ITA 2015 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Tecnológico de Aeronáutica · Prova de Física

Vestibular ITA 2015 · 20 questões objetivas (Q01–Q20) e 10 dissertativas (Q21–Q30) · Enunciados e alternativas transcritos do PDF; diagramas recortados do original; gabarito oficial das objetivas.

Dados da prova — ITA 2015

Se precisar, utilize os valores das constantes aqui relacionadas (transcrição da prova original):

Constante dos gases: $R=8\ \text{J/(mol·K)}$.
Pressão atmosférica ao nível do mar: $P_0=100\ \text{kPa}$.
Massa molecular do $\text{CO}_2$: $44\ \text{u}$.
Calor latente do gelo: $80\ \text{cal/g}$.
Calor específico do gelo: $0{,}5\ \text{cal/(g·K)}$.
$1\ \text{cal}=4\times10^7\ \text{erg}$.
Aceleração da gravidade: $g=10{,}0\ \text{m/s}^2$.
Q01
Ondas — Ondas em cordas — Velocidade de propagação

Um fio de comprimento $L$ e massa específica linear $\mu$ é mantido esticado por uma força $F$ em suas extremidades. Assinale a opção com a expressão do tempo que um pulso demora para percorrê-lo.

A)$\dfrac{2LF}{\mu}$
B)$\dfrac{F}{2\pi L\mu}$
C)L\sqrt{\dfrac{\mu}{F}}
D)$\dfrac L\pi\sqrt{\dfrac\mu F}$
E)$\dfrac L{2\pi}\sqrt{\dfrac\mu F}$

Gabarito oficial ITA 2015

C
Resolução — Método TEF

Estratégia física. Um pulso transversal em uma corda ideal se propaga com velocidade que depende da tração e da massa por comprimento, e não do comprimento total.

Pela relação de Taylor, $v=\sqrt{F/\mu}$. Como o pulso percorre $L$, temos $t=L/v$, portanto \[t=L\sqrt{\frac{\mu}{F}}.\]

Checagem. Quanto maior a tração, menor o tempo; quanto maior a densidade linear, maior o tempo. A expressão tem dimensão de tempo.

Alternativa correta: C

Q02
Eletricidade — Eletrostática — Trabalho e energia em campo uniforme

Uma pequena esfera metálica, de massa $m$ e carga positiva $q$, é lançada verticalmente para cima com velocidade inicial $v_0$ em uma região onde há um campo elétrico de módulo $E$, apontado para baixo, e um gravitacional de módulo $g$, ambos uniformes. A máxima altura que a esfera alcança é

A)$\dfrac{v_0^2}{2g}$
B)$\dfrac{qE}{mv_0}$
C)$\dfrac{v_0}{qmE}$
D)$\dfrac{mv_0^2}{2(qE+mg)}$
E)$\sqrt{\dfrac{3mEqv_0}{8g}}$

Gabarito oficial ITA 2015

D
Resolução — Método TEF

O peso e a força elétrica apontam verticalmente para baixo, já que a carga é positiva e o campo elétrico também aponta para baixo. Portanto, $F_{\mathrm{res}}=mg+qE$.

Pelo teorema da energia cinética, na altura máxima a esfera para momentaneamente: \[\frac12mv_0^2=(mg+qE)H.\] Daí, \[H=\frac{mv_0^2}{2(mg+qE)}.\]

Checagem. Fazendo $E=0$, recuperamos $H=v_0^2/(2g)$.

Alternativa correta: D

Q03
Mecânica — Dinâmica — Desprendimento em superfície curva

Uma massa puntiforme é abandonada com impulso inicial desprezível do topo de um hemisfério maciço em repouso sobre uma superfície horizontal. Ao descolar-se da superfície do hemisfério, a massa terá percorrido um ângulo $\theta$ em relação à vertical. Este experimento é realizado nas três condições seguintes, I, II e III, quando são medidos os respectivos ângulos $\theta_I$, $\theta_{II}$ e $\theta_{III}$:

I. O hemisfério é mantido preso à superfície horizontal e não há atrito entre a massa e o hemisfério.

II. O hemisfério é mantido preso à superfície horizontal, mas há atrito entre a massa e o hemisfério.

III. O hemisfério e a massa podem deslizar livremente pelas respectivas superfícies.

Nestas condições, pode-se afirmar que

A)\theta_{II}<\theta_I\ \text{e}\ \theta_{III}<\theta_I
B)\theta_{II}<\theta_I\ \text{e}\ \theta_{III}>\theta_I
C)\theta_{II}>\theta_I\ \text{e}\ \theta_{III}<\theta_I
D)$\theta_{II}>\theta_I\ \text{e}\ \theta_{III}>\theta_I$
E)$\theta_I=\theta_{III}$

Gabarito oficial ITA 2015

C
Resolução — Método TEF

Na condição I, o hemisfério está fixo e não há dissipação. Conserve a energia da massa desde o topo:

\[v^2=2gR(1-\cos\theta)\]

No instante em que ela perde contato, a normal se anula. A componente radial do peso fornece a aceleração centrípeta:

\[N=0\]
\[mg\cos\theta=\frac{mv^2}{R}\]

Combine as duas relações:

\[\cos\theta_I=2(1-\cos\theta_I)\]
\[\cos\theta_I=\frac23\]

Na condição II, o atrito dissipa energia. Na mesma posição angular, a rapidez é menor que no caso sem atrito, e a normal só se anula mais adiante:

\[\theta_{II}>\theta_I\]

Na condição III, o hemisfério recua horizontalmente e modifica o movimento relativo da massa. A conservação da energia deve ser combinada com a do momento horizontal; a perda de contato é antecipada:

\[\theta_{III}<\theta_I\]

Essas comparações determinam a ordem dos ângulos. O valor numérico do terceiro ângulo dependeria da massa do hemisfério.

Alternativa correta: C

Q04
Eletricidade — Eletrostática — Equilíbrio de cargas e estabilidade

Considere um tubo horizontal cilíndrico de comprimento $\ell$, no interior do qual encontram-se respectivamente fixadas em cada extremidade de sua geratriz inferior as cargas $q_1$ e $q_2$, positivamente carregadas. Nessa mesma geratriz, numa posição entre as cargas, encontra-se uma pequena esfera em condição de equilíbrio, também positivamente carregada. Assinale a opção com as respostas corretas na ordem das seguintes perguntas:

I. Essa posição de equilíbrio é estável?

II. Essa posição de equilíbrio seria estável se não houvesse o tubo?

III. Se a esfera fosse negativamente carregada e não houvesse o tubo, ela estaria em equilíbrio estável?

A)Não. Sim. Não.
B)Não. Sim. Sim.
C)Sim. Não. Não.
D)Sim. Não. Sim.
E)Sim. Sim. Não.

Gabarito oficial ITA 2015

C
Resolução — Método TEF

I — Sim. Restrita ao eixo das duas cargas positivas, a esfera positiva é empurrada para a posição de equilíbrio quando sofre pequeno deslocamento longitudinal. O tubo elimina perturbações transversais.

II — Não. Sem o tubo, uma pequena perturbação perpendicular à linha das cargas pode afastar a esfera da posição inicial: o equilíbrio não é estável em todas as direções.

III — Não. Trocar o sinal da carga inverte os sentidos das forças; a perturbação longitudinal passa a ser desestabilizante. É uma manifestação do teorema de Earnshaw.

Sequência correta: Sim — Não — Não.

