ITA 2019 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Tecnológico de Aeronáutica

Vestibular 2019 · 1ª fase (23/11/2018) · Física (Q01–Q12) · Gabarito oficial ITA conferido · Resoluções comentadas pelo Método TEF.

Q01
Óptica e Termologia — Luz solar e brisa marítima

Em férias no litoral, um estudante faz para um colega as seguintes observações:

I. A luz solar consiste de uma onda eletromagnética transversal, não polarizada e policromática.

II. A partir de um certo horário, toda a luz solar que incide sobre o mar sofre reflexão total.

III. A brisa marítima é decorrente da diferença entre o calor específico da areia e o da água do mar.

A respeito dessas observações, é correto afirmar que

A)todas são verdadeiras.
B)apenas I é falsa.
C)apenas II é falsa.
D)apenas III é falsa.
E)há mais de uma observação falsa.

Gabarito Oficial ITA

C
Resolução

I — Verdadeira. A luz do Sol se propaga como onda eletromagnética transversal. A radiação solar comum reúne diversas frequências e comprimentos de onda, portanto é policromática; a superposição proveniente de múltiplas emissões produz, aproximadamente, luz não polarizada.

II — Falsa. A reflexão total interna é possível quando a luz tenta passar de um meio de maior índice de refração para outro de menor índice, e somente para incidências superiores ao ângulo crítico. Os raios solares, entretanto, chegam do ar à água, isto é, do meio de menor índice para o de maior índice: não pode ocorrer reflexão total nessa passagem, independentemente da hora.

III — Verdadeira. Durante o dia, o solo arenoso aquece mais rapidamente que a água. O ar sobre o continente tende a subir e é substituído por ar marítimo mais frio, originando a brisa do mar para a terra. A diferença de capacidade térmica efetiva e de aquecimento dos dois ambientes é parte central da explicação.

Somente a proposição II é falsa.

Cuidado, armadilha! Não confunda reflexão intensa na superfície com reflexão total interna. A direção ar → água impede essa modalidade de reflexão.

Alternativa correta: C

Q02
Mecânica — Movimento circular — Cordas e mola

Considere duas partículas de massa $m$, cada qual presa numa das pontas de uma corda, de comprimento $l$ e massa desprezível, que atravessa um orifício de uma mesa horizontal lisa. Conforme mostra a figura, a partícula sobre a mesa descreve um movimento circular uniforme de raio $r$ e velocidade angular $\omega_1$. A partícula suspensa também descreve esse mesmo tipo de movimento, mas com velocidade angular $\omega_2$, estando presa a uma mola de constante elástica $k$ e comprimento natural desprezível, mantida na horizontal. Sendo $g$ o módulo da aceleração da gravidade e $\theta$ o ângulo do trecho suspenso da corda com a vertical, a razão $(\omega_2/\omega_1)^2$ é dada por

Duas massas unidas pela corda através do orifício; massa inferior executa MCU ligada também a mola horizontal.
A)$\dfrac{r[mg+k(l-r)\cos\theta]}{mg(l-r)}$.
B)$\dfrac{(l-r)(mg+kr\cos\theta)}{mgr\sin\theta}$.
C)$\dfrac{(l-r)(mg+kr\tan\theta)}{kr^2}$.
D)$\dfrac{k(l-r)\cos\theta}{mg+kr}$.
E)$\dfrac{(l-r)k\cos\theta}{mg+k(l-r)\cos\theta}$.

Gabarito Oficial ITA

A
Resolução

A corda é ideal e transmite a mesma tração $T$ a ambas as massas. O trecho superior mede $r$; o inferior mede $l-r$. A massa superior descreve círculo de raio $r$, e a massa inferior descreve círculo de raio $(l-r)\sin\theta$.

Para a partícula sobre a mesa, a força radial é apenas a tração: \[T=m\omega_1^2r.\] Na partícula inferior, não existe aceleração vertical, de modo que \[T\cos\theta=mg\quad\Rightarrow\quad T=\frac{mg}{\cos\theta}.\] Combinando: \[\omega_1^2=\frac{g}{r\cos\theta}.\]

Na direção horizontal da massa suspensa, a tração contribui com $T\sin\theta$, e a mola, cujo comprimento natural é nulo, exerce força $k(l-r)\sin\theta$ para o eixo. Logo, \[m\omega_2^2(l-r)\sin\theta=T\sin\theta+k(l-r)\sin\theta.\] Para a configuração inclinada, simplificando $\sin\theta$, \[\omega_2^2=\frac{T}{m(l-r)}+\frac{k}{m}=\frac{g}{(l-r)\cos\theta}+\frac{k}{m}.\]

Dividindo o quadrado das velocidades angulares, obtemos \[\left(\frac{\omega_2}{\omega_1}\right)^2=\frac{\frac{g}{(l-r)\cos\theta}+\frac{k}{m}}{\frac{g}{r\cos\theta}}=\frac{r[mg+k(l-r)\cos\theta]}{mg(l-r)}.\]

Cuidado, armadilha! A massa de baixo gira em raio horizontal $(l-r)\sin\theta$, não em raio $l-r$. A mola tem comprimento horizontal, e a força elástica deve ser tomada nesse eixo.

Alternativa correta: A

Q03
Gravitação — Movimento harmônico no interior de esfera

Considere um corpo celeste esférico e homogêneo de massa $M$ e raio $R$ atravessado de polo a polo por um túnel cilíndrico retilíneo de diâmetro desprezível. Em um desses polos um objeto pontual é solto a partir do repouso no instante $t=0$. Sendo $G$ a constante universal de gravitação, esse objeto vai alcançar o outro polo após o intervalo de tempo dado por

A)$\left(\dfrac{R^3}{GM}\right)^{1/2}$.
B)$\pi\left(\dfrac{R^3}{GM}\right)^{1/2}$.
C)$\left(\dfrac{4R^3}{3GM}\right)^{1/2}$.
D)$2\pi\left(\dfrac{R^3}{GM}\right)^{1/2}$.
E)$2\pi\left(\dfrac{4R^3}{3GM}\right)^{1/2}$.

