ITA 2020 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Tecnológico de Aeronáutica

Vestibular 2020 · 1ª fase · Física (Q01–Q15) · gabarito oficial ITA conferido — Q12 anulada · resoluções comentadas pelo Método TEF.

Q01
Física Geral — Análise dimensional — Teoria N-dimensional

Considere uma teoria na qual a força de interação entre duas “cargas generalizadas” $q_1$ e $q_2$ em universos $N$-dimensionais é expressa por $F_e=q_1q_2/(\kappa r^{N-1})$, em que $\kappa$ é uma constante característica do meio. A teoria também prevê uma força entre dois “polos generalizados” $p_1$ e $p_2$ expressa por $F_m=p_1p_2/(\mu r^{N-1})$, na qual $\mu$ é outra constante característica do meio. Sabe-se ainda que um polo $p$ pode interagir com uma corrente de carga, $i$, gerando uma força $F=ip/(r^{N-2})$. Em todos os casos, $r$ representa a distância entre os entes interagentes. Considerando as grandezas fundamentais massa, comprimento, tempo e corrente de carga, assinale a alternativa que corresponde à fórmula dimensional de $\kappa\mu$.

A)$L^2T^{-2}$.
B)$L^{-2}T^2$.
C)$L^{-2}T^{-2}$.
D)$L^{1-N}T^2$.
E)$L^{-2}T^{N-1}$.

Gabarito Oficial ITA

B
Resolução — Método TEF

Combine as dimensões das forças fornecidas. A corrente elétrica é carga por unidade de tempo:

\[[F]=MLT^{-2}\]
\[[r]=L\]
\[[i]=I\]
\[[q]=IT\]

Na interação entre cargas, isole a dimensão da constante:

\[F_e=\frac{q_1q_2}{\kappa r^{N-1}}\]
\[[\kappa]=\frac{[q]^2}{[F]L^{N-1}}\]
\[[\kappa]=M^{-1}L^{-N}T^4I^2\]

Na interação entre polo e corrente, determine a dimensão da intensidade do polo:

\[F=\frac{ip}{r^{N-2}}\]
\[[p]=\frac{[F]L^{N-2}}{I}\]
\[[p]=ML^{N-1}T^{-2}I^{-1}\]

Use a força entre polos para obter a dimensão da outra constante:

\[[\mu]=\frac{[p]^2}{[F]L^{N-1}}\]
\[[\mu]=ML^{N-2}T^{-2}I^{-2}\]

Multiplique os resultados. Os expoentes de massa e corrente se anulam, assim como a dependência de N:

\[[\kappa\mu]=(M^{-1}L^{-N}T^4I^2)(ML^{N-2}T^{-2}I^{-2})\]
\[[\kappa\mu]=L^{-2}T^2\]

Não atribua à carga a dimensão de corrente: o fator de tempo é necessário para o resultado.

Alternativa correta: B

Q02
Mecânica — Cinemática — Interceptação e perseguição

Um sistema de defesa aérea testa separadamente dois mísseis contra alvos móveis que se deslocam com velocidade $\vec v_a$ constante ao longo de uma reta distante de $d$ do ponto de lançamento dos mísseis. Para atingir o alvo, o míssil 1 executa uma trajetória retilínea, enquanto o míssil 2, uma trajetória com velocidade sempre orientada para o alvo. A figura ilustra o instante de disparo de cada míssil, com o alvo passando pela origem do sistema de coordenadas $xy$. Sendo os módulos das velocidades dos mísseis iguais entre si, maiores que $v_a$ e mantidos constantes, considere as seguintes afirmações:

I. Os intervalos de tempo entre o disparo e a colisão podem ser iguais para ambos os mísseis.

II. Para que o míssil 1 acerte o alvo é necessário que o módulo da componente $y$ de sua velocidade seja igual a $v_a$.

III. Desde o disparo até a colisão, o míssil 2 executa uma trajetória curva de concavidade positiva com relação ao sistema $xy$.

Considerando V como verdadeira e F como falsa, as afirmações I, II e III são, respectivamente,

Figura original: alvo sobre o eixo y, dois mísseis lançados a partir de x=d e eixos cartesianos.
A)V, V e V.
B)F, F e F.
C)V, F e V.
D)F, V e F.
E)F, V e V.

Gabarito Oficial ITA

E
Resolução

II — Verdadeira. No lançamento retilíneo, o míssil 1 se desloca com componentes constantes. Como ele e o alvo partem do mesmo nível vertical, para se encontrarem no mesmo instante é necessário que percorram exatamente o mesmo deslocamento vertical: $v_{1y}t=v_at$. Consequentemente, $|v_{1y}|=v_a$.

I — Falsa. Seja $u$ a rapidez de cada míssil. O míssil 1 já aponta diretamente para o ponto futuro de encontro, e sua componente horizontal tem módulo $\sqrt{u^2-v_a^2}$. Assim, ele chega em $t_1=d/\sqrt{u^2-v_a^2}$. O míssil 2, porém, ajusta continuamente sua direção para apontar para a posição instantânea do alvo, percorrendo uma curva; no problema, sua perseguição exige tempo superior ao da interceptação retilínea, $t_2>t_1$.

III — Verdadeira. Na trajetória do míssil 2 a direção da velocidade muda continuamente enquanto o alvo sobe no eixo $y$. Como a perseguição começa apontando aproximadamente para a esquerda e vai se encurvando para acompanhar a subida do alvo, o traçado $y(x)$ tem a concavidade positiva indicada pela geometria.

A sequência é, portanto, F, V e V, correspondente à alternativa E.

Cuidado, armadilha! Interceptar a posição futura do alvo não é a mesma estratégia de persegui-lo apontando sempre para sua posição atual.

Alternativa correta: E

Q03
Mecânica — Oscilações — Molas em paralelo

Um bloco de massa $m$ sustentado por um par de molas idênticas, paralelas e de constante elástica $k$, desce verticalmente com velocidade constante e de módulo $v$ controlada por um motor, conforme ilustra a figura. Se o motor travar repentinamente, ocorrerá uma força de tração máxima no cabo com módulo igual a

Arranjo de polias, motor e bloco suspenso por duas molas paralelas de constante k.
A)$mg+\sqrt{(mg)^2+2kmv^2}$.
B)$mg+\sqrt{(mg)^2+kmv^2}$.
C)$mg+\sqrt{2kmv^2}$.
D)$mg+\sqrt{4kmv^2}$.
E)$mg+\sqrt{kmv^2}$.

Gabarito Oficial ITA

C
Resolução

As duas molas estão em paralelo e possuem a mesma deformação. Logo, a constante elástica equivalente é $k_e=2k$. Durante a descida com velocidade constante, a resultante sobre o bloco é nula e a tração elástica vale $mg$.

Se $x_e$ é a deformação inicial, temos $2kx_e=mg$. Logo após o travamento, a velocidade do bloco ainda é $v$, mas o conjunto passa a oscilar em torno da posição de equilíbrio.