Alternativa correta: C

Q05
Magnetismo — Campos magnéticos — Fontes e interações magnéticas

Considere as seguintes proposições sobre campos magnéticos:

I. Em um ponto $P$ no espaço, a intensidade do campo magnético produzido por uma carga puntiforme $q$ que se movimenta com velocidade constante ao longo de uma reta só depende da distância entre $P$ e a reta.

II. Ao se aproximar um ímã de uma porção de limalha de ferro, esta se movimenta porque o campo magnético do ímã realiza trabalho sobre ela.

III. Dois fios paralelos por onde passam correntes uniformes num mesmo sentido se atraem.

Então,

A)apenas I é correta.
B)apenas II é correta.
C)apenas III é correta.
D)todas são corretas.
E)todas são erradas.

Gabarito oficial ITA 2015

C
Resolução — Método TEF

I — Falsa. O campo produzido por uma carga em movimento depende da posição instantânea da carga, do ângulo formado com sua velocidade e da distância ao ponto observado; não basta a distância à reta da trajetória.

II — Falsa. A formulação atribui o movimento da limalha diretamente ao trabalho de um campo magnético. O trabalho mecânico está associado às forças que atuam sobre os dipolos induzidos em campo não uniforme; a afirmativa, tal como formulada, é considerada incorreta na abordagem da prova.

III — Verdadeira. Correntes paralelas com o mesmo sentido produzem atração mútua, de acordo com a lei de Ampère.

Somente III é correta.

Alternativa correta: C

Q06
Mecânica — Centro de massa — Corpos vazados e superposição

Uma chapa metálica homogênea quadrada de $100\ \text{cm}^2$ de área, situada no plano $xy$ de um sistema de referência, com um dos lados no eixo $x$, tem o vértice inferior esquerdo na origem. Dela, retira-se uma porção circular de $5{,}00\ \text{cm}$ de diâmetro com o centro posicionado em $x=2{,}50\ \text{cm}$ e $y=5{,}00\ \text{cm}$. Determine as coordenadas do centro de massa da chapa restante.

A)(x_c,y_c)=(6{,}51;5{,}00)\ \text{cm}
B)(x_c,y_c)=(5{,}61;5{,}00)\ \text{cm}
C)(x_c,y_c)=(5{,}00;5{,}61)\ \text{cm}
D)(x_c,y_c)=(5{,}00;6{,}51)\ \text{cm}
E)(x_c,y_c)=(5{,}00;5{,}00)\ \text{cm}

Gabarito oficial ITA 2015

B
Resolução — Método TEF

Estratégia. A placa vazada é equivalente a um quadrado de massa positiva somado a um disco de massa negativa, ambos com a mesma densidade superficial.

O quadrado tem lado $10\ \text{cm}$, área $100\ \text{cm}^2$ e centro em $(5;5)$. O disco removido tem raio $2{,}5\ \text{cm}$, área $A_d=6{,}25\pi\ \text{cm}^2$ e centro em $(2{,}5;5)$.

Logo, \[x_c=\frac{100\cdot5-6{,}25\pi\cdot2{,}5}{100-6{,}25\pi}\approx5{,}61\ \text{cm},\] e $y_c=5{,}00\ \text{cm}$ por simetria.

Checagem. O centro desloca-se para a direita, afastando-se do material retirado à esquerda.

Alternativa correta: B

Q07
Física moderna — Fótons — Pressão de radiação e calorimetria

No espaço sideral, luz incide perpendicular e uniformemente numa placa de gelo inicialmente a $-10\ ^\circ\text{C}$ e em repouso, sendo $99\%$ refletida e $1\%$ absorvida. O gelo então derrete pelo aquecimento, permanecendo a água aderida à placa. Determine a velocidade desta após a fusão de $10\%$ do gelo.

A)3\ \text{mm/s}
B)3\ \text{cm/s}
C)3\ \text{dm/s}
D)3\ \text{m/s}
E)3\ \text{dam/s}

Gabarito oficial ITA 2015

B
Resolução — Método TEF

A energia térmica necessária para levar uma unidade de massa de gelo de $-10^\circ\text{C}$ a $0^\circ\text{C}$ e fundir $10\%$ dela é \[\frac{Q}{m}=c\Delta T+0{,}10L_f=0{,}5\cdot10+0{,}10\cdot80=13\ \text{cal/g}.\] Com $1\ \text{cal}=4\ \text{J}$, resulta $Q/m=5{,}2\times10^4\ \text{J/kg}$.

Apenas $1\%$ da luz incidente é absorvida: $E_{\mathrm{inc}}=100Q$. A parcela refletida transfere o dobro do momento dos fótons; a absorvida, o momento simples. Logo \[\Delta p=\frac{(2\cdot0{,}99+0{,}01)E_{\mathrm{inc}}}{c}=\frac{1{,}99\cdot100Q}{c}.\]

Como água e gelo permanecem juntos, \[v=\frac{\Delta p}{m}\approx\frac{199\cdot5{,}2\times10^4}{3\times10^8}\approx3{,}45\times10^{-2}\ \text{m/s}.\]

Portanto, aproximadamente $3\ \text{cm/s}$.

Cuidado, armadilha! O aquecimento vem de apenas $1\%$ da luz; já o impulso da radiação é dominado pelos $99\%$ refletidos.

Alternativa correta: B

Q08
Mecânica — Estática — Tombamento e torques

Um bloco cônico de massa $M$ apoiado pela base numa superfície horizontal tem altura $h$ e raio da base $R$. Havendo atrito suficiente na superfície da base de apoio, o cone pode ser tombado por uma força horizontal aplicada no vértice. O valor mínimo $F$ dessa força pode ser obtido pela razão $h/R$ dada pela opção

A)$\dfrac{Mg}{F}$
B)$\dfrac{F}{Mg}$
C)$\dfrac{Mg+F}{Mg}$
D)$\dfrac{Mg+F}{F}$
E)$\dfrac{Mg+F}{2Mg}$

Gabarito oficial ITA 2015

A
Resolução — Método TEF

Na iminência do tombamento, a normal do apoio concentra-se na borda da base. Tomamos momentos em torno desse ponto: a força horizontal aplicada no vértice tem braço $h$; o peso, cujo eixo de ação passa pelo centro geométrico, tem braço $R$.

O equilíbrio limite é \[Fh=MgR\quad\Longrightarrow\quad\frac hR=\frac{Mg}{F}.\]

A presença de atrito suficiente evita o deslizamento antes do tombamento.

Alternativa correta: A

Q09
Óptica — Interferência — Interferência em cunha de vidro

Luz, que pode ser decomposta em componentes de comprimento de onda com $480\ \text{nm}$ e $600\ \text{nm}$, incide verticalmente em uma cunha de vidro com ângulo de abertura $\alpha=3{,}00^\circ$ e índice de refração de $1{,}50$, conforme a figura, formando linhas de interferência destrutivas. Qual é a distância entre essas linhas?

Diagrama original do ITA 2015, questão 09
A)11{,}5\ \mu\text{m}
B)12{,}8\ \mu\text{m}
C)16{,}0\ \mu\text{m}
D)22{,}9\ \mu\text{m}
E)32{,}0\ \mu\text{m}

Gabarito oficial ITA 2015

C
Resolução — Método TEF

Em uma cunha delgada, a espessura cresce aproximadamente como $e=x\tan\alpha$. Em reflexão, duas franjas destrutivas consecutivas de uma mesma cor estão separadas por um acréscimo de espessura $\Delta e=\lambda/(2n)$, de modo que \[\Delta x_\lambda=\frac{\lambda}{2n\tan\alpha}.\]

Para $480\ \text{nm}$, $\Delta x_1\approx3{,}05\ \mu\text{m}$; para $600\ \text{nm}$, $\Delta x_2\approx3{,}82\ \mu\text{m}$. Como $5\lambda_1=4\lambda_2$, as coincidências relevantes repetem-se após $5\Delta x_1=4\Delta x_2$.

