UFRJ | 2009 · Prova 2

Física · 8 questões discursivas com respostas e resoluções.

Dados da prova

Universidade Federal do Rio de Janeiro · UFRJ 2009 — Prova 2.

Questões de Física das páginas 6, 7, 8 do PDF. Enunciados em texto, notação matemática em KaTeX e figuras originais separadas; explicações autorais em blocos próprios.

Caderno fornecido (PDF) · Respostas da fonte (PDF)

Respostas e resoluções comentadas: elaboração do Acervo TEF. Consulte o caderno e o material de respostas disponibilizados acima.

Q1
Mecânica — Cinemática — Aceleração e distância

Um móvel parte do repouso e descreve uma trajetória retilínea durante um intervalo de tempo de $50\,\mathrm s$, com a aceleração indicada no gráfico a seguir.

UFRJ 2009-2, questão 1: figura 1 do caderno

a) Faça um gráfico da velocidade do móvel no intervalo de 0 até $50\,\mathrm s$.

b) Calcule a distância percorrida pelo móvel nesse intervalo.

a) $v=2t$ até 20 s e $v=60-t$ de 20 a 50 s. b) $1150\,\mathrm m$.

Resolução comentada

Partindo do repouso, a aceleração de $2\,\mathrm{m/s^2}$ produz $v(20)=40\,\mathrm{m/s}$. Depois, com $a=-1\,\mathrm{m/s^2}$, $v=40-(t-20)=60-t$, chegando a 10 m/s em 50 s. O gráfico da velocidade une os pontos $(0,0)$, $(20,40)$ e $(50,10)$ por segmentos de reta.

A velocidade permanece positiva. A distância é a área sob esse gráfico: $s=20\cdot40/2+(40+10)(50-20)/2=400+750=1150\,\mathrm m$.

Esquema explicativo da resolução
Esquema de apoio elaborado para a resolução.

Resposta: a) $v=2t$ até 20 s e $v=60-t$ de 20 a 50 s. b) $1150\,\mathrm m$.

Q2
Óptica — Refração — Refração em placa

Um raio luminoso proveniente do ar atravessa uma placa de vidro de $4{,}0\,\mathrm{cm}$ de espessura e índice de refração 1,5.

Sabendo que o ângulo de incidência $\theta$ do raio luminoso é tal que sen $\theta$ = 0,90 e que o índice de refração do ar é 1,0 , calcule a distância que a luz percorre ao atravessar a placa.

UFRJ 2009-2, questão 2: figura 1 do caderno

$D=5{,}0\,\mathrm{cm}$.

Resolução comentada

Pela lei de Snell, $n_{\rm ar}\sin\theta=n_{\rm vidro}\sin r$. Assim, $\sin r=0{,}90/1{,}5=0{,}60$ e $\cos r=0{,}80$.

A espessura de 4,0 cm é a projeção normal do caminho da luz dentro do vidro: $D\cos r=4{,}0$. Logo, $D=4{,}0/0{,}80=5{,}0\,\mathrm{cm}$.

Resposta: $D=5{,}0\,\mathrm{cm}$.

Q3
Mecânica — Dinâmica — Perda de contato

Duas pequenas esferas homogêneas de massas $m_1$ e $m_2$ estão unidas por um fio elástico muito fino de massa desprezível. Com a esfera de massa $m_1$ em repouso e apoiada no chão, a esfera de massa $m_2$ é lançada para cima ao longo da reta vertical que passa pelos centros das esferas, como indica a figura 1. A esfera lançada sobe esticando o fio até suspender a outra esfera do chão. A figura 2 ilustra o instante em que a esfera de massa $m_1$ perde contato com o chão, instante no qual o fio está ao longo da reta que passa pelos centros das esferas. Considerando como dados $m_1$ , $m_2$ e o módulo da aceleração da gravidade $g$, calcule no instante em que a esfera de massa $m_1$ perde o contato com o chão:

UFRJ 2009-2, questão 3: figura 1 do caderno

a) a tensão no fio;

b) a aceleração da esfera de massa $m_2$.

a) $T=m_1g$. b) $a_2=(m_1+m_2)g/m_2$, para baixo.

