência

O experimento mostrado na figura foi montado para elevar a temperatura de certo líquido no menor tempo possível, dispendendo uma quantidade de calor $Q$. Na figura, $G$ é um gerador de força eletromotriz $\varepsilon$, com resistência elétrica interna $r$, e $R$ é a resistência externa submersa no líquido. Desconsiderando trocas de calor entre o líquido e o meio externo, a) determine o valor de $R$ e da corrente $i$ em função de $\varepsilon$ e da potência elétrica $P$ fornecida pelo gerador nas condições impostas; b) represente graficamente a equação característica do gerador, ou seja, a diferença de potencial $U$ em função da intensidade da corrente elétrica $i$; c) determine o intervalo de tempo transcorrido durante o aquecimento em função de $Q$, $i$ e $\varepsilon$.

Esquema original da questão 28, ITA 2013

Resposta discursiva — síntese TEF

$R=\varepsilon^2/(4P)$, $i=2P/\varepsilon$, $U=\varepsilon-ri$ e $\Delta t=2Q/(\varepsilon i)$ (SI).
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Para aquecer no menor tempo, maximizamos a potência entregue à resistência externa: $P_R=i^2R=\varepsilon^2R/(R+r)^2$. A potência é máxima em $R=r$.

No ponto de máxima potência externa, a resistência de carga iguala a interna. Use essa condição nas expressões de corrente e potência:

\[i=\frac{\varepsilon}{2R}\]
\[P=\frac{\varepsilon^2}{4R}\]

Isole os valores pedidos:

\[R=\frac{\varepsilon^2}{4P}\]
\[i=\frac{2P}{\varepsilon}\]

O gráfico da característica do gerador é uma reta decrescente:

\[U(i)=\varepsilon-ri\]

Os interceptos são:

\[U(0)=\varepsilon\]
\[i_{cc}=\frac\varepsilon r\]

O ponto de máxima potência externa fica no meio dos interceptos:

\[i=\frac\varepsilon{2r}\]
\[U=\frac\varepsilon2\]

A potência entregue ao resistor aquece o líquido. Com a quantidade de calor em joules:

\[Q=P\Delta t\]
\[\Delta t=\frac QP\]
\[\Delta t=\frac{2Q}{\varepsilon i}\]

Se o valor numérico de Q estiver em calorias e for adotada a conversão de 4 joules por caloria:

\[\Delta t=\frac{8Q}{\varepsilon i}\quad\text{(Q em cal; tempo em s)}\]

Checagem. A potência $\varepsilon i$ fornecida idealmente pela fonte não é igual à potência útil $P_R=\varepsilon i/2$ no ponto de máxima transferência.

Cuidado, armadilha! Tomar $P_R=\varepsilon i$ sem descontar as perdas na resistência interna ou ignorar as unidades de calor.

Resposta, no Sistema Internacional:

\[R=\frac{\varepsilon^2}{4P}\]
\[i=\frac{2P}{\varepsilon}\]
\[U=\varepsilon-ri\]
\[\Delta t=\frac{2Q}{\varepsilon i}\]
Q29
Eletricidade — Eletrostática — Disco entre placas

Duas placas condutoras de raio $R$ e separadas por uma distância $d\ll R$ são polarizadas com uma diferença de potencial $V$ por meio de uma bateria. Suponha sejam uniformes a densidade superficial de carga nas placas e o campo elétrico gerado no vácuo entre elas. Um pequeno disco fino, condutor, de massa $m$ e raio $r$, é colocado no centro da placa inferior. Com o sistema sob a ação da gravidade $g$, determine, em função dos parâmetros dados, a diferença de potencial mínima fornecida pela bateria para que o disco se desloque ao longo do campo elétrico na direção da placa superior.

Resposta discursiva — síntese TEF

$V_{\min}=\dfrac d r\sqrt{\dfrac{mg}{\pi\varepsilon_0}}$ (modelo idealizado).
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Segundo o modelo simplificado adotado na solução do PDF, a intensidade do campo aproximadamente uniforme é $E=V/d$, e a densidade superficial das placas é $\sigma=\varepsilon_0E$.