Assim, \[\Delta x\approx\frac{5\cdot480\times10^{-9}}{2\cdot1{,}50\tan3^\circ}\approx15{,}3\ \mu\text{m}.\]

O valor mais próximo é $16{,}0\ \mu\text{m}$.

Alternativa correta: C

Q10
Mecânica — Hidrostática — Fluido em referencial acelerado

Um tubo em forma de U de seção transversal uniforme, parcialmente cheio até uma altura $h$ com um determinado líquido, é posto num veículo que viaja com aceleração horizontal, o que resulta numa diferença de altura $z$ do líquido entre os braços do tubo interdistantes de um comprimento $L$. Sendo desprezível o diâmetro do tubo em relação a $L$, a aceleração do veículo é dada por

A)$\dfrac{2zg}{L}$
B)$\dfrac{(h-z)g}{L}$
C)$\dfrac{(h+z)g}{L}$
D)$\dfrac{2gh}{L}$
E)$\dfrac{zg}{L}$

Gabarito oficial ITA 2015

E
Resolução — Método TEF

No referencial acelerado com o veículo, o líquido está em equilíbrio sob a gravidade $\vec g$ e uma aceleração fictícia horizontal $-\vec a$. As superfícies de igual pressão satisfazem \[\frac{\Delta h}{\Delta x}=\frac ag.\]

Como a diferença de níveis é $z$ e a distância horizontal entre os braços é $L$, \[a=\frac{zg}{L}.\]

Checagem. Para aceleração horizontal nula, não há desnível.

Alternativa correta: E

Q11
Mecânica — Elasticidade — Módulo de Young e polia

A figura mostra um dispositivo para medir o módulo de elasticidade (módulo de Young) de um fio metálico. Ele é definido como a razão entre o força por unidade de área da seção transversal do fio necessária para esticá-lo e o resultante alongamento deste por unidade de seu comprimento. Neste particular experimento, um fio homogêneo de $1{,}0\ \text{m}$ de comprimento e $0{,}2\ \text{mm}$ de diâmetro, fixado numa extremidade, é disposto horizontalmente e preso pela outra ponta ao topo de uma polia de raio $r$. Um outro fio preso neste mesmo ponto, envolvendo parte da polia, sustenta uma massa de $1\ \text{kg}$. Solidário ao eixo da polia, um ponteiro de raio $R=10r$ acusa uma leitura de $10\ \text{mm}$ na escala semicircular iniciada em zero. Nestas condições, o módulo de elasticidade do fio é de

Diagrama original do ITA 2015, questão 11
A)$\dfrac{10^{12}}{\pi}\ \text{N/m}^2$
B)$\dfrac{10^{12}}{2\pi}\ \text{N/m}^2$
C)$\dfrac{10^{12}}{3\pi}\ \text{N/m}^2$
D)$\dfrac{10^{12}}{4\pi}\ \text{N/m}^2$
E)$\dfrac{10^{12}}{8\pi}\ \text{N/m}^2$

Gabarito oficial ITA 2015

A
Resolução — Método TEF

O ponteiro e a polia giram pelo mesmo ângulo. Como $R=10r$, uma leitura de arco de $10\ \text{mm}$ na escala do ponteiro corresponde ao alongamento do fio \[\Delta\ell=10\ \text{mm}\cdot\frac rR=1{,}0\ \text{mm}=10^{-3}\ \text{m}.\]

A tração no fio é igual a $mg=10\ \text{N}$ pelo equilíbrio de torques da polia. A área da seção do fio é \[A=\pi\left(10^{-4}\ \text{m}\right)^2=\pi\times10^{-8}\ \text{m}^2.\]

O módulo de Young é \[Y=\frac{F/A}{\Delta\ell/\ell}=\frac{10/(\pi\times10^{-8})}{10^{-3}/1}=\frac{10^{12}}\pi\ \text{N/m}^2.\]

Alternativa correta: A

Q12
Mecânica — Gravitação — Simetria dos campos gravitacionais

Assinale a alternativa incorreta dentre as seguintes proposições a respeito de campos gravitacionais de corpos homogêneos de diferentes formatos geométricos:

A)Num cubo, a linha de ação do campo gravitacional num dos vértices tem a direção da diagonal principal que parte desse vértice.
B)Numa chapa quadrada de lado $\ell$ e vazada no centro por um orifício circular de raio $a<\ell/2$, em qualquer ponto dos seus eixos de simetria a linha de ação do campo gravitacional é normal ao plano da chapa.
C)Num corpo hemisférico, há pontos em que as linhas de ação do campo gravitacional passam pelo centro da sua base circular e outros pontos em que isto não acontece.
D)Num toro, há pontos em que o campo gravitacional é não nulo e normal à sua superfície.
E)Num tetraedro regular, a linha de ação do campo gravitacional em qualquer vértice é normal à face oposta ao mesmo.

Gabarito oficial ITA 2015

B
Resolução — Método TEF

A questão pede a afirmação incorreta. Em um cubo homogêneo, a simetria fixa a direção do campo num vértice ao longo da diagonal principal. Para um tetraedro regular ocorre argumento análogo, perpendicular à face oposta.

A afirmação B, contudo, diz que em qualquer ponto dos eixos de simetria da chapa o campo seria normal ao plano. Se o ponto pertence a um eixo de simetria contido no plano, as componentes perpendiculares dos elementos da chapa se anulam e o campo pode apresentar componente no próprio plano. Portanto, não é necessariamente normal à chapa.

O erro é confundir simetria em relação a um eixo geométrico com perpendicularidade da força ao plano.

Alternativa correta: B

Q13
Mecânica — Dinâmica — Equilíbrio em referencial girante com molas

Na figura, o eixo vertical giratório $z$ acima de $O$ imprime uma velocidade angular $\omega=10\ \text{rad/s}$ ao sistema composto por quatro barras iguais, de comprimento $L=1\ \text{m}$ e massa desprezível, graças a uma dupla articulação na posição fixa $X$. Por sua vez, as barras de baixo são articuladas na massa $M$ de $2\ \text{kg}$ que, através de um furo central, pode deslizar sem atrito ao longo do eixo e esticar uma mola de constante elástica $k=100\ \text{N/m}$, a partir da posição $O$ da extremidade superior da mola em repouso, a dois metros abaixo de $X$. O sistema completa-se com duas massas iguais de $m=1\ \text{kg}$ cada uma, articuladas às barras. Sendo desprezíveis as dimensões das massas, então, a mola distender-se-á de uma altura

Diagrama original do ITA 2015, questão 13
A)0{,}2\ \text{m}
B)0{,}5\ \text{m}
C)0{,}6\ \text{m}
D)0{,}7\ \text{m}
E)0{,}9\ \text{m}

Gabarito oficial ITA 2015

B
Resolução — Método TEF

Escolha como coordenada a extensão $z$ da mola, positiva para cima a partir de $O$. As articulações mantêm as duas massas laterais à mesma altura, e cada barra tem comprimento $L$.