Se o bloco desce um deslocamento adicional $y$ até parar momentaneamente, a energia cinética inicial se transforma em energia potencial elástica adicional, descontando o trabalho do peso. Como a posição inicial é a de equilíbrio, os termos lineares se cancelam: \[\frac12mv^2=\frac12(2k)y^2\quad\Rightarrow\quad y=v\sqrt{\frac{m}{2k}}.\]

No ponto mais baixo a tração é máxima: \[T_{\max}=2k(x_e+y)=mg+2kv\sqrt{\frac{m}{2k}}=mg+\sqrt{2kmv^2}.\] Portanto, C.

Cuidado, armadilha! A associação é paralela: a rigidez total vale $2k$. Não confunda tração máxima com apenas a força elástica adicional.

Alternativa correta: C

Q04
Fluidos — Continuidade — Alcance máximo de jatos

Por uma mangueira de diâmetro $D_1$ flui água a uma velocidade de $360\ \text{m/min}$, conectando-se na sua extremidade a $30$ outras mangueiras iguais entre si, de diâmetro $D_2<D_1$. Assinale a relação $D_2/D_1$ para que os jatos de água na saída das mangueiras tenham alcance horizontal máximo de $40\ \text{m}$.

A)$1/10$.
B)$\sqrt{3/10}$.
C)$4/5$.
D)$1/2$.
E)$\sqrt{2/3}$.

Gabarito Oficial ITA

A
Resolução

Convertemos a velocidade inicial para o SI: $v_1=360/60=6\ \text{m/s}$. Como a água é incompressível, a vazão que atravessa a mangueira maior se distribui pelas 30 menores.

Pela equação da continuidade, \[A_1v_1=30A_2v_2.\] Como as áreas são proporcionais ao quadrado dos diâmetros, \[v_2=\frac{v_1}{30}\left(\frac{D_1}{D_2}\right)^2.\]

Para um jato lançado e recebido à mesma altura, o alcance máximo ocorre no ângulo de $45^\circ$, quando $R_{\max}=v_2^2/g$. Portanto, \[40=\frac{v_2^2}{10}\quad\Rightarrow\quad v_2=20\ \text{m/s}.\]

Substituindo na continuidade: \[20=\frac6{30}\left(\frac{D_1}{D_2}\right)^2\quad\Rightarrow\quad\left(\frac{D_1}{D_2}\right)^2=100\quad\Rightarrow\quad \frac{D_2}{D_1}=\frac1{10}.\] Resposta A.

Cuidado, armadilha! A vazão se divide entre 30 mangueiras e não apenas uma. A área varia com $D^2$, não linearmente com $D$.

Alternativa correta: A

Q05
Mecânica — Gravitação — Órbita parabólica e elíptica

Um satélite artificial viaja em direção a um planeta ao longo de uma trajetória parabólica. A uma distância $d$ desse corpo celeste, propulsores são acionados de modo a, a partir daquele instante, mudar o módulo da velocidade do satélite de $v_p$ para $v_e$ e também a sua trajetória, que passa a ser elíptica em torno do planeta, com semieixo maior $a$. Sendo a massa do satélite desproporcionalmente menor que a do planeta, a razão $v_e/v_p$ é dada por

A)$\sqrt{\dfrac da-\dfrac12}$.
B)$\sqrt{\dfrac d{2a}}$.
C)$\sqrt{1-\dfrac d{2a}}$.
D)$\sqrt{1+\dfrac d{2a}}$.
E)$\sqrt{1-\dfrac da}$.

Gabarito Oficial ITA

C
Resolução

Para um corpo muito menos massivo que o planeta, podemos considerar o parâmetro gravitacional $GM$, com $M$ a massa planetária. Na trajetória parabólica, a energia mecânica total do satélite é nula: \[\frac12mv_p^2-\frac{GMm}{d}=0\quad\Rightarrow\quad v_p^2=\frac{2GM}{d}.\]

Para uma órbita elíptica de semieixo maior $a$, a energia total é $E_e=-GMm/(2a)$. Imediatamente após a manobra, à mesma distância $d$, \[\frac12mv_e^2-\frac{GMm}{d}=-\frac{GMm}{2a}.\]

Isolando a nova rapidez, \[v_e^2=GM\left(\frac2d-\frac1a\right).\] Dividindo pela rapidez parabólica ao quadrado, \[\left(\frac{v_e}{v_p}\right)^2=\frac{\dfrac2d-\dfrac1a}{\dfrac2d}=1-\frac d{2a}.\]

A razão positiva é \[\frac{v_e}{v_p}=\sqrt{1-\frac d{2a}}.\]

Cuidado, armadilha! A velocidade parabólica corresponde à energia total nula, não à velocidade de órbita circular. O semieixo maior, e não o raio instantâneo, determina a energia da elipse.

Alternativa correta: C

Q06
Mecânica — Trabalho e energia — Choques sucessivos

Uma pequena esfera com peso de módulo $P$ é arremessada verticalmente para cima com velocidade de módulo $V_0$ a partir do solo. Durante todo o percurso, atua sobre a esfera uma força de resistência do ar de módulo $F$ constante. A distância total percorrida pela esfera após muitas reflexões elásticas com o solo é dada aproximadamente por

A)$\dfrac{V_0^2(P-F)}{2gF}$.
B)$\dfrac{V_0^2(P+F)}{2gF}$.
C)$\dfrac{2V_0^2P}{gF}$.
D)$\dfrac{V_0^2P}{2gF}$.
E)$\dfrac{V_0^2P}{gF}$.

Gabarito Oficial ITA

D
Resolução

Durante a subida atuam peso e resistência, ambos contrários ao movimento. Como a massa vale $m=P/g$, a distância até a primeira altura máxima é \[h_0=\frac{mV_0^2}{2(P+F)}=\frac{PV_0^2}{2g(P+F)}.\]

Na descida, o peso favorece o movimento e a resistência se opõe; a força resultante tem módulo $P-F$. A energia cinética imediatamente antes da colisão com o piso é $K_1=(P-F)h_0$. O choque elástico devolve essa mesma energia cinética à esfera.

A primeira subida seguinte, portanto, terá altura \[h_1=\frac{K_1}{P+F}=h_0\frac{P-F}{P+F}.\] Cada subida e descida seguinte repete o mesmo fator $\alpha=(P-F)/(P+F)$; supõe-se $0

A distância total até cessarem os saltos é a soma de todas as subidas e descidas: \[S=2(h_0+h_1+h_2+\cdots)=\frac{2h_0}{1-\alpha}.\] Como \[1-\alpha=\frac{2F}{P+F},\] segue \[S=\frac{PV_0^2}{2gF}.\] Resposta D.

Cuidado, armadilha! A resistência troca de sentido quando a esfera inverte o movimento. Na subida a força retardadora é $P+F$, enquanto na descida a resultante é $P-F$.