Gabarito Oficial ITA

B
Resolução

Para uma esfera homogênea, a massa contida até uma distância $x$ do centro é proporcional ao volume: \[M_x=M\frac{x^3}{R^3}.\] Pelo teorema das cascas esféricas, as camadas externas a essa posição não produzem resultante gravitacional sobre o corpo.

A força gravitacional do material interno tem intensidade \[F=\frac{GM_xm}{x^2}=\frac{GMm}{R^3}x\] e aponta sempre para o centro. Escrevendo o sinal em relação a um eixo que atravessa o túnel: \[F_x=-\frac{GMm}{R^3}x.\] Essa lei tem a forma restauradora $F_x=-k_{\rm ef}x$ de uma oscilação harmônica, com $k_{\rm ef}=GMm/R^3$.

O período desse movimento é \[T=2\pi\sqrt{\frac{m}{k_{\rm ef}}}=2\pi\sqrt{\frac{R^3}{GM}}.\] O objeto parte de uma extremidade, atravessa o centro e chega à extremidade oposta após meio período, não um período completo.

Portanto, \[\Delta t=\frac T2=\pi\sqrt{\frac{R^3}{GM}}.\]

Cuidado, armadilha! O tempo de um polo ao outro corresponde a metade de uma oscilação completa. Não use aceleração gravitacional constante dentro da esfera.

Alternativa correta: B

Q04
Óptica — Espelhos esféricos — Aumento linear

A imagem de um objeto formada por um espelho côncavo mede metade do tamanho do objeto. Se este é deslocado de uma distância de $15\ \text{cm}$ em direção ao espelho, o tamanho da imagem terá o dobro do tamanho do objeto. Estime a distância focal do espelho e assinale a alternativa correspondente.

A)$40\ \text{cm}$.
B)$30\ \text{cm}$.
C)$20\ \text{cm}$.
D)$10\ \text{cm}$.
E)$5{,}0\ \text{cm}$.

Gabarito Oficial ITA

D
Resolução

Para um espelho esférico côncavo, utilizamos a relação dos pontos conjugados \[\frac1f=\frac1p+\frac1{p\prime}\] e o aumento linear, em módulo, \[|A|=\left|\frac{p\prime}{p}\right|=\frac{f}{|p-f|},\] com $p$ representando a distância do objeto ao espelho.

Na primeira posição, a imagem tem metade do tamanho: \[\frac{f}{p_1-f}=\frac12\quad\Rightarrow\quad p_1=3f.\] Trata-se de um objeto além do centro de curvatura, com imagem real e reduzida.

Na posição final correspondente ao ramo de imagem real ampliada, \[\frac{f}{p_2-f}=2\quad\Rightarrow\quad p_2=\frac{3f}{2}.\] Como o objeto se aproxima $15\ \text{cm}$, \[p_1-p_2=3f-\frac{3f}{2}=15\quad\Rightarrow\quad f=10\ \text{cm}.\] Logo, a alternativa oficial é D.

Observação sobre a interpretação: como o enunciado fornece somente o tamanho, sem a orientação da imagem final, existe matematicamente outra configuração, com imagem virtual ampliada, em $p_2=f/2$; ela levaria a $f=6\ \text{cm}$, valor que não está entre as opções. A alternativa D corresponde ao ramo real selecionado pelas opções da prova.

Cuidado, armadilha! A ampliação de duas vezes pode ser de imagem real invertida ou virtual direita. Aqui, o gabarito oficial usa o ramo de imagem real; explicitar a escolha evita mascarar uma ambiguidade do enunciado.

Alternativa correta: D

Q05
Eletrodinâmica — Associação de geradores — Recarga

Uma bateria composta por $50$ células voltaicas em série é carregada por uma fonte de corrente contínua ideal de $220\ \text{V}$. Cada célula tem uma força eletromotriz de $2{,}30\ \text{V}$ e resistência interna de $0{,}100\ \Omega$. Sendo a corrente de carregamento de $6{,}00\ \text{A}$, indique o valor da resistência extra que deve ser inserida em série com a fonte.

A)$23{,}0\ \Omega$.
B)$36{,}6\ \Omega$.
C)$12{,}5\ \Omega$.
D)$5{,}00\ \Omega$.
E)$19{,}2\ \Omega$.

Gabarito Oficial ITA

C
Resolução

Como as 50 células estão ligadas em série, as forças eletromotrizes se somam: \[E=50\cdot2{,}30=115\ \text{V}.\] As resistências internas também se somam: \[r=50\cdot0{,}100=5{,}00\ \Omega.\]

A fonte de $220\ \text{V}$ força corrente de carregamento contra a força eletromotriz da bateria. Assim, o potencial disponível para as resistências é $220-115=105\ \text{V}$, e a resistência total requerida é \[R_{\rm total}=\frac{105}{6{,}00}=17{,}5\ \Omega.\]

Como os $5{,}00\ \Omega$ internos já estão presentes, a resistência adicional deve ser \[R_{\rm extra}=17{,}5-5{,}0=12{,}5\ \Omega.\]

Cuidado, armadilha! No carregamento, as f.e.m. da bateria se opõem à fonte externa. Não some $115\ \text{V}$ a $220\ \text{V}$ no cálculo da queda resistiva.

Alternativa correta: C

Q06
Mecânica — Estática — Barra apoiada em quina lisa

Uma barra rígida, homogênea, fina e de comprimento $l$, é presa a uma corda horizontal sem massa e toca a quina de uma superfície horizontal livre de atrito, fazendo um ângulo $\theta$ como mostra a figura. Considerando a barra em equilíbrio, assinale a opção correta para o valor da razão $d/l$, em que $d$ é a distância da quina ao centro de gravidade (CG) da barra.