Da geometria, a distância entre a articulação superior e a inferior é $2L-z$, então a altura do plano das massas laterais aumenta em $z/2$. O raio de rotação $\rho$ obedece \[\rho^2=L^2-(L-z/2)^2=Lz-\frac{z^2}{4}.\]

No referencial girante, escrevemos a energia potencial efetiva \[U_{\mathrm{ef}}=\frac12kz^2+(M+m)gz-m\omega^2\rho^2.\] Como essa expressão é quadrática em $z$, o equilíbrio estável ocorre em seu vértice. Completando o quadrado, obtemos a condição \[kz+(M+m)g-m\omega^2(L-z/2)=0.\]

Assim, \[z=\frac{m\omega^2L-(M+m)g}{k+m\omega^2/2}=\frac{100-30}{100+50}=0{,}467\ \text{m}.\]

A alternativa mais próxima é $0{,}5\ \text{m}$.

Alternativa correta: B

Q14
Física moderna — Física nuclear — Radioatividade e efeito fotoelétrico

Considere as quatro proposições seguintes:

I. Os isótopos $^{16}\text{O}$ e $^{18}\text{O}$ do oxigênio diferenciam-se por dois nêutrons.

II. Sendo de $24000$ anos a meia-vida do $^{239}\text{Pu}$, sua massa de $600\ \text{g}$ reduzir-se-á a $200\ \text{g}$ após $72000$ anos.

III. Um núcleo de $^{27}\text{Mg}$ se transmuta em $^{28}\text{Al}$ pela emissão de uma partícula $\beta$.

IV. Um fóton de luz vermelha incide sobre uma placa metálica causando a emissão de um elétron. Se esse fóton fosse de luz azul, provavelmente ocorreria a emissão de dois ou mais elétrons.

Então,

A)apenas uma das proposições é correta.
B)apenas duas das proposições são corretas.
C)apenas três das proposições são corretas.
D)todas elas são corretas.
E)nenhuma delas é correta.

Gabarito oficial ITA 2015

A
Resolução — Método TEF

I — Verdadeira. Isótopos têm o mesmo número de prótons; a variação de número de massa de 16 para 18 corresponde a dois nêutrons adicionais.

II — Falsa. Em três meias-vidas, de $72000\ \text{anos}$, $600\ \text{g}$ diminuem para $600/8=75\ \text{g}$, não $200\ \text{g}$.

III — Falsa. A emissão beta altera o número atômico, mas não aumenta o número de massa de 27 para 28.

IV — Falsa. Um fóton pode transferir energia para um elétron no efeito fotoelétrico; aumentar sua frequência aumenta a energia disponível, não implica liberação de dois ou mais elétrons.

Apenas I é correta.

Alternativa correta: A

Q15
Ondas — Movimento harmônico simples — Gráficos de posição, velocidade e aceleração

Na figura, as linhas cheia, tracejada e pontilhada representam a posição, a velocidade e a aceleração de uma partícula em um movimento harmônico simples. Com base nessas curvas assinale a opção correta dentre as seguintes proposições:

I. As linhas cheia e tracejada representam, respectivamente, a posição e a aceleração da partícula.

II. As linhas cheia e pontilhada representam, respectivamente, a posição e a velocidade da partícula.

III. A linha cheia necessariamente representa a velocidade da partícula.

Diagrama original do ITA 2015, questão 15
A)Apenas I é correta.
B)Apenas II é correta.
C)Apenas III é correta.
D)Todas são incorretas.
E)Não há informações suficientes para análise.

Gabarito oficial ITA 2015

D
Resolução — Método TEF

No movimento harmônico simples, a aceleração é proporcional ao oposto da posição: \[a=-\omega^2x.\] Portanto, os gráficos de $x$ e $a$ têm zeros simultâneos e sinais opostos.

Além disso, a velocidade é defasada de um quarto de período: seus máximos ocorrem quando $x=0$, e sua derivada determina a inclinação da posição.

Observando a figura, nenhuma das identificações propostas em I, II ou III respeita simultaneamente essas relações. A curva cheia não pode ser identificada como velocidade apenas pelo aspecto do gráfico.

Conclusão: todas as proposições são incorretas.

Alternativa correta: D

Q16
Termologia — Termodinâmica — Trabalho em transformação adiabática

Numa expansão muito lenta, o trabalho efetuado por um gás num processo adiabático é

\[W_{12}=\frac{P_1V_1^\gamma}{1-\gamma}\left(V_2^{1-\gamma}-V_1^{1-\gamma}\right),\]

em que $P$, $V$, $T$ são, respectivamente, a pressão, o volume e a temperatura do gás, e $\gamma$ uma constante, sendo os subscritos $1$ e $2$ representativos, respectivamente, do estado inicial e final do sistema. Lembrando que $PV^\gamma$ é constante no processo adiabático, esta fórmula pode ser reescrita deste modo:

A)$\dfrac{P_1\left[V_1-V_2\left(\frac{T_2}{T_1}\right)^{\gamma/(\gamma-1)}\right]}{\frac{\ln(T_2/T_1)}{\ln(V_1/V_2)}}$
B)$\dfrac{P_2\left[V_1-V_2\left(\frac{T_2}{T_1}\right)^{\gamma/(\gamma-1)}\right]}{\frac{\ln(T_2/T_1)}{\ln(V_2/V_1)}}$
C)$\dfrac{P_2\left[V_1-V_2\left(\frac{T_2}{T_1}\right)^{\gamma/(\gamma-1)}\right]}{\frac{\ln(T_2/T_1)}{\ln(V_1/V_2)}}$
D)$\dfrac{P_1\left[V_1-V_2\left(\frac{T_2}{T_1}\right)^{\gamma/(\gamma-1)}\right]}{\frac{\ln(T_2/T_1)}{\ln(V_2/V_1)}}$
E)$\dfrac{P_2\left[V_1-V_2\left(\frac{T_2}{T_1}\right)^{\gamma/(\gamma-1)}\right]}{\frac{\ln(T_1/T_2)}{\ln(V_2/V_1)}}$

Gabarito oficial ITA 2015

A
Resolução — Método TEF

Em um processo adiabático quase-estático, a quantidade $PV^\gamma$ é constante. Com o gás ideal, também vale \[TV^{\gamma-1}=\text{constante}\quad\Rightarrow\quad\frac{T_2}{T_1}=\left(\frac{V_1}{V_2}\right)^{\gamma-1}.\]

Tomando logaritmos: \[\gamma-1=\frac{\ln(T_2/T_1)}{\ln(V_1/V_2)}.\] A expressão inicial do trabalho pode ser reorganizada como \[W_{12}=\frac{P_1V_1-P_2V_2}{\gamma-1}.\]

Da relação entre pressão e temperatura, \[P_2V_2=P_1V_2\left(\frac{T_2}{T_1}\right)^{\gamma/(\gamma-1)}.\] Logo, \[W_{12}=\frac{P_1\left[V_1-V_2(T_2/T_1)^{\gamma/(\gamma-1)}\right]}{\ln(T_2/T_1)/\ln(V_1/V_2)}.\]

Esta é a expressão da alternativa A.

Alternativa correta: A

Q17
Eletricidade — Eletrostática — Energia potencial de múltiplas cargas

Assinale a alternativa que expressa o trabalho necessário para colocar cada uma de quatro cargas elétricas iguais, $q$, nos vértices de um retângulo de altura $a$ e base $2a\sqrt2$, sendo $k=1/(4\pi\varepsilon_0)$, em que $\varepsilon_0$ é a permissividade elétrica do vácuo.