Resolução comentada

Enquanto m₁ permanece apoiada, seu peso é equilibrado pela tensão e pela normal. No instante limite de perda de contato, $N=0$ e a tensão atinge $T=m_1g$.

Na esfera m₂, tanto o peso quanto a tensão apontam para baixo. Assim, $m_2a_2=m_2g+T=(m_1+m_2)g$, de onde $a_2=(m_1+m_2)g/m_2$, verticalmente para baixo, mesmo que a esfera ainda esteja subindo.

Resposta: a) $T=m_1g$. b) $a_2=(m_1+m_2)g/m_2$, para baixo.

Q4
Eletricidade — Eletrodinâmica — Potencial elétrico em circuito com divisores de tensão

Uma bateria ideal de força eletromotriz $\varepsilon$ está ligada a um circuito como ilustra a figura a seguir.

UFRJ 2009-2, questão 4: figura 1 do caderno

Calcule a diferença de potencial $V_A-V_B$ entre os pontos terminais A e B em função de $\varepsilon$.

$V_A-V_B=\varepsilon/3$.

Resolução comentada

Os dois ramos têm a mesma resistência total $R+2R=3R$ e recebem a tensão ε. Cada um conduz $i=\varepsilon/(3R)$. Como A e B estão abertos entre si, não há corrente transversal.

Em relação ao terminal inferior, $V_A=2Ri$ e $V_B=Ri$. Portanto, $V_A-V_B=Ri=\varepsilon/3$. O sinal positivo mostra que A tem potencial maior que B.

Resposta: $V_A-V_B=\varepsilon/3$.

Q5
Ondas — Conceitos básicos — Pulso transversal

Uma corda comprida e tensa está inicialmente ao longo de um eixo horizontal Ox e tem uma de suas extremidades em $x=0$. Num dado instante, tomado como $t=0$, uma onda transversal é gerada na corda levando-se essa extremidade para cima até uma altura $h$ conhecida e depois trazendo-a de volta para a posição inicial. A partir desse momento a extremidade permanece em repouso. A duração do movimento de subida da extremidade, de valor conhecido $\Delta t$, é igual à duração do movimento de descida. Por simplicidade, suponha que o movimento da extremidade, tanto na subida quanto na descida, seja realizado com velocidade vertical e de módulo constante, sendo desprezível o tempo gasto para inverter o movimento. A figura mostra a configuração da corda no instante $t=2\Delta t$.

UFRJ 2009-2, questão 5: figura 1 do caderno

Calcule a velocidade do ponto da corda localizado em $x=5d/4$ no instante $t=4\Delta t$, sendo $d$ a distância indicada no gráfico.

$v_y=-h/\Delta t$, verticalmente para baixo.

Resolução comentada

O pulso ocupa comprimento d após $2\Delta t$, portanto sua velocidade horizontal de propagação é $v_p=d/(2\Delta t)$. Em $t=4\Delta t$, ocupa o intervalo entre d e 2d.

O ponto $x=5d/4$ está no trecho traseiro do pulso e já está descendo. Cada ponto reproduz o movimento imposto à extremidade: desce de h a zero em $\Delta t$, com velocidade constante. Assim, $v_y=-h/\Delta t$. Essa velocidade transversal não deve ser confundida com a velocidade horizontal de propagação do pulso.

Resposta: $v_y=-h/\Delta t$, verticalmente para baixo.

Q6
Termologia — Termodinâmica — Compressão e calor

Um gás ideal se encontra em um estado de equilíbrio termodinâmico A no qual tem volume $V_0$ e pressão $p_0$ conhecidos. O gás é então comprimido lentamente até atingir um estado de equilíbrio termodinâmico B no qual seu volume é $V_0$ / 3.

Sabendo que o processo que leva o gás do estado A ao estado B é o indicado pelo segmento de reta do diagrama, e que os estados A e B estão em uma mesma isoterma, calcule o calor total $Q_{AB}$ cedido pelo gás nesse processo.

UFRJ 2009-2, questão 6: figura 1 do caderno

O calor cedido é $Q_{AB}=4p_0V_0/3$.