Alternativa correta: D

Q07
Física moderna — Relatividade e fotoeletricidade — Plataforma móvel

A figura ilustra um experimento numa plataforma que, no referencial de um observador externo, se move com velocidade $\vec v$ constante de módulo comparável ao da velocidade da luz. No instante $t_0$, a fonte F emite um pulso de luz de comprimento de onda $\lambda$ que incide sobre a placa metálica A, sendo por ela absorvido e, em consequência, emitindo elétrons, que são desacelerados pela diferença de potencial $V_{AB}$. Considerando que os elétrons atingem a placa B a partir do instante $t$, assinale a alternativa que referencia apenas variações independentes que diminuem o intervalo de tempo $\Delta t=t-t_0$ medido pelo observador.

Experimento original: plataforma móvel, fonte de fótons F, placas A e B com polaridades e observador externo.
A)Aumento de $\lambda$, aumento de $V_{AB}$, diminuição de $v$.
B)Diminuição de $\lambda$, diminuição de $V_{AB}$, diminuição de $v$.
C)Diminuição de $\lambda$, aumento de $V_{AB}$, diminuição de $v$.
D)Diminuição de $\lambda$, diminuição de $V_{AB}$, aumento de $v$.
E)Aumento de $\lambda$, aumento de $V_{AB}$, aumento de $v$.

Gabarito Oficial ITA

B
Resolução

A duração total observada reúne a propagação do pulso até a placa A e o percurso posterior dos elétrons de A até B. Devemos escolher alterações que encurtem o tempo necessário para os dois processos.

Comprimento de onda. A energia de um fóton é $E=hc/\lambda$. Reduzir $\lambda$ aumenta a energia absorvida e, no efeito fotoelétrico, a energia cinética inicial disponível para o elétron: \[K_{\max}=\frac{hc}{\lambda}-\phi.\] Elétrons mais energéticos atravessam a região entre as placas em menos tempo, quando alcançam B.

Diferença de potencial. A figura indica que os elétrons são desacelerados ao se dirigirem da placa A para a B. Diminuir a diferença de potencial retardadora $V_{AB}$ reduz essa perda de energia cinética, encurtando o tempo de trânsito.

Velocidade da plataforma. No referencial externo, aumentar o módulo da velocidade da plataforma afasta a placa receptora do pulso que a alcança no sentido do movimento e intensifica os efeitos relativísticos do tempo observado. Diminuir $v$ reduz o intervalo externo de propagação e trânsito, mantendo fixas as demais condições experimentais.

As três alterações favoráveis são: reduzir $\lambda$, reduzir $V_{AB}$ e reduzir $v$. Resposta B.

Cuidado, armadilha! O potencial entre as placas é retardador para os elétrons, não acelerador. Além disso, o tempo solicitado é medido pelo observador externo.

Alternativa correta: B

Q08
Mecânica — Oscilações — Dilatação de pêndulo

Num ambiente controlado, o período de um pêndulo simples é medido a uma temperatura $T$. Sendo $\alpha=2\times10^{-4}\ ^\circ\text{C}^{-1}$ o coeficiente de dilatação linear do fio do pêndulo, e considerando a aproximação binomial $(1+x)^n\approx1+nx$, para $|x|\ll1$, pode-se dizer que, com aumento de $10\ ^\circ\text{C}$, o período do pêndulo

A)aumenta de $0{,}1\%$.
B)aumenta de $0{,}05\%$.
C)diminui de $0{,}1\%$.
D)diminui de $0{,}05\%$.
E)permanece inalterado.

Gabarito Oficial ITA

A
Resolução

O período de pequenas oscilações é $T_p=2\pi\sqrt{\ell/g}$, de modo que o período cresce com a raiz quadrada do comprimento. O aquecimento dilata o fio.

A dilatação relativa do comprimento é \[\frac{\Delta\ell}{\ell}=\alpha\Delta T=2\times10^{-4}\cdot10=2\times10^{-3}.\] Portanto, $\ell^{\prime}=\ell(1+0{,}002)$.

A razão dos períodos é \[\frac{T_p^{\prime}}{T_p}=\sqrt{\frac{\ell^{\prime}}\ell}=\sqrt{1+0{,}002}\approx1+\frac{0{,}002}{2}=1{,}001.\]

O período aumenta $0{,}001$ do valor inicial, isto é, $0{,}1\%$. Alternativa A.

Cuidado, armadilha! O período não é proporcional ao comprimento, mas à sua raiz quadrada. A variação percentual do período é aproximadamente metade da dilatação relativa.

Alternativa correta: A

Q09
Termologia — Gases — Calores específicos

Uma certa quantidade de gás com temperatura inicial $T_0$, pressão $P_0$ e volume $V_0$, é aquecida por uma corrente elétrica que flui por um fio de platina num intervalo de tempo $\Delta t$. Esse procedimento é feito duas vezes: primeiro, com volume constante $V_0$ e pressão variando de $P_0$ para $P_1$ e, a seguir, com pressão constante $P_0$ e volume variando de $V_0$ para $V_1$. Assinale a alternativa que explicita a relação $C_P/C_V$ do gás.

A)$\dfrac{\dfrac{P_0}{P_1}-1}{\dfrac{V_0}{V_1}-1}$.
B)$\dfrac{\dfrac{P_1}{P_0}-1}{\dfrac{V_1}{V_0}-1}$.
C)$\dfrac{\dfrac{2P_0}{P_1}-1}{\dfrac{V_0}{V_1}-1}$.
D)$\dfrac{\dfrac{2P_1}{P_0}-1}{\dfrac{V_1}{V_0}-1}$.
E)$\dfrac{\dfrac{P_1}{P_0}-1}{\dfrac{2V_1}{V_0}-1}$.

Gabarito Oficial ITA

B
Resolução

Nos dois experimentos, a mesma corrente aquece o mesmo fio durante o mesmo intervalo $\Delta t$. O aquecimento elétrico fornece a mesma quantidade de calor $Q$ ao gás, admitindo as mesmas condições elétricas e perdas desprezíveis.

No aquecimento a volume constante, a lei dos gases ideais dá $P/T=\text{constante}$; portanto \[T_V=T_0\frac{P_1}{P_0},\qquad \Delta T_V=T_0\left(\frac{P_1}{P_0}-1\right).\] O calor recebido é $Q=nC_V\Delta T_V$.

No aquecimento a pressão constante, $V/T=\text{constante}$; então \[T_P=T_0\frac{V_1}{V_0},\qquad \Delta T_P=T_0\left(\frac{V_1}{V_0}-1\right).\] O calor recebido é $Q=nC_P\Delta T_P$.

Igualando os calores e cancelando $nT_0$, \[C_V\left(\frac{P_1}{P_0}-1\right)=C_P\left(\frac{V_1}{V_0}-1\right).\] Assim, \[\frac{C_P}{C_V}=\frac{P_1/P_0-1}{V_1/V_0-1}.\] Resposta B.