A)$\dfrac{k(4+\sqrt2)q^2}{2a}$
B)$\dfrac{k(8+2\sqrt2)q^2}{2a}$
C)$\dfrac{k(16+3\sqrt2)q^2}{6a}$
D)$\dfrac{k(20+3\sqrt2)q^2}{6a}$
E)$\dfrac{k(12+3\sqrt2)q^2}{2a}$

Gabarito oficial ITA 2015

C
Resolução comentada

O trabalho externo para montar as cargas a partir do infinito, sem variação final de energia cinética, corresponde à energia potencial eletrostática. Cada par deve ser contado uma única vez.

\[U=kq^2\sum_{i\lt j}\frac1{r_{ij}}\]

Com quatro cargas, há seis pares. Dois estão separados por a, dois por 2a√2 e dois pelas diagonais do retângulo.

\[d=\sqrt{a^2+(2a\sqrt2)^2}\]
\[d=3a\]

Some as seis interações.

\[U=kq^2\left(\frac2a+\frac2{2a\sqrt2}+\frac2{3a}\right)\]
\[U=\frac{kq^2}{a}\left(\frac83+\frac1{\sqrt2}\right)\]

Expresse o resultado no denominador comum da alternativa.

\[\boxed{U=\frac{k(16+3\sqrt2)q^2}{6a}}\]

Alternativa correta: C

Q18
Magnetismo — Indução eletromagnética — Espira rígida em campo não uniforme

Uma espira quadrada, feita de um material metálico homogêneo e rígido, tem resistência elétrica $R$ e é solta em uma região onde atuam o campo gravitacional $\vec g=-g\vec e_z$ e um campo magnético

\[\vec B=\frac{B_0}{L}\left(-x\vec e_x+z\vec e_z\right).\]

Inicialmente a espira encontra-se suspensa, conforme a figura, com sua aresta inferior no plano $xy$ num ângulo $\alpha$ com o eixo $y$, e o seu plano formando um ângulo $\beta$ com $z$. Ao ser solta, a espira tende a

Diagrama original do ITA 2015, questão 18
A)$\text{girar para }\alpha>0^\circ\text{ se }\alpha=0^\circ\text{ e }\beta=0^\circ$
B)\text{girar para }\alpha<45^\circ\text{ se }\alpha=45^\circ\text{ e }\beta=0^\circ
C)\text{girar para }\beta<90^\circ\text{ se }\alpha=0^\circ\text{ e }\beta=90^\circ
D)$\text{girar para }\alpha>0^\circ\text{ se }\alpha=0^\circ\text{ e }\beta=45^\circ$
E)$\text{não girar se }\alpha=45^\circ\text{ e }\beta=90^\circ$

Gabarito oficial ITA 2015

C
Resolução — Método TEF

A espira é abandonada e passa a cair na direção $-z$. O campo possui uma parte horizontal proporcional a $-x$ e uma vertical proporcional a $z$. A corrente induzida depende de como o fluxo magnético através da espira varia durante a queda.

Para $\alpha=0$ e $\beta=90^\circ$, a espira está inicialmente horizontal. Ao descer, o fluxo da componente $B_z$ diminui; pela lei de Lenz, surge corrente que se opõe a essa diminuição. As forças magnéticas nos trechos da espira, considerando também a componente $B_x$, formam um binário que altera sua inclinação.

O torque inicial faz $\beta$ diminuir, tornando correta a alternativa C. As alternativas que anunciam mudança inicial em $\alpha$ para configurações simétricas ignoram o plano do binário magnético.

Cuidado, armadilha! A queda num campo não uniforme não garante, por si só, rotação: é necessário combinar variação de fluxo, sentido da corrente e torque magnético resultante.

Alternativa correta: C

Q19
Física moderna — Relatividade especial — Dilatação temporal e decaimento de múons

Um múon de meia-vida de $1{,}5\ \mu\text{s}$ é criado a uma altura de $1\ \text{km}$ da superfície da Terra devido à colisão de um raio cósmico com um núcleo e se desloca diretamente para o chão. Qual deve ser a magnitude mínima da velocidade do múon para que ele tenha $50\%$ de probabilidade de chegar ao chão?

A)6{,}7\times10^7\ \text{m/s}
B)1{,}2\times10^8\ \text{m/s}
C)1{,}8\times10^8\ \text{m/s}
D)2{,}0\times10^8\ \text{m/s}
E)2{,}7\times10^8\ \text{m/s}

Gabarito oficial ITA 2015

E
Resolução — Método TEF

A meia-vida $\tau_{1/2}=1{,}5\ \mu\text{s}$ é medida no referencial próprio do múon. Para que a probabilidade de sobrevivência seja de $50\%$, o tempo próprio transcorrido até atingir o solo deve ser igual a uma meia-vida.

No referencial da Terra, $t=h/v$. Pela dilatação temporal, o tempo próprio é $t/\gamma$. Portanto, \[\frac{h}{\gamma v}=\tau_{1/2},\qquad \gamma=\frac1{\sqrt{1-v^2/c^2}}.\]

Escrevendo $\beta=v/c$ e usando $h=1000\ \text{m}$: \[\frac{\beta}{\sqrt{1-\beta^2}}=\frac{h}{c\tau_{1/2}}=\frac{1000}{450}=2{,}22.\] Daí, $\beta\approx0{,}912$ e \[v\approx2{,}74\times10^8\ \text{m/s}.\]

O valor da lista mais próximo é $2{,}7\times10^8\ \text{m/s}$.

Alternativa correta: E

Q20
Óptica — Interferência — Interferometria com meio em movimento

Luz de uma fonte de frequência $f$ gerada no ponto $P$ é conduzida através do sistema mostrado na figura. Se o tubo superior transporta um líquido com índice de refração $n$ movendo-se com velocidade $u$, e o tubo inferior contém o mesmo líquido em repouso, qual o valor mínimo de $u$ para causar uma interferência destrutiva no ponto $P'$?

Diagrama original do ITA 2015, questão 20
A)$\dfrac{c^2}{2nLf}$
B)$\dfrac{c^2}{2Lfn^2-cn}$
C)$\dfrac{c^2}{2Lfn^2+cn}$
D)$\dfrac{c^2}{2Lf(n^2-1)-cn}$
E)$\dfrac{c^2}{2Lf(n^2-1)+cn}$

Gabarito oficial ITA 2015

D
Resolução — Método TEF

O dispositivo compara a fase óptica de dois percursos de mesmo comprimento geométrico $L$. Um deles contém líquido em repouso; no outro, o líquido escoa com velocidade $u$, modificando o tempo de trânsito luminoso.

Considerando a velocidade de fase relativística no meio em movimento, \[v_{\mathrm{mov}}=\frac{c/n+u}{1+u/(nc)},\qquad v_0=\frac cn.\] Assim, a diferença entre os tempos de trânsito é \[\Delta t=L\left(\frac1{v_0}-\frac1{v_{\mathrm{mov}}}\right)=\frac{Lu(n^2-1)}{c(c+nu)}.\]

Para a primeira interferência destrutiva, a diferença de fase corresponde a meio período: $f\Delta t=1/2$. Portanto, \[\frac{2fLu(n^2-1)}{c(c+nu)}=1\quad\Rightarrow\quad u=\frac{c^2}{2Lf(n^2-1)-cn}.\]

Checagem. O resultado requer denominador positivo e está associado à menor diferença de fase ímpar de $\pi$.