Barra inclinada fazendo ângulo teta com a horizontal; corda horizontal, apoio liso na quina e cota d em relação ao centro de gravidade.
A)$\dfrac{\tan^2\theta}{2}$.
B)$\dfrac{\cos^2\theta}{4}$.
C)$\dfrac{\sin^2\theta}{4}$.
D)$\dfrac{\cos^2\theta}{2}$.
E)$\dfrac{\sin^2\theta}{2}$.

Gabarito Oficial ITA

E
Resolução

Atuam sobre a barra o peso $mg$ no centro de gravidade, a tração horizontal $T$ da corda na extremidade superior e a reação $N$ na quina. Como o contato é liso, a reação é perpendicular à barra.

Decompondo a reação, cujo componente vertical sustenta a barra: \[N\cos\theta=mg.\] Na horizontal, a tração equilibra a outra componente: \[T=N\sin\theta.\] Assim, $T/N=\sin\theta$.

Para eliminar o peso da equação dos torques, tomamos o centro de gravidade como eixo de momentos. O braço perpendicular da tração horizontal aplicada na ponta superior vale $(l/2)\sin\theta$. Já a força normal $N$ possui braço igual à distância $d$, pois é perpendicular à barra.

Portanto, o equilíbrio dos torques exige \[Nd=T\frac l2\sin\theta.\] Dividindo por $Nl$ e substituindo $T/N=\sin\theta$, \[\frac dl=\frac12\sin^2\theta.\]

Cuidado, armadilha! A normal na quina não é vertical, mas perpendicular à barra. O braço do peso desaparece escolhendo o CG como referência para os torques.

Alternativa correta: E

Q07
Mecânica — Dinâmica dos fluidos — Efeito Magnus

Uma bola é deixada cair conforme mostra a figura. Inicialmente, ela gira com velocidade angular $\omega$ no sentido anti-horário para quem a observa do leste, sendo nula a velocidade do seu centro de massa. Durante a queda, o eixo de rotação da bola permanece sempre paralelo à direção oeste-leste. Considerando o efeito do ar sobre o movimento de queda da bola, são feitas as seguintes afirmações:

I. A bola está sujeita apenas a forças verticais e, portanto, cairá verticalmente.

II. A bola adquire quantidade de movimento para o norte (N) ou para o oeste (O).

III. A bola adquire quantidade de movimento para o leste (L) ou para o sul (S).

IV. Quanto maior for a velocidade angular $\omega$ da bola, mais ela se afastará do ponto $C$.

Está(ão) correta(s) apenas

Bola com rotação indicada e orientação geográfica Oeste, Leste, Norte e Sul, sobre o ponto C.
A)I.
B)II e IV.
C)III e IV.
D)III.
E)II.

Gabarito Oficial ITA

B
Resolução

I — Falsa. Além do peso e do arrasto do ar, a bola girante pode sofrer força lateral devido ao efeito Magnus. Logo, a trajetória não precisa ser vertical.

II — Verdadeira. Para quem observa a bola a partir do leste, a rotação indicada é anti-horária. Aplicando a regra da mão direita, o vetor velocidade angular aponta para o leste. Como a bola desce, a direção qualitativa da força Magnus é obtida pela orientação de $\vec\omega\times\vec v$, que aponta para o norte. Assim, a bola adquire quantidade de movimento lateral para o norte, o que satisfaz a proposição II.

III — Falsa. A deflexão lateral prevista pela rotação e pela queda é para o norte, e não para o leste ou sul, na geometria apresentada.

IV — Verdadeira. Mantidas as demais condições, o efeito Magnus tende a intensificar-se com a rotação. Dessa forma, o desvio lateral acumulado e o afastamento do ponto $C$ aumentam.

As corretas são II e IV:

Cuidado, armadilha! A orientação “anti-horária” depende do lado de observação, que neste caso é o leste. Fixe primeiro o eixo de rotação antes de determinar o desvio.

Alternativa correta: B

Q08
Termologia — Teoria cinética — Efusão de gases

Em um reservatório são armazenados $1\ \text{mol}$ de gás hélio e $1\ \text{mol}$ de gás oxigênio em equilíbrio térmico. Por meio de um orifício de dimensões muito menores que o comprimento livre médio das espécies gasosas, inicia-se um vazamento de gás para o exterior. Sobre essa situação são feitas as seguintes afirmações:

I. No interior do reservatório, os átomos de hélio têm, em média, energia cinética menor em comparação à das moléculas de oxigênio.

II. No interior do reservatório, os átomos de hélio têm, em média, velocidade de translação maior em comparação à das moléculas de oxigênio.

III. A porção do gás que vaza e a que permanece no interior do reservatório têm a mesma fração molar de hélio.

Assinale a opção correta.

A)Apenas a afirmação I é falsa.
B)Apenas a afirmação II é falsa.
C)Apenas a afirmação III é falsa.
D)Há mais de uma afirmação falsa.
E)Todas as afirmações são verdadeiras.

Gabarito Oficial ITA

C
Resolução

I — Verdadeira no sentido da energia cinética molecular total. Em equilíbrio térmico, a energia cinética translacional média de He e $\mathrm{O_2}$ é a mesma, $3k_BT/2$. Contudo, o oxigênio diatômico apresenta também energia cinética de rotação nas condições usuais, enquanto o hélio monoatômico não possui graus rotacionais termicamente relevantes. Portanto, a energia cinética total média de uma molécula de $\mathrm{O_2}$ é maior que a de um átomo de He. A leitura da banca para o item I envolve essa distinção.