Cuidado, armadilha! A igualdade dos tempos de aquecimento não equivale à igualdade das variações de temperatura: é o calor fornecido que se iguala.

Alternativa correta: B

Q10
Magnetismo — Torque magnético — Cilindro em plano inclinado

Ao redor de um cilindro de massa $m$, raio $a$ e comprimento $b$, são enroladas simétrica e longitudinalmente $N$ espiras. Estas são dispostas paralelamente a um plano inclinado onde se encontra um cilindro, que não desliza devido ao atrito com a superfície do plano. Considerando a existência de um campo magnético uniforme e vertical $\vec B$ na região, assinale a intensidade da corrente $i$ que deve circular nas espiras para que o conjunto permaneça em repouso na posição indicada pela figura.

Figura original de cilindro com N espiras em plano inclinado sob campo magnético vertical.
A)$\dfrac{mg}{2bB}$.
B)$\dfrac{Nmg}{2aB}$.
C)$\dfrac{Nmg}{bB}$.
D)$\dfrac{mg}{2aBN}$.
E)$\dfrac{mg}{2bBN}$.

Gabarito Oficial ITA

E
Resolução

Para manter o cilindro em repouso, precisamos impor equilíbrio das forças ao longo do plano e equilíbrio dos momentos em torno do eixo do cilindro. A força magnética atua sobre o enrolamento produzindo um torque.

A componente tangencial do peso é $mg\sin\theta$. O atrito estático deve equilibrá-la em intensidade: \[f=mg\sin\theta.\] Esse atrito exerce um momento de módulo $\tau_f=fa=mga\sin\theta$ em relação ao eixo.

Cada espira longitudinal contorna uma seção de largura $2a$ e comprimento $b$ e possui área efetiva $A=2ab$. O momento magnético das $N$ espiras tem módulo $\mu_m=NiA=2Niab$. Pela orientação da espira em relação ao campo vertical, o torque útil sobre o eixo é \[\tau_m=2NiabB\sin\theta.\]

Na condição de equilíbrio rotacional, \[2NiabB\sin\theta=mga\sin\theta.\] Cancelando $a$ e $\sin\theta$, \[i=\frac{mg}{2bBN}.\] Logo, E.

Cuidado, armadilha! Não use área $\pi a^2$: a espira é longitudinal ao cilindro, com área efetiva $2ab$. É necessário considerar o torque do atrito estático.

Alternativa correta: E

Q11
Ondas — Interferência sonora — Tubo deslizante

O som produzido pelo alto-falante F (fonte) ilustrado na figura tem frequência de $10\ \text{kHz}$ e chega a um microfone M através de dois caminhos diferentes. As ondas sonoras viajam simultaneamente pelo tubo esquerdo FXM, de comprimento fixo, e pelo tubo direito FYM, cujo comprimento pode ser alterado movendo-se a seção deslizante (tal qual um trombone). As ondas sonoras que viajam pelos dois caminhos interferem-se em M. Quando a seção deslizante do caminho FYM é puxada para fora por $0{,}025\ \text{m}$, a intensidade sonora detectada pelo microfone passa de um máximo para um mínimo. Assinale o módulo da velocidade do som no interior do tubo.

Experimento original de interferência de som com tubos FXM e FYM e seção deslizante.
A)$5{,}0\times10^2\ \text{m/s}$.
B)$2{,}5\times10^2\ \text{m/s}$.
C)$1{,}0\times10^3\ \text{m/s}$.
D)$2{,}0\times10^3\ \text{m/s}$.
E)$3{,}4\times10^2\ \text{m/s}$.

Gabarito Oficial ITA

C
Resolução

As ondas partem de uma única fonte e percorrem caminhos de comprimentos distintos. Sua superposição em M depende da diferença de caminho óptico/acústico entre os dois percursos.

Ao puxar a seção deslizante em $x=0{,}025\ \text{m}$, os dois segmentos da parte móvel do tubo direito aumentam de comprimento. A variação total do percurso direito é \[\Delta L=2x=2\cdot0{,}025=0{,}050\ \text{m}.\]

Para a intensidade mudar de um máximo para o mínimo vizinho, a diferença de fase se altera em $\pi$, isto é, a diferença de caminho aumenta meio comprimento de onda: \[\Delta L=\frac\lambda2.\] Portanto, $\lambda=0{,}100\ \text{m}$.

Como $f=10\ \text{kHz}=10^4\ \text{Hz}$, a velocidade é \[v=\lambda f=0{,}100\cdot10^4=1{,}0\times10^3\ \text{m/s}.\] Resposta C.

Cuidado, armadilha! O deslocamento da peça é $0{,}025\ \text{m}$, mas o caminho sonoro cresce o dobro, porque há dois trechos deslizantes.

Alternativa correta: C

Q12
Eletricidade — Capacitores — Reostato (anulada)

Considere o circuito da figura no qual há uma chave elétrica, um reostato linear de comprimento total de $20\ \text{cm}$, uma fonte de tensão $V=1{,}5\ \text{V}$ e um capacitor de capacitância $C=10\ \mu\text{F}$ conectado a um ponto intermediário do reostato, de modo a manter contato elétrico e permitir seu carregamento. A resistência $R$ entre uma das extremidades do reostato e o ponto de contato elétrico, a uma distância $x$, varia segundo o gráfico ao lado.

Circuito original com fonte, chave, reostato e capacitor conectado ao cursor
Gráfico original de resistência R em função da posição x do reostato

Com a chave fechada e no regime estacionário, a carga no capacitor é igual a

QUESTÃO ANULADA OFICIALMENTE. O ITA atribuiu a pontuação a todos os candidatos, devido a erro de digitação. O valor obtido da análise do circuito não aparece entre as alternativas.
A)$1{,}5\ \text{mC}$.
B)$75\ \mu\text{C}$.
C)$75x\ \mu\text{C/cm}$.
D)$15x\ \mu\text{C/cm}$.
E)$7{,}5\ \mu\text{C}$.

Gabarito Oficial — Anulada

ANU
Resolução

O gráfico é linear e passa pelos pontos $(0\ \text{cm},0\ \Omega)$ e $(20\ \text{cm},60\ \Omega)$. Assim, a resistência entre a extremidade superior e o cursor, a uma distância $x$ em centímetros, é $R_x=3x\ \Omega$.

No regime estacionário, o capacitor se comporta como um ramo aberto: não há corrente sustentada passando por ele. A corrente no reostato inteiro é \[I=\frac{V}{R_{\text{total}}}=\frac{1{,}5}{60}=0{,}025\ \text{A}.\]

O capacitor está ligado entre o cursor e a extremidade superior do reostato. Portanto, sua tensão corresponde à queda no trecho de resistência $R_x$: \[V_C=IR_x=0{,}025\cdot3x=0{,}075x\ \text{V},\] com $x$ em centímetros.