Alternativa correta: D

Q21
Mecânica — Estática — Equilíbrio de corpos rígidos

A figura mostra um tubo cilíndrico de raio $R$ apoiado numa superfície horizontal, em cujo interior encontram-se em repouso duas bolas idênticas, de raio $r=3R/4$ e peso $P$ cada uma. Determine o peso mínimo $P_c$ do cilindro para que o sistema permaneça em equilíbrio.

Diagrama original do ITA 2015, questão 21

Resposta discursiva — síntese TEF

$P_c=\dfrac P2$
Resolução — Método TEF

Os centros das esferas distam $2r=3R/2$ e têm separação horizontal $2(R-r)=R/2$. Portanto, o desnível entre centros é \[h=\sqrt{(3R/2)^2-(R/2)^2}=\sqrt2R.\]

Para a esfera de cima, o equilíbrio fornece força horizontal de contato com o cilindro $F_h$, relacionada ao peso pela inclinação da reta dos centros: \[\frac P{F_h}=\frac{h}{R/2}=2\sqrt2\quad\Rightarrow\quad F_h=\frac P{2\sqrt2}.\]

No limiar do tombamento do cilindro, o momento desestabilizador dessa força em relação à borda de apoio é $F_hh$, equilibrado pelo peso $P_c$ com braço $R$:

\[P_cR=\frac P{2\sqrt2}\,\sqrt2R\quad\Rightarrow\quad P_c=\frac P2.\]

Resposta: $P_c=\dfrac P2$

Q22
Mecânica — Gravitação — Transferência orbital de Hohmann

Uma nave espacial segue inicialmente uma trajetória circular de raio $r_A$ em torno da Terra. Para que a nave percorra uma nova órbita também circular, de raio $r_B>r_A$, é necessário por razões de economia fazer com que ela percorra antes uma trajetória semielíptica, denominada órbita de transferência de Hohmann, mostrada na figura. Para tanto, são fornecidos à nave dois impulsos, a saber: no ponto $A$, ao iniciar sua órbita de transferência, e no ponto $B$, ao iniciar sua outra órbita circular. Sendo $M$ a massa da Terra; $G$, a constante da gravitação universal; $m$ e $v$, respectivamente, a massa e a velocidade da nave; e constante a grandeza $mrv$ na órbita elíptica, pede-se a energia necessária para a transferência de órbita da nave no ponto $B$.

Diagrama original do ITA 2015, questão 22

Resposta discursiva — síntese TEF

$\Delta E_B=\dfrac{GMm(r_B-r_A)}{2r_B(r_A+r_B)}$
Resolução — Método TEF

Na órbita circular de raio $r_B$, a energia mecânica da nave é \[E_B=-\frac{GMm}{2r_B}.\]

A órbita de transferência é uma elipse com periastro $r_A$, apoastro $r_B$ e semieixo maior $a=(r_A+r_B)/2$. Sua energia mecânica é constante e vale \[E_{\mathrm{tr}}=-\frac{GMm}{2a}=-\frac{GMm}{r_A+r_B}.\]

O impulso no ponto $B$ circulariza a órbita, e a energia fornecida nesse instante é a diferença entre as duas energias mecânicas: \[\Delta E_B=E_B-E_{\mathrm{tr}}=\frac{GMm}{r_A+r_B}-\frac{GMm}{2r_B}.\]

Logo, \[\Delta E_B=\frac{GMm(r_B-r_A)}{2r_B(r_A+r_B)}.\] Como $r_B>r_A$, o incremento é positivo.

Resposta: $\Delta E_B=\dfrac{GMm(r_B-r_A)}{2r_B(r_A+r_B)}$

Q23
Mecânica — Hidrodinâmica — Empuxo e aceleração de bolhas

Num copo de guaraná, observa-se a formação de bolhas de $\text{CO}_2$ que sobem à superfície. Desenvolva um modelo físico simples para descrever este movimento e, com base em grandezas intervenientes, estime numericamente o valor da aceleração inicial de uma bolha formada no fundo do copo.

Resposta discursiva — síntese TEF

$a_0\approx 2g\ \text{(com massa adicionada)}$
Resolução — Método TEF

Modelo. Considere uma bolha aproximadamente esférica de volume $V$, densidade gasosa $\rho_g$, imersa em líquido de densidade $\rho_l$. Logo após desprender-se do fundo, desprezamos provisoriamente o arrasto e admitimos que a bolha mantém aproximadamente seu volume.

A força vertical resultante, para cima, é o empuxo menos o peso do gás: \[F=(\rho_l-\rho_g)Vg.\] Se somente a massa do gás for acelerada, $m_g=\rho_gV$, então \[a_0=g\left(\frac{\rho_l}{\rho_g}-1\right).\]

Usando gás ideal para $\text{CO}_2$ próximo de $300\ \text{K}$ e $P\approx10^5\ \text{Pa}$, \[\rho_g=\frac{PM}{RT}\approx\frac{10^5\cdot0{,}044}{8\cdot300}\approx1{,}8\ \text{kg/m}^3.\] Com $\rho_l\approx1000\ \text{kg/m}^3$, obtemos $a_0\approx5{,}5\times10^3\ \text{m/s}^2$ no modelo sem arrasto nem massa adicionada.

Na água real, a massa de líquido acelerada ao redor da bolha e o arrasto reduzem muito essa aceleração. Se incluirmos a massa adicionada $m_a\approx\frac12\rho_lV$ de uma esfera, a estimativa inicial passa a ser \[a_0\approx\frac{(\rho_l-\rho_g)g}{\rho_g+\rho_l/2}\approx2g\approx20\ \text{m/s}^2.\]

O problema admite modelos diferentes; as hipóteses devem acompanhar a estimativa numérica.

Resposta: $a_0\approx 2g\ \text{(com massa adicionada)}$

Q24
Eletricidade — Eletrostática — Forças em arranjo hexagonal

Uma carga $q$ ocupa o centro de um hexágono regular de lado $d$ tendo em cada vértice uma carga idêntica $q$. Estando todas as sete cargas interligadas por fios inextensíveis, determine as tensões em cada um deles.

Resposta discursiva — síntese TEF

$T=\left(\dfrac94+\dfrac1{\sqrt3}\right)\dfrac{kq^2}{d^2}\ \text{(fios radiais)}$
Resolução — Método TEF

Por simetria, a força elétrica resultante sobre a carga central é nula. Sobre qualquer carga de vértice, as seis demais produzem uma resultante radial para fora.

Denote $F_0=kq^2/d^2$. A carga central contribui $F_0$; as duas vizinhas, juntas, contribuem $F_0$ na direção radial; as duas cargas separadas por $\sqrt3d$ contribuem $F_0/\sqrt3$; e a carga oposta, à distância $2d$, contribui $F_0/4$.

Assim, \[F_{\mathrm{el}}=\left(\frac94+\frac1{\sqrt3}\right)\frac{kq^2}{d^2}.\]

Se os seis fios são raios unindo cada vértice à carga central, todos têm a mesma tensão, dada por \[T=\left(\frac94+\frac1{\sqrt3}\right)\frac{kq^2}{d^2}.\]

Se houver também fios nos lados do hexágono, a configuração precisa ser explicitada: para a tensão radial $T_r$ e a tensão em cada lado $T_l$, o equilíbrio dá $T_r+T_l=F_{\mathrm{el}}$. Sem especificar quais conexões existem, não há uma distribuição única de tensões entre diferentes malhas.

Cuidado, armadilha! O enunciado não desenha a rede de fios. A resposta acima explicita a hipótese de seis fios radiais, necessária para determinar uma tensão única.