II — Verdadeira. Para ambos os gases, o movimento translacional obedece a $\tfrac12m\langle v^2\rangle=\tfrac32k_BT$. A uma mesma temperatura, a rapidez quadrática média é inversamente proporcional à raiz quadrada da massa da partícula. Como o hélio possui massa molar $4$ e o oxigênio molecular, $32$, \[\frac{v_{\rm rms,He}}{v_{\rm rms,O_2}}=\sqrt{\frac{32}{4}}=\sqrt8>1.\]

III — Falsa. O orifício é suficientemente pequeno para ocorrer efusão. Pela lei de Graham, a taxa de passagem é inversamente proporcional à raiz quadrada da massa molar, de modo que o hélio escapa aproximadamente $\sqrt8$ vezes mais rapidamente, por partícula disponível. A fração molar no gás que escapa fica inicialmente enriquecida em hélio; a mistura remanescente se empobrece em hélio.

Somente a afirmação III é falsa. Alternativa oficial: C.

Cuidado, armadilha! Não confunda energia cinética translacional com energia cinética molecular total: a energia rotacional do $\mathrm{O_2}$ é relevante para a afirmação I.

Alternativa correta: C

Q09
Eletrostática — Campo uniforme — Gradiente de potencial

Na figura mostra-se o valor do potencial elétrico para diferentes pontos $P(50\ \text{V})$, $Q(60\ \text{V})$, $R(130\ \text{V})$ e $S(120\ \text{V})$ situados no plano $xy$. Considere o campo elétrico uniforme nessa região e o comprimento dos segmentos $OP$, $OQ$, $OR$ e $OS$ igual a $5{,}0\ \text{m}$. Pode-se afirmar que a magnitude do campo elétrico é igual a

Eixos x e y com potenciais elétricos em P(50 V), Q(60 V), R(130 V) e S(120 V).
A)$12{,}0\ \text{V/m}$.
B)$8{,}0\ \text{V/m}$.
C)$6{,}0\ \text{V/m}$.
D)$10{,}0\ \text{V/m}$.
E)$16{,}0\ \text{V/m}$.

Gabarito Oficial ITA

D
Resolução

O campo elétrico é uniforme. Portanto, cada componente pode ser determinada pela diferença de potencial entre dois pontos de um mesmo eixo, dividida pela separação entre eles.

No eixo $x$, $R$ está em

\[x=-5\ \text{m}\]

com

\[V_R=130\ \text{V}\]

e $P$ em

\[x=+5\ \text{m}\]

com

\[V_P=50\ \text{V}\]

A diferença é $80\ \text{V}$ ao longo de $10\ \text{m}$, de modo que

\[|E_x|=\frac{130-50}{10}=8\ \text{V/m}.\]

No eixo $y$, $Q$ está em $y=+5\ \text{m}$ com potencial $60\ \text{V}$, enquanto $S$ está em $y=-5\ \text{m}$ com potencial $120\ \text{V}$. Assim, \[|E_y|=\frac{120-60}{10}=6\ \text{V/m}.\]

Como os eixos são perpendiculares, calculamos a intensidade resultante por Pitágoras: \[E=\sqrt{E_x^2+E_y^2}=\sqrt{8^2+6^2}=10\ \text{V/m}.\]

Cuidado, armadilha! A distância entre $R$ e $P$ é de $10\ \text{m}$, não $5\ \text{m}$; o mesmo vale entre $Q$ e $S$.

Alternativa correta: D

Q10
Eletromagnetismo — Força magnética — Trajetória helicoidal

Seja uma partícula de massa $m$ e carga positiva $q$, imersa em um campo magnético uniforme $\vec B$, com velocidade inicial $\vec v$ no instante de tempo $t=0$. Sabe-se que $\theta$ é o ângulo entre $\vec v$ e $\vec B$, cujos respectivos módulos são $v$ e $B$. Pode-se afirmar que a distância mínima percorrida pela partícula até que sua velocidade readquira a mesma direção e sentido iniciais é dada por

A)$\dfrac{\pi mv}{qB}\cos\theta$.
B)$\dfrac{2\pi mv}{qB}\cos\theta$.
C)$\dfrac{2\pi mv}{qB}\sin\theta$.
D)$\dfrac{\pi mv}{qB}$.
E)$\dfrac{2\pi mv}{qB}$.

Gabarito Oficial ITA

E
Resolução

Decompomos a velocidade em duas componentes: $v_{\parallel}=v\cos\theta$, paralela ao campo, e $v_{\perp}=v\sin\theta$, perpendicular. A força magnética não modifica a componente paralela e faz a componente perpendicular girar uniformemente.

A força magnética atua como resultante centrípeta da parte circular: \[qBv_{\perp}=\frac{mv_{\perp}^2}{r}\quad\Rightarrow\quad r=\frac{mv_{\perp}}{qB}.\] A velocidade angular associada à rotação é \[\omega_c=\frac{v_{\perp}}{r}=\frac{qB}{m},\] portanto o período é \[T=\frac{2\pi}{\omega_c}=\frac{2\pi m}{qB}.\]

A velocidade vetorial só volta a apontar na mesma direção e no mesmo sentido iniciais após uma volta completa da componente perpendicular. Durante esse tempo a partícula percorre uma hélice, mas seu módulo da velocidade total permanece igual a $v$.

O comprimento percorrido em um período é \[s=vT=v\frac{2\pi m}{qB}=\frac{2\pi mv}{qB}.\] Logo,

Cuidado, armadilha! A pergunta é sobre a distância percorrida ao longo da hélice, não o avanço paralelo ao campo, que teria um fator $\cos\theta$. O caso degenerado de velocidade estritamente paralela ao campo requer interpretação separada.