Sua carga vale \[Q=CV_C=(10\ \mu\text{F})(0{,}075x\ \text{V})=0{,}75x\ \mu\text{C/cm}.\] A expressão correta é $Q=0{,}75x\ \mu\text{C/cm}$ quando $x$ é dado em centímetros. Ela não consta das cinco opções; por isso a banca anulou a questão.

O gabarito oficial registra a Q12 como anulada por erro de digitação. Não se deve marcar artificialmente uma das alternativas como correta; a resolução física continua instrutiva.

Cuidado, armadilha! O capacitor está conectado ao trecho superior do reostato e, em corrente contínua estacionária, não altera a corrente no divisor resistivo. A alternativa correspondente ao cálculo inexiste.

Questão anulada oficialmente (sem alternativa válida).

Q13
Eletrostática — Equilíbrio de cargas — Três esferas suspensas

Três esferas idênticas de massa $m$, carga elétrica $Q$ e dimensões desprezíveis, são presas a extremidades de fios isolantes e inextensíveis de comprimento $l$. As demais pontas dos fios são fixadas a um ponto $P$, que sustenta as massas. Na condição de equilíbrio do sistema, verifica-se que o ângulo entre um dos fios e a direção vertical é $\theta$, conforme mostra a figura. Sendo $\varepsilon_0$ a permissividade elétrica do meio, o valor da carga elétrica $Q$ é dado por

Esquema original em perspectiva das três esferas carregadas presas ao mesmo ponto P.
A)$l\sqrt{12\pi\varepsilon_0mg\sin\theta\cos\theta}$.
B)$l\sqrt{4\pi\varepsilon_0mg\tan\theta\sqrt3}$.
C)$l\sin\theta\sqrt{4\pi\varepsilon_0mg\tan\theta\sqrt3}$.
D)$l\sin\theta\sqrt{\dfrac{4\pi\varepsilon_0mg\tan\theta}{\sqrt3}}$.
E)$l\sin\theta\sqrt{4\pi\varepsilon_0mg\tan\theta}$.

Gabarito Oficial ITA

C
Resolução

Como as esferas têm a mesma massa e a mesma carga, o equilíbrio é simétrico. Elas se posicionam nos vértices de um triângulo equilátero horizontal. A figura mostra uma projeção em perspectiva: a esfera central no desenho não está necessariamente abaixo das outras no espaço.

O raio da circunferência horizontal que passa pelas três esferas é $r=l\sin\theta$. Para um triângulo equilátero de raio circunscrito $r$, seu lado é \[d=\sqrt3\ r=\sqrt3\ l\sin\theta.\]

A força elétrica de cada uma das outras esferas tem módulo \[F=\frac{Q^2}{4\pi\varepsilon_0d^2}=\frac{Q^2}{12\pi\varepsilon_0l^2\sin^2\theta}.\] Essas duas forças fazem $60^\circ$ entre si, logo a resultante horizontal é \[F_e=2F\cos30^\circ=\sqrt3 F=\frac{Q^2}{4\pi\varepsilon_0\sqrt3\ l^2\sin^2\theta}.\]

Para uma esfera, o equilíbrio das forças fornece $T\cos\theta=mg$ e $T\sin\theta=F_e$. Dividindo as equações, \[mg\tan\theta=\frac{Q^2}{4\pi\varepsilon_0\sqrt3\ l^2\sin^2\theta}.\]

Isolando o módulo da carga, \[Q=l\sin\theta\sqrt{4\pi\varepsilon_0mg\sqrt3\tan\theta}.\]

Cuidado, armadilha! O diagrama representa três esferas em perspectiva, e não três fios necessariamente coplanares. A distância entre as cargas é $\sqrt3\ l\sin\theta$, não $2l\sin\theta$.

Alternativa correta: C

Q14
Óptica — Refração — Lente e bloco transparente

Dois raios luminosos paralelos e simétricos em relação ao eixo óptico, interdistantes de $2\ \text{mm}$, devem ser focados em um ponto P no interior de um bloco transparente, a $1\ \text{mm}$ de sua superfície, conforme mostra a figura. Para tal, utiliza-se uma lente delgada convergente com distância focal de $1\ \text{mm}$. Considerando que o bloco tem índice de refração $n=\sqrt2$, a distância $L$ entre o vértice V da lente e a superfície do bloco deve ser ajustada para

Diagrama original com lente convergente, par de raios paralelos e bloco transparente com ponto P.
A)$1\ \text{mm}$.
B)$\dfrac{\sqrt2}{2}\ \text{mm}$.
C)$(1-\dfrac{\sqrt2}{2})\ \text{mm}$.
D)$\dfrac{\sqrt3}{3}\ \text{mm}$.
E)$(1-\dfrac{\sqrt3}{3})\ \text{mm}$.

Gabarito Oficial ITA

E
Resolução

Os dois raios incidentes estão separados por $2\ \text{mm}$ e são simétricos; cada um chega à lente a $1\ \text{mm}$ do eixo. Sem o bloco, uma lente de foco $f=1\ \text{mm}$ faria os raios convergirem no foco a $1\ \text{mm}$ da lente.

O raio refratado pela lente no ar desenha um triângulo retângulo com catetos $1\ \text{mm}$ e $1\ \text{mm}$. Assim, o ângulo de incidência sobre a face vertical do bloco é $i=45^\circ$. Não é adequado aproximá-lo por um ângulo muito pequeno.

Pela lei de Snell, com índice do ar igual a 1, \[\sin i=\sqrt2\sin r\quad\Rightarrow\quad\sin r=\frac{\sin45^\circ}{\sqrt2}=\frac12.\] Logo, o ângulo no bloco é $r=30^\circ$.

Dentro do bloco o ponto P está a $1\ \text{mm}$ da superfície. Como a inclinação do raio vale $\tan30^\circ=1/\sqrt3$, o raio deve chegar à superfície do bloco a uma altura \[y=1\ \text{mm}\cdot\tan30^\circ=\frac1{\sqrt3}\ \text{mm}\] acima do eixo óptico.

Do ponto de saída da lente até a superfície, o raio desce a mesma distância horizontal que percorre, pois $\tan45^\circ=1$. Portanto, $1-L=1/\sqrt3$ (distâncias em milímetros), ou \[L=\left(1-\frac{\sqrt3}{3}\right)\ \text{mm}.\] Alternativa E.

Cuidado, armadilha! Não use aproximação para ângulos pequenos em $45^\circ$: ela produziria $1-\sqrt2/2$, uma alternativa incorreta que foi colocada como distrator.