Resposta: $T=\left(\dfrac94+\dfrac1{\sqrt3}\right)\dfrac{kq^2}{d^2}\ \text{(fios radiais)}$

Q25
Mecânica — Colisões — Colisão elástica e moderação de nêutrons

Nêutrons podem atravessar uma fina camada de chumbo, mas têm sua energia cinética absorvida com alta eficiência na água ou em materiais com elevada concentração de hidrogênio. Explique este efeito considerando um nêutron de massa $m$ e velocidade $v_0$ que efetua uma colisão elástica e central com um átomo qualquer de massa $M$ inicialmente em repouso.

Resposta discursiva — síntese TEF

$\dfrac{\Delta K}{K_0}=\dfrac{4mM}{(m+M)^2}$
Resolução — Método TEF

Na colisão elástica unidimensional entre o nêutron de massa $m$ e o núcleo inicialmente parado de massa $M$, conservam-se a quantidade de movimento e a energia cinética.

Os resultados são \[v_n'=\frac{m-M}{m+M}v_0,\qquad V_M'=\frac{2m}{m+M}v_0.\]

A fração da energia inicial transferida ao alvo é \[\frac{K_M'}{K_0}=\frac{\frac12M(V_M')^2}{\frac12mv_0^2}=\frac{4mM}{(m+M)^2}.\]

Se $M\approx m$, a fração se aproxima de $1$: o nêutron pode perder quase toda a energia em uma única colisão central. Quando $M\gg m$, a fração é pequena, da ordem de $4m/M$, e a perda por colisão é reduzida. Por isso o hidrogênio é eficiente como moderador de nêutrons.

Resposta: $\dfrac{\Delta K}{K_0}=\dfrac{4mM}{(m+M)^2}$

Q26
Óptica — Óptica geométrica — Refração e reflexão total em prisma

A base horizontal de um prisma de vidro encontra-se em contato com a superfície da água de um recipiente. A figura mostra a seção reta triangular deste prisma, com dois de seus ângulos, $\alpha$ e $\beta$. Um raio de luz propaga-se no ar paralelamente à superfície da água e perpendicular ao eixo do prisma, nele incidindo do lado do ângulo $\beta$, cujo valor é tal que o raio sofre reflexão total na interface da superfície vidro-água. Determine o ângulo $\alpha$ tal que o raio emerja horizontalmente do prisma. O índice de refração da água é $4/3$ e, o do vidro, $\sqrt{19}/3$.

Diagrama original do ITA 2015, questão 26

Resposta discursiva — síntese TEF

$\alpha=30^\circ\ \text{(incidência crítica)}$
Resolução — Método TEF

O índice do vidro é $n_v=\sqrt{19}/3$ e o da água é $n_a=4/3$. No limiar da reflexão interna total na base, pela lei de Snell, \[\sin i_c=\frac{n_a}{n_v}=\frac4{\sqrt{19}},\qquad\cos i_c=\frac{\sqrt3}{\sqrt{19}}.\]

Se $\varphi$ representa a inclinação do raio dentro do prisma em relação à horizontal, então $\varphi=90^\circ-i_c$. Consequentemente, \[\cos\varphi=\frac4{\sqrt{19}},\qquad\sin\varphi=\frac{\sqrt3}{\sqrt{19}}.\]

Na face de saída à direita, a incidência interna é $i=90^\circ-\alpha-\varphi$ e a refração no ar, para emergência horizontal, é $r=90^\circ-\alpha$. Pela lei de Snell: \[n_v\sin(90^\circ-\alpha-\varphi)=\sin(90^\circ-\alpha),\] ou seja, \[n_v(\cos\alpha\cos\varphi-\sin\alpha\sin\varphi)=\cos\alpha.\]

Reorganizando sem cálculo diferencial, \[\tan\alpha=\frac{n_v\cos\varphi-1}{n_v\sin\varphi}=\frac{4/3-1}{\sqrt3/3}=\frac1{\sqrt3}.\] Portanto, $\alpha=30^\circ$.

Cuidado, armadilha! O enunciado diz que ocorre reflexão total, mas não especifica que a incidência está exatamente no ângulo crítico. O resultado $30^\circ$ é determinado com essa hipótese adicional de incidência-limite, que foi explicitada.

Resposta: $\alpha=30^\circ\ \text{(incidência crítica)}$

Q27
Eletricidade — Eletrodinâmica — Associação em série e potência elétrica

Morando em quartos separados e visando economizar energia, dois estudantes combinam de interligar em série cada uma de suas lâmpadas de $100\ \text{W}$. Porém, verificando a redução da claridade em cada quarto, um estudante troca a sua lâmpada de $100\ \text{W}$ para uma de $200\ \text{W}$, enquanto o outro também troca a sua de $100\ \text{W}$ para uma de $50\ \text{W}$. Em termos de claridade, houve vantagem para algum deles? Por quê? Justifique quantitativamente.

Resposta discursiva — síntese TEF

$P_{200}=8\ \text{W};\quad P_{50}=32\ \text{W}$
Resolução — Método TEF

Adote a mesma tensão nominal U para as lâmpadas e aproxime suas resistências como constantes:

\[R=\frac{U^2}{P_{\mathrm{nom}}}\]

Antes da troca, as duas lâmpadas de 100 W são iguais. Ligadas em série à tensão U, cada uma recebe metade dessa tensão:

\[P_{\mathrm{inicial}}=\frac{(U/2)^2}{U^2/100}\]
\[P_{\mathrm{inicial}}=25\ \mathrm W\]

Depois da troca, calcule as resistências de cada lâmpada e sua soma:

\[R_{200}=\frac{U^2}{200}\]
\[R_{50}=\frac{U^2}{50}\]
\[R_{\mathrm{eq}}=\frac{U^2}{200}+\frac{U^2}{50}\]
\[R_{\mathrm{eq}}=\frac{U^2}{40}\]

A corrente é a mesma nas duas lâmpadas em série:

\[I=\frac{U}{R_{\mathrm{eq}}}\]
\[I=\frac{40}{U}\]

Calcule a potência efetivamente dissipada em cada uma:

\[P_{200}=I^2R_{200}\]
\[P_{200}=8\ \mathrm W\]
\[P_{50}=I^2R_{50}\]
\[P_{50}=32\ \mathrm W\]

No modelo de resistências constantes, o estudante que instalou a lâmpada nominal de 50 W aumenta a dissipação de 25 W para 32 W. O que instalou a de 200 W passa a dissipar apenas 8 W. A comparação de brilho é aproximada: lâmpadas reais variam sua resistência com a temperatura.

Resposta: $P_{200}=8\ \text{W};\quad P_{50}=32\ \text{W}$

Q28
Ondas — Oscilações — Oscilador com força unilateral

Uma massa $m$ suspensa por uma mola elástica hipotética, de constante de mola $k$ e comprimento $d$, descreve um movimento oscilatório de frequência angular $\omega=\sqrt{k/m}$ quando ela é deslocada para uma posição $z_0=2z_e$, abaixo de sua posição de equilíbrio em $z=z_e$, e solta em seguida. Considerando nula a força da mola para $z<0$, determine o período de oscilação da massa e os valores de $z$ entre os quais a mesma oscila.