Alternativa correta: E

Q11
Física moderna — Efeito fotoelétrico — Corrente de saturação

Dentro de uma câmara de vácuo encontra-se um filamento $F$ aquecido por meio de uma fonte elétrica externa de d.d.p. $V_1$. A radiação emitida por $F$ atinge o eletrodo metálico $E_1$, que passa a emitir elétrons que podem ser coletados no eletrodo $E_2$, acarretando a corrente $I$ medida num amperímetro. Uma segunda fonte externa, de d.d.p. $V_2$, é conectada ao circuito conforme ilustrado na figura. Um obstáculo $O$ impede que $E_2$ receba radiação do filamento $F$. Analise as seguintes afirmações:

I. A corrente $I$ aumenta sempre que $V_2$ aumenta e tende a um valor assintótico $I_{\max}$.

II. Toda a radiação que incide em $E_1$ pode causar ejeção de elétrons.

III. Para certo valor $V_2<0$, é possível obter uma corrente $I$ invertida em relação ao sentido mostrado na figura.

IV. É possível ter $I\neq0$ para $V_2=0$ com $I$ dependente de $V_1$.

Estão corretas

Esquema do experimento fotoelétrico com filamento F, eletrodos E1 e E2, obstáculos, fontes V1 e V2 e amperímetro.
A)todas as afirmações.
B)apenas I, II e III.
C)apenas I e IV.
D)apenas II e IV.
E)apenas I, II e IV.

Gabarito Oficial ITA

C
Resolução

I — Verdadeira na curva de coleta fotoelétrica. Com $E_2$ como eletrodo coletor positivo, o aumento de $V_2$ favorece a chegada dos fotoelétrons. A corrente cresce e se aproxima da corrente de saturação $I_{\max}$, limitada pela quantidade de fotoelétrons emitidos por segundo. No regime já saturado, aumentar ainda mais a tensão não provoca aumento apreciável de corrente.

II — Falsa. A emissão fotoelétrica depende da energia de cada fóton. Só há ejeção quando $hf$ iguala ou ultrapassa a função trabalho do material. Radiação de frequência insuficiente não ejeta elétrons, mesmo que sua intensidade seja grande.

III — Falsa. Uma tensão negativa em $E_2$ pode frear e impedir a coleta dos elétrons provenientes de $E_1$, fazendo a corrente ir a zero. Como o obstáculo $O$ impede que $E_2$ receba radiação, não há fonte fotoelétrica no coletor capaz de produzir a corrente reversa descrita.

IV — Verdadeira. Mesmo com $V_2=0$, fotoelétrons emitidos por $E_1$ podem chegar a $E_2$ graças à sua energia cinética inicial, produzindo corrente. Ao alterar $V_1$, modifica-se o aquecimento e o espectro/intensidade da radiação do filamento, podendo alterar a taxa de fotoemissão.

As proposições I e IV são as corretas. Alternativa oficial: C.

Cuidado, armadilha! O eletrodo $E_2$ foi protegido da radiação. Inverter a diferença de potencial não cria, por si só, uma nova fonte de fotoelétrons capaz de inverter a corrente.

Alternativa correta: C

Q12
Eletromagnetismo — Lei de Faraday — Espira e solenóide

A figura mostra uma espira circular, de raio $a$ e resistência $R$, com centro situado sobre o eixo de um solenóide muito longo, com $n$ voltas por unidade de comprimento e raio $b$ ($b<a$). No instante inicial, $t=0$, o eixo do solenóide encontra-se perpendicular ao plano da espira, que oscila segundo a expressão $\theta=\theta_{\max}\sin(\omega t)$, em que $\omega$ é a frequência angular do movimento. Se a corrente que passa pelo solenóide cresce linearmente com o tempo, conforme $I=Kt$, e sendo $\mu_0$ a permeabilidade magnética do vácuo, então a intensidade da corrente elétrica induzida na espira é

Espira oscilante envolvendo um solenoide longo, raio da espira a maior do que o raio b do solenoide.
A)$\dfrac{\mu_0nK\pi a^2}{R}$.
B)$\dfrac{\mu_0nK\pi b^2}{R}$.
C)$\dfrac{\mu_0nK\omega t\theta_{\max}\pi b^2}{R}|\sin(\omega t)|$.
D)$\dfrac{\mu_0nK\omega t\theta_{\max}\pi b^2}{R}|\cos(\omega t)|$.
E)$0$.

Gabarito Oficial ITA

B
Resolução

Para um solenóide muito longo, o campo magnético ideal é praticamente uniforme no interior, com intensidade \[B=\mu_0nI=\mu_0nKt,\] e é desprezível fora dele. A região que efetivamente carrega fluxo é a seção do solenóide, de área $\pi b^2$, não toda a área $\pi a^2$ da espira.

Embora a espira oscile, ela permanece envolvendo a seção do solenóide no modelo representado. Quando o seu plano inclina, a região de interseção com o cilindro cresce geometricamente, compensando a projeção do campo sobre a normal da superfície da espira. Por isso, o fluxo vinculado não depende de $\theta$: \[\Phi=B\pi b^2=\mu_0nKt\\ \pi b^2.\]

Em intervalos iguais $\Delta t$, a corrente do solenóide aumenta $\Delta I=K\Delta t$, e a variação de fluxo é \[\Delta\Phi=\mu_0n\pi b^2K\Delta t.\] Pela lei de Faraday, o módulo da força eletromotriz induzida é \[|\mathcal E|=\frac{|\Delta\Phi|}{\Delta t}=\mu_0nK\pi b^2.\]

Finalmente, a espira possui resistência $R$, logo \[I_{\rm ind}=\frac{|\mathcal E|}{R}=\frac{\mu_0nK\pi b^2}{R}.\]

Cuidado, armadilha! O raio a determina a dimensão da espira, mas a área com fluxo magnético significativo é $\pi b^2$. A rotação não modifica o fluxo total vinculado na geometria ideal.