Alternativa correta: E

Q15
Termologia — Máquinas térmicas — Cascata e Carnot

Considere um sistema de três máquinas térmicas $M_1$, $M_2$ e $M_3$ acopladas, tal que o rejeito energético de uma é aproveitado pela seguinte. Sabe-se que a cada ciclo, $M_1$ recebe $800\ \text{kJ}$ de calor de uma fonte quente a $300\ \text{K}$ e rejeita $600\ \text{kJ}$, dos quais $150\ \text{kJ}$ são aproveitados por $M_2$ para realização de trabalho. Por fim, $M_3$ aproveita o rejeito de $M_2$ e descarta $360\ \text{kJ}$ em uma fonte fria a $6\ \text{K}$. São feitas as seguintes afirmações:

I. É inferior a $225\ \text{K}$ a temperatura da fonte fria de $M_1$.

II. O rendimento do sistema é de $55\%$.

III. O rendimento do sistema corresponde a $80\%$ do rendimento de uma máquina de Carnot operando entre as mesmas temperaturas.

Conclui-se então que

A)somente a afirmação I está incorreta.
B)somente a afirmação II está incorreta.
C)somente a afirmação III está incorreta.
D)todas as afirmações estão corretas.
E)as afirmações I e III estão incorretas.

Gabarito Oficial ITA

E
Resolução

Começamos pelo balanço de energia de cada máquina. A primeira recebe $800\ \text{kJ}$ e rejeita $600\ \text{kJ}$; portanto realiza \[W_1=800-600=200\ \text{kJ}.\]

A segunda recebe os $600\ \text{kJ}$ rejeitados pela primeira e converte $150\ \text{kJ}$ em trabalho: $W_2=150\ \text{kJ}$ e seu rejeito vale $Q_{2,\text{out}}=600-150=450\ \text{kJ}$. A terceira transforma em trabalho a diferença entre esse rejeito e os $360\ \text{kJ}$ descartados: \[W_3=450-360=90\ \text{kJ}.\]

II — Verdadeira. O trabalho total é $W=200+150+90=440\ \text{kJ}$, e o sistema recebe externamente $800\ \text{kJ}$. Assim, \[\eta=\frac{440}{800}=0{,}55=55\%.\]

III — Falsa. A máquina de Carnot ideal entre as temperaturas extremas $300\ \text{K}$ e $6\ \text{K}$ teria \[\eta_C=1-\frac6{300}=0{,}98=98\%.\] O rendimento do sistema é $55/98\approx56{,}1\%$ do rendimento ideal, e não $80\%$.

I — Incorreta como conclusão necessária. Para $M_1$, $\eta_1=W_1/Q_{1,\text{in}}=200/800=25\%$. Pela limitação de Carnot, \[0{,}25\le1-\frac{T_{f,1}}{300}\quad\Rightarrow\quad T_{f,1}\le225\ \text{K}.\] Isso não impõe temperatura estritamente inferior a $225\ \text{K}$: o caso limite reversível admite igualdade. Logo, não é possível afirmar o item I tal como escrito.

As afirmações I e III não são sustentadas; apenas II é correta. A resposta oficial é E.

Cuidado, armadilha! Não confunda $T\le225\ \text{K}$ com $T<225\ \text{K}$. A desigualdade estrita da afirmação I não pode ser inferida apenas dos dados da máquina.

Alternativa correta: E

D1
Mecânica — Encontro entre lançamento e movimento circular

Um anel de raio $R$ gira com velocidade angular constante $\omega$. Um alvo A cruza o semieixo positivo $x$ quando, do centro do anel, é lançado horizontalmente em sua direção um projétil de velocidade $v_0$. Despreze o ar.

(a) Determine o ângulo $\theta$ em que ocorre o encontro, medido abaixo do eixo $x$.

(b) Determine o tempo de voo.

(c) $\theta$ e o tempo determinam unicamente $\omega$? Justifique.

Figura original da questão 1 da segunda fase do ITA 2020.

Resposta calculada pelo Método TEF

$t=\sqrt{2R^2/(\sqrt{v_0^4+g^2R^2}+v_0^2)}$; $\theta=\arctan(gt/2v_0)$; $\omega=(\theta+2\pi n)/t$ não é único.
Resolução

O projétil tem $x=v_0t$ e $y=-gt^2/2$. Ao atingir a circunferência:

\[v_0^2t^2+\frac{g^2t^4}{4}=R^2.\]\[t^2=\frac{2}{g^2}\left(\sqrt{v_0^4+g^2R^2}-v_0^2\right).\]\[t=\sqrt{\frac{2R^2}{\sqrt{v_0^4+g^2R^2}+v_0^2}}.\]

O segundo formato é equivalente e evita a subtração de números próximos. O ângulo geométrico do impacto obedece a:

\[\tan\theta=\frac{|y|}{x}=\frac{gt}{2v_0}.\]\[\theta=\arctan\left(\frac{gt}{2v_0}\right).\]

Para o sentido de rotação indicado, o alvo pode completar um número inteiro de voltas antes do impacto.

\[\omega=\frac{\theta+2\pi n}{t},\qquad n=0,1,2,\ldots\]

O encontro pressuposto no enunciado só ocorre se $\omega$ satisfizer essa compatibilidade; o ângulo polar observado não informa o número de voltas.

D2
Mecânica — Equilíbrio com empuxo e atrito

Uma prancha homogênea de $5{,}0\,\mathrm m$, densidade $1{,}5\,\mathrm{g/cm^3}$ e massa $10\,\mathrm{kg}$ apoia-se numa parede lisa e num piso com coeficiente de atrito $0{,}6\sqrt3$, formando $30^\circ$ com o piso. A prancha é parcialmente submersa na água da piscina. Determine os níveis $y$ de água para os quais ela permanece em equilíbrio, incluindo a continuação até a submersão completa.

Figura original da questão 2 da segunda fase do ITA 2020.

Resposta calculada pelo Método TEF

$0\leq y\leq0{,}888\,\mathrm m$ ou $y\geq2{,}112\,\mathrm m$; no regime parcialmente submerso, o segundo ramo vai até $2{,}5\,\mathrm m$.
Resolução

Denote por $P$ o peso, $E$ o empuxo e $N_x,N_y$ as reações da parede e do piso. Para $0\leq y\leq2{,}5\,\mathrm m$, o comprimento molhado é $2y$.

\[\frac EP=\frac{1}{1{,}5}\frac{2y}{5}=\frac{4y}{15}.\]\[N_y=P-E.\]

O empuxo atua no centro da parte submersa, a uma distância horizontal $y\sqrt3/2$ do apoio inferior. Fazendo momentos nesse apoio:

\[2{,}5N_x=\frac{5\sqrt3}{4}P-\frac{\sqrt3 y}{2}E.\]\[N_x=\frac{\sqrt3}{2}P-\frac{\sqrt3 y}{5}E.\]

O atrito necessário é $N_x$; seu valor deve ser menor ou igual ao máximo estático.

\[N_x\leq0{,}6\sqrt3(P-E).\]\[8y^2-24y+15\geq0.\]\[y_- =\frac{6-\sqrt6}{4}\,\mathrm m.\]\[y_+ =\frac{6+\sqrt6}{4}\,\mathrm m.\]

A desigualdade é satisfeita fora do intervalo entre as raízes. Após a submersão completa, o empuxo fica constante em $2P/3$ e continua havendo equilíbrio.

\[0\leq y\leq y_-\quad\text{ou}\quad y\geq y_+.\]

Os dois ramos são importantes: um nível intermediário pode exigir atrito demais, mas a redução do torque efetivo em níveis altos restabelece o equilíbrio. Para submersão estritamente parcial, limite o segundo ramo a $y<2{,}5\,\mathrm m$.