Associamos ao disco uma carga efetiva de módulo $Q=\sigma\pi r^2=\varepsilon_0\pi r^2V/d$. Para que ele comece a subir, a força elétrica deve ao menos igualar o peso: $QE=mg$.

Substitua o campo e a carga efetiva na condição de início da subida:

\[\varepsilon_0\pi r^2\left(\frac Vd\right)^2=mg\]

Isole a tensão mínima:

\[V_{\min}=\frac dr\sqrt{\frac{mg}{\pi\varepsilon_0}}\]

Checagem e hipótese. A expressão tem unidade de volt e cresce com a massa e o afastamento das placas. O tratamento de carga no disco é uma idealização da solução fornecida: efeitos reais de indução, contato e distorção do campo próximo à placa não foram modelados.

Cuidado, armadilha! Tratar a carga do disco como independente da tensão quando, no modelo dado, ela depende do campo.

Resposta: $V_{\min}=\dfrac d r\sqrt{\dfrac{mg}{\pi\varepsilon_0}}$ (modelo idealizado).

Q30
Magnetismo — Partícula carregada — Energia versus percurso

Um próton em repouso é abandonado do eletrodo positivo de um capacitor de placas paralelas submetidas a uma diferença de potencial $\varepsilon=1000\ \text{V}$ e espaçadas entre si de $d=1\ \text{mm}$, conforme a figura. A seguir, ele passa através de um pequeno orifício no segundo eletrodo para uma região de campo magnético uniforme de módulo $B=1{,}0\ \text{T}$. Faça um gráfico da energia cinética do próton em função do comprimento de sua trajetória até o instante em que a sua velocidade torna-se paralela às placas do capacitor. Apresente detalhadamente seus cálculos.

Esquema original da questão 30, ITA 2013

Resposta discursiva — síntese TEF

$K(s)=q\varepsilon s/d$ para $0\leq s\leq d$; $K=q\varepsilon$ até $s_f\approx8{,}24\ \text{mm}$.
Resolução — Método TEF

Estratégia física. No espaço entre as placas, o campo é $E=\varepsilon/d$ e a força $qE$ é constante ao longo da trajetória retilínea. Após percorrer um comprimento $s$ dentro do capacitor, o trabalho da força elétrica é $K(s)=qEs=q\varepsilon s/d$, para $0\leq s\leq d$.

Ao sair do capacitor, $K_d=q\varepsilon=(1{,}6\times10^{-19})(1000)=1{,}6\times10^{-16}\ \text{J}$, equivalente a $1000\ \text{eV}$. A rapidez vale $v=\sqrt{2q\varepsilon/m_p}\approx4{,}34\times10^5\ \text{m/s}$.

Na região magnética, a força de Lorentz é perpendicular à velocidade e não realiza trabalho: a energia cinética permanece constante, enquanto o movimento é circular com raio $r_c=m_pv/(qB)=\sqrt{2m_p\varepsilon/(qB^2)}\approx4{,}61\ \text{mm}$.

A velocidade fica paralela às placas após o próton executar um quarto de circunferência; o arco mede $\ell=\pi r_c/2\approx7{,}24\ \text{mm}$. Portanto, o comprimento total até esse instante é $s_f=d+\ell\approx8{,}24\ \text{mm}$.

Gráfico. A curva $K\times s$ cresce linearmente desde a origem até $(1\ \text{mm},\,1{,}6\times10^{-16}\ \text{J})$ e segue horizontal até $s\approx8{,}24\ \text{mm}$.

Checagem. O campo magnético curva a trajetória sem alterar o módulo da velocidade; por isso o trecho horizontal do gráfico não significa que o próton parou.

Gráfico TEF da energia cinética: crescimento linear no capacitor e patamar no campo magnético
Cuidado, armadilha! Aplicar trabalho da força magnética como se ela mudasse a energia cinética ou esquecer o trecho inicial de 1 mm.

Resposta: $K(s)=q\varepsilon s/d$ para $0\leq s\leq d$; $K=q\varepsilon$ até $s_f\approx8{,}24\ \text{mm}$.

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