Alternativa correta: B

D1
Mecânica — Gravitação, explosão e escape

Um veículo de motor-foguete de massa $m_1$ e carga útil $m_2$ é lançado verticalmente de um planeta de massa $M$ e raio $R$. Depois de desligar o motor, chega ao repouso à distância $r$ do centro. Uma explosão separa as partes e dá à carga útil a velocidade mínima de escape. Despreze dissipações, rotação planetária e perda de massa na queima. Determine (a) o trabalho do motor na subida e (b) a energia mecânica acrescentada pela explosão.

Figura original da questão 1 da segunda fase do ITA 2019.

Resposta calculada pelo Método TEF

$W=GM(m_1+m_2)(1/R-1/r)$; $\Delta E=GMm_2(m_1+m_2)/(rm_1)$.
Resolução

O veículo parte do repouso na superfície e volta ao repouso em $r$. O trabalho do motor é a variação da energia mecânica de todo o trajeto, pois a gravidade é conservativa.

\[W=GM(m_1+m_2)\left(\frac1R-\frac1r\right).\]

A carga útil deve sair com energia mecânica nula no limiar de escape.

\[\frac{m_2v_2^2}{2}-\frac{GMm_2}{r}=0.\]\[v_2^2=\frac{2GM}{r}.\]

Durante o impulso da explosão, conserva-se o momento do sistema, inicialmente nulo.

\[m_1v_1=m_2v_2.\]

Como as posições praticamente não mudam na explosão, o acréscimo de energia mecânica é a energia cinética total criada.

\[\Delta E=\frac{m_1v_1^2}{2}+\frac{m_2v_2^2}{2}.\]\[\Delta E=\frac{GMm_2}{r}\left(1+\frac{m_2}{m_1}\right).\]

Calcular somente a energia da carga útil ignoraria o recuo do motor.

D2
Ondulatória — Ressonância de corda e tubo fechado

Um braço articulado horizontal, sem massa e de comprimento $l$, é sustentado por uma corda homogênea de massa $m$ que faz ângulo $\theta$ com ele. Na ponta, um fio ideal sustenta uma massa $M$. A corda vibra no modo fundamental em ressonância com o som.

(a) Determine a frequência medida.

(b) Instalado na única boca de um túnel inacabado, o aparelho mede dois modos consecutivos com massas $M_1$ e $M_2>M_1$. Determine o comprimento $L$ do túnel em função dessas massas, $m,l,\theta,g$ e da velocidade do som $v_s$.

Figura original da questão 2 da segunda fase do ITA 2019.

Resposta calculada pelo Método TEF

$f=\frac12\sqrt{Mg\cos\theta/(ml\sin\theta)}$; $L=v_s/[\sqrt{g\cos\theta/(ml\sin\theta)}(\sqrt{M_2}-\sqrt{M_1})]$.
Resolução

O torque na articulação relaciona a tração à massa suspensa. O comprimento da corda inclinada é $C=l/\cos\theta$.

\[T\sin\theta=Mg.\]\[\mu=\frac mC.\]\[f=\frac1{2C}\sqrt{\frac T\mu}.\]\[f=\frac12\sqrt{\frac{Mg\cos\theta}{ml\sin\theta}}.\]

O túnel comporta-se como tubo aberto numa ponta e fechado na outra. Seus modos são os harmônicos ímpares; a separação entre dois modos consecutivos é $v_s/(2L)$, não a frequência fundamental.

\[f_2-f_1=\frac{v_s}{2L}.\]\[L=\frac{v_s}{\sqrt{g\cos\theta/(ml\sin\theta)}(\sqrt{M_2}-\sqrt{M_1})}.\]

O cálculo adota a aproximação usual de corda suficientemente tensionada, retilínea, com a inércia linear incluída e a contribuição de seu peso à forma e à distribuição da tração desprezada.

D3
Mecânica — Queda radial e terceira lei de Kepler

Uma estação Kepler está a $d=32a_0$ do centro de um exoplaneta. Um satélite natural tem órbita elíptica de semieixo maior $a_0$ e período $T_0$. Um objeto se desprende da estação e cai do repouso em relação ao planeta. Despreze rotação, interação com o satélite e dimensões dos corpos. Determine o tempo de queda em função de $T_0$.

Resposta calculada pelo Método TEF

$t_{\rm queda}=32T_0$.
Resolução

A queda radial pode ser obtida como limite de uma órbita elíptica com apoastro $d$ e periastro nulo. O eixo maior dessa elipse degenerada vale $d$.

\[a=\frac d2=16a_0.\]

A terceira lei de Kepler relaciona os períodos em torno do mesmo planeta.

\[\frac{T^2}{T_0^2}=\left(\frac a{a_0}\right)^3.\]\[T=16^{3/2}T_0=64T_0.\]

Do apoastro até o centro percorre-se meia órbita, por isso:

\[t_{\rm queda}=\frac T2=32T_0.\]

A gravidade varia fortemente com a distância; tratá-la como constante durante toda a queda não descreve este problema.

D4
Óptica — Velocidade de imagem em espelho côncavo

Um espelho côncavo de distância focal $12\,\mathrm{cm}$ forma a imagem de um objeto puntiforme no eixo a $30\,\mathrm{cm}$. O objeto começa a mover-se a $9{,}0\,\mathrm{m/s}$. Determine o módulo e o sentido da velocidade inicial da imagem quando o objeto se move (a) ao longo do eixo e (b) perpendicularmente ao eixo.