D3
Mecânica — Mola no plano inclinado com atrito

Um bloco de massa $m$, preso a uma mola de constante $k$, move-se sobre um plano inclinado de $\alpha$, com coeficiente de atrito $\mu$. A coordenada $x$ é positiva para baixo e vale zero com a mola relaxada. O bloco é solto do repouso de $x=D$ e oscila.

(a) Determine as posições finais possíveis de repouso.

(b) Esboce $p$ em função de $x$ entre a liberação e a primeira parada.

Figura original da questão 3 da segunda fase do ITA 2020.

Resposta calculada pelo Método TEF

$x_f\in[mg(\sin\alpha-\mu\cos\alpha)/k,\,mg(\sin\alpha+\mu\cos\alpha)/k]$; o primeiro trecho de $p(x)$ é a semielipse negativa indicada.
Resolução

Em repouso, o atrito estático pode compensar a diferença entre a componente do peso e a força elástica.

\[|mg\sin\alpha-kx_f|\leq\mu mg\cos\alpha.\]\[\frac{mg}{k}(\sin\alpha-\mu\cos\alpha)\leq x_f\leq\frac{mg}{k}(\sin\alpha+\mu\cos\alpha).\]

No primeiro trecho, o bloco sobe e $p<0$. O atrito aponta para baixo; a perda mecânica é $\mu mg\cos\alpha(D-x)$.

\[\frac{p^2}{2m}=\frac{k}{2}(D^2-x^2)-mg(\sin\alpha+\mu\cos\alpha)(D-x).\]

Definindo o centro da curva:

\[x_c=\frac{mg}{k}(\sin\alpha+\mu\cos\alpha).\]\[\frac{p^2}{mk}+(x-x_c)^2=(D-x_c)^2.\]\[p=-\sqrt{mk}\sqrt{(D-x_c)^2-(x-x_c)^2}.\]

O esboço é a metade inferior de uma elipse, percorrida de $(D,0)$ até $(2x_c-D,0)$. No trecho, o momento é negativo, mesmo que seu módulo aumente inicialmente. Adota-se o mesmo coeficiente fornecido para deslizamento e limite estático; com coeficientes distintos, eles entram em etapas diferentes.

D4
Mecânica — Energia orbital e rotação planetária

Um planeta esférico de massa $M$ e raio $R$ gira com velocidade angular constante. Um satélite de massa $m\ll M$ é lançado da linha equatorial; os propulsores realizam trabalho $W$. A órbita final é elíptica, de semieixo maior $2R$. Determine (a) a excentricidade máxima que evita colisão com o planeta e (b) o período de rotação planetário.

Resposta calculada pelo Método TEF

$e_{\max}=1/2$ no limite tangente; $T=2\pi R\sqrt{2mR/(3GMm-4WR)}$.
Resolução

O menor raio orbital é o periastro $r_p=a(1-e)$. No limite sem interpenetração:

\[2R(1-e)\geq R.\]\[e_{\max}=\frac12.\]

A energia inicial inclui a velocidade que o satélite já possui por acompanhar a rotação equatorial do planeta.

\[v_0=\frac{2\pi R}{T}.\]\[E_i=\frac{mv_0^2}{2}-\frac{GMm}{R}.\]\[E_f=-\frac{GMm}{2a}=-\frac{GMm}{4R}.\]\[W=E_f-E_i=\frac{3GMm}{4R}-\frac{mv_0^2}{2}.\]\[T=2\pi R\sqrt{\frac{2mR}{3GMm-4WR}}.\]

É necessário $3GMm-4WR>0$ para um período real e finito. A igualdade corresponde ao limite de rotação inicial nula. Para não tocar a superfície, imponha estritamente $e<1/2$.

D5
Ondulatória — Interferência em três fendas

Ondas planas de comprimento de onda $\lambda$ incidem normalmente em três fendas igualmente espaçadas; a fenda central dista $d$ de cada vizinha. Num anteparo distante $D\gg d$, determine (a) a razão entre a intensidade do máximo central e a das franjas claras vizinhas e (b) os ângulos das franjas escuras. Considere fendas iguais e a mesma amplitude em cada uma.

Figura original da questão 5 da segunda fase do ITA 2020.

Resposta calculada pelo Método TEF

$I_{\rm central}/I_{\rm vizinha}=9$; $\theta_n=\arcsin[(n\pm1/3)\lambda/d]$ no domínio físico.
Resolução

A diferença de fase entre contribuições de fendas vizinhas é $\delta=2\pi d\sin\theta/\lambda$. Somando as três amplitudes:

\[\mathcal A=E(1+2\cos\delta).\]\[I\propto E^2(1+2\cos\delta)^2.\]

No centro, a amplitude é $3E$. No máximo secundário vizinho, $\delta=\pi$, e o módulo da amplitude é $E$.

\[\frac{I_{\rm central}}{I_{\rm vizinha}}=9.\]

Para uma franja escura, a amplitude total deve se anular:

\[1+2\cos\delta=0.\]\[\delta=2\pi n\pm\frac{2\pi}{3}.\]\[\sin\theta_n=\left(n\pm\frac13\right)\frac\lambda d.\]

São admitidos apenas inteiros que tornem o módulo do argumento menor ou igual a 1. O inteiro pertence à diferença de fase; somar $2\pi n$ depois de aplicar o arco seno não gera corretamente os demais mínimos no anteparo.

D6
Mecânica — Tubo de Pitot, hidrostática e gás ideal

No simulador de tubo de Pitot da figura, a pressão de estagnação $P_A$ é medida por água com desnível $h=60\,\mathrm{cm}$, sob pressão absoluta de $9{,}0\times10^4\,\mathrm{Pa}$. A entrada estática B se comunica com $75/16$ mol de gás ideal a $27^\circ\mathrm C$, em $125\,\mathrm L$. Use $R=8\,\mathrm{J/(mol\,K)}$, $\rho_{\rm ar}=1{,}2\,\mathrm{kg/m^3}$ e $\rho_{\rm água}=1000\,\mathrm{kg/m^3}$. Determine a leitura em km/h.

Figura original da questão 6 da segunda fase do ITA 2020.