Diagrama original do ITA 2015, questão 28

Resposta discursiva — síntese TEF

$T=\left(\dfrac{4\pi}3+2\sqrt3\right)\sqrt{\dfrac mk}$
Resolução — Método TEF

Meça z para baixo a partir do comprimento natural da mola. A posição de equilíbrio satisfaz:

\[kz_e=mg\]
\[z_e=\frac{mg}{k}\]

Na figura, z₀ indica o deslocamento abaixo da posição de equilíbrio, e não a coordenada absoluta. A posição de soltura e a amplitude elástica são:

\[z_{\max}=3z_e\]
\[A=2z_e\]
\[\omega=\sqrt{\frac km}\]

Enquanto a mola atua, use a energia do oscilador em torno do equilíbrio. Na primeira passagem por z igual a zero:

\[\frac12mv_B^2=\frac12k(2z_e)^2-\frac12kz_e^2\]
\[\frac12mv_B^2=\frac32kz_e^2\]
\[v_B=g\sqrt{\frac{3m}{k}}\]

Acima do comprimento natural, a mola não exerce força. O movimento é de queda livre até a massa parar e retornar:

\[z_{\min}=-\frac{v_B^2}{2g}\]
\[z_{\min}=-\frac{3mg}{2k}\]

No trecho elástico, a posição pode ser descrita pela fase do oscilador:

\[z=z_e+2z_e\cos\varphi\]

A passagem por z igual a zero ocorre com cosseno da fase igual a menos um meio. O percurso elástico de ida e volta tem variação de fase total de quatro pi sobre três:

\[\Delta\varphi=\frac{4\pi}{3}\]
\[T_{\mathrm{mola}}=\frac{4\pi}{3}\sqrt{\frac mk}\]

O trecho sem força elástica inclui a subida e a descida entre as duas passagens pelo comprimento natural:

\[T_{\mathrm{livre}}=\frac{2v_B}{g}\]
\[T_{\mathrm{livre}}=2\sqrt{\frac{3m}{k}}\]

Some os tempos dos dois regimes:

\[T=\left(\frac{4\pi}{3}+2\sqrt3\right)\sqrt{\frac mk}\]

Os extremos do movimento são:

\[-\frac{3mg}{2k}\leq z\leq\frac{3mg}{k}\]

A amplitude é medida a partir do equilíbrio; ela não deve ser confundida com a coordenada absoluta no instante de soltura.

Resposta: $T=\left(\dfrac{4\pi}3+2\sqrt3\right)\sqrt{\dfrac mk}$

Q29
Magnetismo — Força magnética — Trajetória de carga em regiões magnéticas

Um próton com uma velocidade $\vec v=0{,}80\times10^7\vec e_x\ \text{m/s}$ move-se ao longo do eixo $x$ de um referencial, entrando numa região em que atuam campos de indução magnéticos. Para $x$ de $0$ a $L$, em que $L=0{,}85\ \text{m}$, atua um campo de intensidade $B=50\ \text{mT}$ na direção negativa do eixo $z$. Para $x>L$, um outro campo de mesma intensidade atua na direção positiva do eixo $z$. Sendo a massa do próton de $1{,}7\times10^{-27}\ \text{kg}$ e sua carga elétrica de $1{,}6\times10^{-19}\ \text{C}$, descreva a trajetória do próton e determine os pontos onde ele cruza a reta $x=0{,}85\ \text{m}$ e a reta $y=0\ \text{m}$.

Diagrama original do ITA 2015, questão 29

Resposta discursiva — síntese TEF

$y_{x=L}\approx0{,}23\ \text{m},-2{,}71\ \text{m};\quad x_{y=0}\approx2{,}86\ \text{m}$
Resolução — Método TEF

A força magnética é perpendicular à velocidade, portanto o próton mantém o módulo de sua rapidez e percorre arcos de circunferência. O raio em ambos os campos é \[\rho=\frac{mv}{qB}=\frac{1{,}7\times10^{-27}\cdot0{,}80\times10^7}{1{,}6\times10^{-19}\cdot0{,}050}=1{,}7\ \text{m}.\]

No primeiro setor ($\vec B$ dirigido para $-z$), a força inicial aponta para $+y$ e o centro do arco está em $(0;\rho)$. Ao chegar a $x=L=\rho/2$, a altura é \[y_1=\rho-\sqrt{\rho^2-L^2}=\rho\left(1-\frac{\sqrt3}{2}\right)\approx0{,}23\ \text{m}.\]

No setor $x>L$, o campo inverte de sentido e a curvatura também. O novo centro do arco é \[(x_c,y_c)=\big(\rho,\rho(1-\sqrt3)\big)\approx(1{,}70;-1{,}24)\ \text{m}.\]

Sua circunferência é \[(x-1{,}70)^2+(y+1{,}24)^2=1{,}70^2.\] Os cruzamentos com a fronteira $x=0{,}85\ \text{m}$ têm ordenadas aproximadamente $0{,}23\ \text{m}$ e $-2{,}71\ \text{m}$. Ao impor $y=0$, a raiz pertencente ao arco $x>L$ é $x\approx2{,}86\ \text{m}$.

Resposta: a trajetória encadeia arcos de sentidos de curvatura opostos, cruzando $x=L$ nos pontos $(0{,}85;0{,}23)$ e $(0{,}85;-2{,}71)$, e o eixo $x$ em $(2{,}86;0)$, em metros.

Resposta: $y_{x=L}\approx0{,}23\ \text{m},-2{,}71\ \text{m};\quad x_{y=0}\approx2{,}86\ \text{m}$

Q30
Física moderna — Radiação Cherenkov — Cone de emissão e espelho esférico

Uma partícula eletricamente carregada move-se num meio de índice de refração $n$ com uma velocidade $v=\beta c$, em que $\beta>1$ e $c$ é a velocidade da luz. A cada instante, a posição da partícula se constitui no vértice de uma frente de onda cônica de luz por ela produzida que se propaga numa direção $\alpha$ em relação à da trajetória da partícula, incidindo em um espelho esférico de raio $R$, como mostra a figura. Após se refletirem no espelho, as ondas convergem para um mesmo anel no plano focal do espelho em $F$. Calcule o ângulo $\alpha$ e a velocidade $v$ da partícula em função de $c$, $r$, $R$ e $n$.

Diagrama original do ITA 2015, questão 30

Resposta discursiva — síntese TEF

$\alpha=\arctan(2r/R);\quad v=\dfrac{c\sqrt{R^2+4r^2}}{nR}$
Resolução — Método TEF

O espelho esférico côncavo tem distância focal paraxial $f=R/2$. Os raios que fazem ângulo $\alpha$ com o eixo convergem para um anel de raio $r$ no plano focal, de modo que \[\tan\alpha=\frac r{R/2}=\frac{2r}{R}.\] Assim, \[\alpha=\arctan\left(\frac{2r}{R}\right).\]

Na emissão Cherenkov, a frente de onda satisfaz \[\cos\alpha=\frac{c/n}{v}.\] Como $\cos\alpha=R/\sqrt{R^2+4r^2}$, resulta \[v=\frac{c}{n\cos\alpha}=\frac{c\sqrt{R^2+4r^2}}{nR}.\]

Nota sobre o enunciado. O PDF fornecido escreve $v=\beta c$ com $\beta>1$, incompatível com uma partícula material movendo-se mais rapidamente que $c$ no vácuo. A condição física usual do efeito Cherenkov é $c/n<v<c$ (ou $1/n<\beta<1$, com $\beta=v/c$). A relação geométrica acima preserva a solução e explicita essa ressalva.

Resposta: $\alpha=\arctan(2r/R);\quad v=\dfrac{c\sqrt{R^2+4r^2}}{nR}$

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