Resposta calculada pelo Método TEF

(a) $4{,}0\,\mathrm{m/s}$. (b) $6{,}0\,\mathrm{m/s}$. Ambos em sentido oposto ao do objeto.
Resolução

A posição inicial da imagem é obtida pela equação de Gauss.

\[\frac1{p'}=\frac1{12}-\frac1{30}=\frac1{20}.\]\[p'=20\,\mathrm{cm}.\]

No movimento longitudinal, diferenciamos a equação de Gauss com foco constante.

\[-\frac{\dot p}{p^2}-\frac{\dot p'}{p'^2}=0.\]\[v_i=-\left(\frac{p'}p\right)^2v_o.\]\[|v_i|=\left(\frac23\right)^2\cdot9=4\,\mathrm{m/s}.\]

No movimento transversal inicial, as posições longitudinais não mudam, e a relação entre alturas é a ampliação linear.

\[\frac{v_i}{v_o}=-\frac{p'}p=-\frac23.\]\[|v_i|=6\,\mathrm{m/s}.\]

Nos dois casos o sinal negativo indica sentido oposto ao movimento do objeto, nas coordenadas correspondentes.

D5
Termologia — Condução e coeficiente de desempenho

Uma sala de $4{,}0\times5{,}0\times3{,}0\,\mathrm m$ deve ser mantida a $10^\circ\mathrm C$ num ambiente a $20^\circ\mathrm C$. Todas as faces são revestidas com material de espessura $20\,\mathrm{cm}$ e condutividade $0{,}60\,\mathrm{W/(m\,{}^\circ C)}$. O sistema de refrigeração tem coeficiente de desempenho 2,0, e a eletricidade custa R$ 0,50 por kWh. Estime o custo diário em regime estacionário.

Resposta calculada pelo Método TEF

Custo diário estimado: R$ 16,92.
Resolução

Considerando as seis faces, a área total de troca é:

\[A=2(4\cdot5+4\cdot3+5\cdot3)=94\,\mathrm{m^2}.\]

A condução fornece a taxa de calor que precisa ser retirada.

\[\dot Q=\frac{kA\Delta T}{e}.\]\[\dot Q=\frac{0{,}60\cdot94\cdot10}{0{,}20}=2820\,\mathrm W.\]

O coeficiente de desempenho é a razão entre calor retirado e energia elétrica consumida.

\[P_{\rm elétrica}=\frac{2820}{2}=1410\,\mathrm W.\]\[E_{\rm dia}=1{,}410\cdot24=33{,}84\,\mathrm{kWh}.\]\[C=33{,}84\cdot0{,}50=\mathrm{R\$}\,16{,}92.\]

Desprezam-se entradas de ar, pessoas, equipamentos, pontes térmicas e o resfriamento inicial da sala; por isso se trata de uma estimativa de manutenção da temperatura.

D6
Eletromagnetismo — Equilíbrio entre fios percorridos por corrente

Um circuito muito longo ABCDEF alimenta uma haste móvel horizontal de comprimento $l=10\,\mathrm{cm}$ e massa $m=5{,}0\,\mathrm{mg}$, que desliza sem atrito em guias verticais. O terminal A está a $1{,}0\,\mathrm V$ e F é aterrado. A resistência total é $0{,}10\,\Omega$ e a distância entre os trechos longos AB e CD é $d=18\,\mathrm{cm}$. Considerando só o campo desses trechos sobre a haste, determine a distância de equilíbrio $x$ à linha AB. Use $\mu_0=4\pi\times10^{-7}\,\mathrm{N/A^2}$.

Figura original da questão 6 da segunda fase do ITA 2019.

Resposta calculada pelo Método TEF

$x=6{,}0\,\mathrm{cm}$ ou $x=12{,}0\,\mathrm{cm}$.
Resolução

A corrente é a mesma no circuito e na haste móvel.

\[I=\frac{1{,}0}{0{,}10}=10\,\mathrm A.\]

O fio superior atrai a haste e o inferior a repele, ambos para cima na configuração desenhada. Os módulos das forças se somam:

\[\frac{\mu_0I^2l}{2\pi}\left(\frac1x+\frac1{d-x}\right)=mg.\]\[\frac1x+\frac1{0{,}18-x}=25\,\mathrm{m^{-1}}.\]\[25x^2-4{,}5x+0{,}18=0.\]\[x=0{,}06\,\mathrm m\quad\text{ou}\quad x=0{,}12\,\mathrm m.\]

A massa deve ser convertida para $5{,}0\times10^{-6}\,\mathrm{kg}$. Ambos os pontos satisfazem a condição de força nula; não se pediu que ambos fossem estáveis.

D7
Eletricidade — Condutividade e potência em blocos

Um gerador ideal alimenta os blocos A, B e C da figura: A em série com B e C em paralelo. B e C têm mesmas dimensões; a seção transversal de A é o dobro da de B, e os comprimentos percorridos pela corrente são iguais. As condutividades satisfazem $\sigma_A=3\sigma_C$ e $\sigma_B=2\sigma_C$. Determine $P_B/P_A$ e $P_C/P_A$.

Figura original da questão 7 da segunda fase do ITA 2019.

Resposta calculada pelo Método TEF

$P_B/P_A=4/3$; $P_C/P_A=2/3$.
Resolução

A resistência depende inversamente da condutividade e da seção transversal.

\[R=\frac{L}{\sigma S}.\]\[R_A=R_0.\]\[R_B=3R_0.\]\[R_C=6R_0.\]

O paralelo tem resistência $2R_0$; em série com A, a resistência total é $3R_0$.

\[V_A=\frac V3.\]\[V_B=V_C=\frac{2V}{3}.\]\[\frac{P_B}{P_A}=\frac{(2V/3)^2/(3R_0)}{(V/3)^2/R_0}=\frac43.\]\[\frac{P_C}{P_A}=\frac{(2V/3)^2/(6R_0)}{(V/3)^2/R_0}=\frac23.\]

Comparar somente as resistências sem identificar quem compartilha tensão ou corrente levaria a razões de potência incorretas.

D8
Ondulatória — Análise dimensional da velocidade do som

A velocidade do som num gás é representada empiricamente por $v_s=KT^aP^bV^c\rho^d$, com K adimensional, temperatura T, pressão P, volume V e densidade $\rho$.