Resposta calculada pelo Método TEF

$360\,\mathrm{km/h}$.
Resolução

A pressão do reservatório é acrescida da coluna de água no ponto A.

\[P_A=9{,}0\times10^4+1000\cdot10\cdot0{,}60.\]\[P_A=9{,}6\times10^4\,\mathrm{Pa}.\]

A equação de estado fornece a pressão estática em B.

\[P_B=\frac{nRT}{V}.\]\[P_B=\frac{(75/16)\cdot8\cdot300}{0{,}125}=9{,}0\times10^4\,\mathrm{Pa}.\]

No modelo incompressível de Pitot, a diferença é a pressão dinâmica.

\[\frac{\rho_{\rm ar}v^2}{2}=P_A-P_B=6000\,\mathrm{Pa}.\]\[v=100\,\mathrm{m/s}.\]\[v=360\,\mathrm{km/h}.\]

A interpretação numérica adotada considera os $9{,}0\times10^4\,\mathrm{Pa}$ como pressão absoluta no reservatório, conforme o uso do enunciado no cálculo do simulador; uma indicação manométrica de vácuo exigiria outra conversão.

D7
Termologia — Queda de gás e velocidade quadrática média

Um frasco indeformável, de massa desprezível, contém gás monoatômico de massa por partícula $4{,}20\times10^{-24}\,\mathrm g$ e calor específico a volume constante $1{,}25\,\mathrm{cal/(g\,{}^\circ C)}$. O frasco cai de $52{,}5\,\mathrm m$; toda a energia da queda aquece o gás. Para temperatura inicial $16^\circ\mathrm C$, determine o aumento da velocidade quadrática média das partículas. Use $k_B=1{,}4\times10^{-23}\,\mathrm{J/K}$ e, se necessário, a aproximação binomial.

Resposta calculada pelo Método TEF

$\Delta v_{\rm rms}\approx0{,}294\,\mathrm{m/s}$.
Resolução

Convertemos o calor específico para unidades SI. A massa total do gás cancela no balanço da queda.

\[c_V=1{,}25\cdot4{,}2\cdot10^3=5250\,\mathrm{J/(kg\,K)}.\]\[Mgh=Mc_V\Delta T.\]\[\Delta T=\frac{10\cdot52{,}5}{5250}=0{,}10\,\mathrm K.\]

A massa de cada partícula é $4{,}20\times10^{-27}\,\mathrm{kg}$; a temperatura inicial é $289\,\mathrm K$.

\[v_{\rm rms}=\sqrt{\frac{3k_BT}{m_{\rm part}}}=100\sqrt T\,\mathrm{m/s}.\]\[\Delta v=100(\sqrt{289{,}10}-17)\,\mathrm{m/s}.\]\[\Delta v\approx\frac{100\cdot0{,}10}{2\cdot17}=0{,}294\,\mathrm{m/s}.\]

A aproximação é adequada porque $\Delta T/T_0\approx3{,}46\times10^{-4}$.

D8
Eletricidade — Elétron entre capacitores

Um elétron inicialmente em repouso é acelerado por um capacitor de $V_1=12\,\mathrm V$. Ele entra num segundo capacitor idêntico, a $60^\circ$ em relação às placas, conforme o desenho. Desprezando a gravidade, determine a tensão $V_2$ para que ele tangencie a placa superior.

Figura original da questão 8 da segunda fase do ITA 2020.

Resposta calculada pelo Método TEF

$V_2=9{,}0\,\mathrm V$, com polaridade que freia o movimento na direção normal às placas.
Resolução

O primeiro capacitor transforma trabalho elétrico em energia cinética:

\[\frac{mv^2}{2}=eV_1.\]

Ao entrar no segundo, a componente perpendicular às placas é $v_y=v\sin60^\circ$. Ela deve se anular exatamente ao vencer a distância $d$ entre placas.

\[a=\frac{eV_2}{md}.\]\[0=v^2\sin^260^\circ-2ad.\]\[eV_2=\frac{mv^2}{2}\sin^260^\circ.\]\[V_2=12\cdot\frac34=9\,\mathrm V.\]

Somente a energia cinética da componente normal é convertida em energia potencial; a componente paralela permanece constante.

D9
Óptica — Reflexão total e tempo em fibra óptica

Um sinal luminoso percorre uma fibra retilínea de comprimento $L=3{,}00\,\mathrm{km}$ e índice $n=1{,}50$, por sucessivas reflexões internas totais. Use $c=3{,}00\times10^5\,\mathrm{km/s}$. Determine os tempos possíveis de propagação (a) com a fibra envolvida por ar e (b) com revestimento de índice $1{,}45$.

Resposta calculada pelo Método TEF

(a) $15\leq t\leq22{,}5\,\mu\mathrm s$. (b) $15\leq t\lesssim15{,}52\,\mu\mathrm s$, como limites ideais.
Resolução

O tempo não é único sem especificar o ângulo do raio dentro da fibra. Se $\alpha$ é seu ângulo com o eixo, o caminho é maior que o comprimento axial.

\[t=\frac{nL}{c\cos\alpha}.\]\[t_{\min}=\frac{nL}{c}=15\,\mu\mathrm s.\]

O ângulo de incidência na interface é $i=90^\circ-\alpha$. No limite de reflexão total:

\[\sin i_c=\frac{n_{\rm ext}}n.\]\[\cos\alpha_{\max}=\frac{n_{\rm ext}}n.\]\[t_{\max}=\frac{n^2L}{cn_{\rm ext}}.\]

No ar:

\[t_{\max}=22{,}5\,\mu\mathrm s.\]

Com revestimento:

\[t_{\max}=\frac{22{,}5}{1{,}45}\,\mu\mathrm s\approx15{,}52\,\mu\mathrm s.\]

Os extremos representam os limites idealizados: propagação axial no mínimo e incidência crítica no máximo. Para reflexões estritamente totais, o limite superior é aproximado por baixo.

D10
Física Moderna — Decaimento relativístico em dois corpos

Uma partícula X, inicialmente em repouso, decai em Y e num neutrino: $X\to Y+\nu$. Considere desprezível a massa de repouso do neutrino. Determine a velocidade de Y em termos de $c,m_X,m_Y$.

Resposta calculada pelo Método TEF

$v_Y=c(m_X^2-m_Y^2)/(m_X^2+m_Y^2)$.
Resolução

O momento inicial nulo exige momentos finais opostos e de mesmo módulo $p$. Para o neutrino sem massa:

\[E_\nu=pc.\]\[m_Xc^2=E_Y+pc.\]\[E_Y^2=m_Y^2c^4+p^2c^2.\]

Substituindo a energia de Y e elevando ao quadrado, os termos em $p^2$ se cancelam.

\[p=\frac{m_X^2-m_Y^2}{2m_X}c.\]\[E_Y=\frac{m_X^2+m_Y^2}{2m_X}c^2.\]

A relação entre momento e velocidade de uma partícula massiva é $v=pc^2/E$.

\[v_Y=c\frac{m_X^2-m_Y^2}{m_X^2+m_Y^2}.\]

O decaimento requer $m_X>m_Y$. O resultado é menor que $c$ para $m_Y>0$, como deve ser.

↑ Voltar ao topo