Resolução comentada

Como A e B estão na mesma isoterma, $p_B(V_0/3)=p_0V_0$, logo $p_B=3p_0$. A energia interna do gás ideal tem a mesma relação com a temperatura nos dois extremos, portanto $\Delta U=0$.

O trabalho no caminho retilíneo é $W=(p_0+3p_0)(V_0/3-V_0)/2=-4p_0V_0/3$. Pela primeira lei, o calor recebido é $Q=W<0$. Assim, a quantidade de calor cedida, pedida no enunciado como valor positivo, é $Q_{AB}=4p_0V_0/3$.

Resposta: O calor cedido é $Q_{AB}=4p_0V_0/3$.

Q7
Eletricidade — Eletrostática — Trabalho da força elétrica em campos cruzados

Uma partícula de massa $m$ e carga elétrica positiva $q$ entra em uma região na qual existem um campo elétrico e um campo magnético, ambos uniformes, constantes, perpendiculares entre si e de módulos respectivos $E$ e $B$. O peso da partícula é totalmente desprezível comparado à força elétrica, de modo que podemos supor somente as forças elétrica e magnética agindo sobre a partícula na região.

A partícula entra na região com velocidade inicial $\vec v_0$, de módulo $v_0=2E/B$ e direção perpendicular aos campos elétrico e magnético, e desvia-se até atingir, com velocidade nula, uma distância máxima $d$ da reta suporte da velocidade inicial $\vec v_0$. A partícula volta a aproximar-se dessa reta, de modo que sua trajetória é uma curva plana como ilustra a figura a seguir.

Considerando como dados $E$, $B$, $q$ e $m$, calcule a distância $d$.

UFRJ 2009-2, questão 7: figura 1 do caderno

$d=2mE/(qB^2)$.

Resolução comentada

A força magnética é perpendicular à velocidade e não realiza trabalho. Entre a entrada e o ponto de parada, apenas a força elétrica altera a energia cinética. Como a partícula positiva sobe contra o campo, $W_E=-qEd$.

Pelo teorema da energia cinética, $-qEd=0-mv_0^2/2$. Usando $v_0=2E/B$, resulta $d=m(2E/B)^2/(2qE)=2mE/(qB^2)$.

Resposta: $d=2mE/(qB^2)$.

Q8
Mecânica — Hidrostática — Empuxo do ar

Dois corpos, 1 e 2, têm a mesma massa, mas são constituídos de materiais diferentes, cujas respectivas densidades, $\rho_1$ e $\rho_2$ , são tais que $\rho_1$ = $\rho_2$ /11. Quando os dois corpos são suspensos numa balança sensível de braços iguais, na presença do ar, verifica-se que é necessário adicionar um pequeno contrapeso de $1{,}0\,\mathrm g$ de massa ao corpo 1, de modo a compensar a diferença de empuxos causados pelo ar e equilibrar a balança como ilustra a figura a seguir.

UFRJ 2009-2, questão 8: figura 1 do caderno

Calcule os volumes $V_1$ e $V_2$ dos corpos 1 e 2 supondo que a densidade do ar tenha o valor $\rho$ = $1{,}25\times10^{−3}\,\mathrm{g/cm^3}$ e que o volume do contrapeso seja desprezível.

$V_1=880\,\mathrm{cm^3}$ e $V_2=80\,\mathrm{cm^3}$.

Resolução comentada

As massas dos dois corpos são iguais: $\rho_1V_1=\rho_2V_2$. Como $\rho_1=\rho_2/11$, temos $V_1=11V_2$. O corpo 1 sofre maior empuxo do ar, exigindo o contrapeso de 1 g.

O equilíbrio fornece $\rho_{\rm ar}g(V_1-V_2)=m_cg$. Cancelando g, $1{,}25\times10^{-3}\cdot10V_2=1{,}0$, com volumes em cm³ e massa em gramas. Logo, $V_2=80\,\mathrm{cm^3}$ e $V_1=880\,\mathrm{cm^3}$.

Resposta: $V_1=880\,\mathrm{cm^3}$ e $V_2=80\,\mathrm{cm^3}$.