(a) Determine os expoentes.

(b) Dois ambientes contêm neônio a $T_1$ e nitrogênio a $T_2=5T_1/3$, separados por membrana fina termoisolante que transmite som. Com $K=\sqrt\gamma$, massas molares de 20 e 28 g/mol e os valores usuais de $\gamma$ para gases ideais mono e diatômicos, determine a razão entre velocidades.

Resposta calculada pelo Método TEF

$a=0$, $b=1/2$, $c=0$, $d=-1/2$; $v_{\rm Ne}/v_{N_2}=1$.
Resolução

Use $\Theta$ para a dimensão de temperatura, separando-a do tempo.

\[[v]=LT^{-1}.\]\[[P]=ML^{-1}T^{-2}.\]\[[\rho]=ML^{-3}.\]\[LT^{-1}=\Theta^aM^{b+d}L^{-b+3c-3d}T^{-2b}.\]

Igualando os expoentes de cada dimensão:

\[a=0.\]\[b=\frac12.\]\[d=-\frac12.\]\[c=0.\]

Logo $v_s=\sqrt{\gamma P/\rho}$. Para um gás ideal:

\[v_s=\sqrt{\frac{\gamma RT}{M}}.\]\[\left(\frac{v_{\rm Ne}}{v_{N_2}}\right)^2=\frac{(5/3)T_1/20}{(7/5)(5T_1/3)/28}=1.\]\[\frac{v_{\rm Ne}}{v_{N_2}}=1.\]

O expoente direto de T ser nulo na expressão dimensional não implica independência térmica: pressão e densidade não são independentes da temperatura no gás ideal.

D9
Física Moderna — Tempo de propagação e aparência de placa móvel

Uma placa quadrada ABCD, de lado próprio $l$, move-se com velocidade $v$ próxima de c, no seu plano. O observador, coplanar e muito distante, está à esquerda; AB é a aresta próxima e CD a distante, como na figura. A imagem é formada por raios que chegam simultaneamente. Determine o ângulo e o sentido da inclinação aparente do segmento BC em relação à sua direção horizontal inicial.

Figura original da questão 9 da segunda fase do ITA 2019.

Resposta calculada pelo Método TEF

$\theta=\arctan(v/c)$, no sentido horário indicado por B–C–D–A na figura.
Resolução

A aresta distante CD está aproximadamente $l$ mais longe do observador. A luz dela recebida no mesmo instante precisa ter sido emitida antes da luz proveniente de AB.

\[\Delta t=\frac lc.\]

Durante esse intervalo, a placa avança na direção de $\vec v$. Assim, a imagem da aresta próxima aparece avançada em relação à da distante.

\[\Delta=v\Delta t=\frac{vl}{c}.\]

Na geometria coplanar do desenho, BC ganha um desnível $\Delta$ ao longo da direção do movimento, mantendo a separação transversal $l$.

\[\tan\theta=\frac\Delta l=\frac vc.\]\[\theta=\arctan\left(\frac vc\right).\]

O giro desenhado é horário: B aparece acima de C. Não há rotação física da placa. Além disso, as arestas paralelas à velocidade sofrem contração de Lorentz; a aparência não pode ser tratada como uma fotografia simultânea de um quadrado rígido apenas girado.

D10
Física Moderna — Confinamento quântico em cavidade

Um elétron está confinado numa cavidade esférica de raio a, com fronteira intransponível.

(a) Estime o módulo da velocidade e a energia total no estado fundamental.

(b) No modelo de Bohr, o estado fundamental do hidrogênio tem raio $r_B$ e velocidade $v_B$. Determine a condição em $a/r_B$ para que a velocidade estimada na cavidade seja maior que $v_B$.

Resposta calculada pelo Método TEF

Pela estimativa de incerteza: $v\sim\sqrt3h/(8\pi ma)$, $E\sim3h^2/(128\pi^2ma^2)$ e $a/r_B<\sqrt3/4$. Para a cavidade infinita resolvida exatamente: $E_0=\pi^2\hbar^2/(2ma^2)$ e $a/r_B<\pi$.
Resolução

Uma estimativa pela incerteza usa $\Delta x\sim2a$ em cada coordenada e satura a desigualdade de Heisenberg. Ela determina uma escala de confinamento, não o valor exato do estado fundamental.

\[\Delta x\,\Delta p_x\gtrsim\frac\hbar2.\]\[\Delta p_x\sim\frac\hbar{4a}.\]\[v_{\rm est}\sim\frac{\sqrt3\,\hbar}{4ma}=\frac{\sqrt3\,h}{8\pi ma}.\]\[E_{\rm est}\sim\frac{3\hbar^2}{32ma^2}=\frac{3h^2}{128\pi^2ma^2}.\]

No modelo de Bohr, $mv_Br_B=\hbar$; usando a mesma estimativa:

\[\frac{v_{\rm est}}{v_B}=\frac{\sqrt3\,r_B}{4a}.\]\[\frac a{r_B}<\frac{\sqrt3}{4}.\]

Se o enunciado for interpretado como cálculo exato da cavidade esférica de potencial infinito, o modo radial fundamental satisfaz $ka=\pi$ e fornece outros fatores numéricos:

\[v_{\rm rms}=\frac{\pi\hbar}{ma}.\]\[E_0=\frac{\pi^2\hbar^2}{2ma^2}.\]\[v_{\rm rms}>v_B\iff\frac a{r_B}<\pi.\]

A diferença não é algébrica: a saturação com a largura geométrica $2a$ é apenas uma estimativa grosseira, enquanto a condição de contorno determina o estado quântico exato. Em um estado estacionário esférico, a velocidade média vetorial é nula; o módulo acima é a velocidade quadrática média associada à energia cinética.

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