Vestibular FGV 2013 · Processo seletivo 1º semestre de 2013 (EESP) · Física: Q91–Q105.
Dados da prova
FGV · Escola de Economia de São Paulo, 1º semestre de 2013 · Física: questões 91 a 105.
Transcrição em texto nativo dos enunciados, fórmulas e alternativas. Apenas as figuras são imagens. Gabarito oficial da banca, conferido pela resolução TEF. Q101: o gabarito oficial classifica a compressão como adiabática (750 K), embora o ponto F não esteja sobre uma adiabática de gás ideal. Q96: o gabarito dá o módulo (7,5·10⁵ J). Resoluções e análises TEF são editoriais.
Q91
Mecânica — Análise dimensional — Unidade de K na força de resistência do ar
A força de resistência do ar é um fator relevante no estudo das quedas dos corpos sob ação exclusiva da gravidade. Para velocidades relativamente baixas, da ordem de metros por segundo, ela depende diretamente da velocidade ($v$) de queda do corpo e da área efetiva ($A$) de contato entre o corpo e o ar. Sua expressão, então, é dada por $F_{ar}=K\cdot A\cdot v$, na qual $K$ é uma constante que depende apenas da forma do corpo. Em função das grandezas primitivas da mecânica (massa, comprimento e tempo), a unidade de $K$, no SI, é
A)
kg·m$^{-1}$·s$^{-1}$.
B)
kg·m$^{-2}$·s$^{-1}$.
C)
kg·m·s$^{-1}$.
D)
kg·m·s$^{-2}$.
E)
kg·m$^2$·s$^{-2}$.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
Mecânica — Cinemática vetorial — Velocidade vetorial média
Um avião decola de um aeroporto e voa ${100\text{ km}}$ durante ${18\text{ min}}$ no sentido leste; a seguir, seu piloto aponta para o norte e voa mais ${400\text{ km}}$ durante ${1\text{ h}}$; por fim, aponta para o oeste e voa os últimos ${50\text{ km}}$, sempre em linha reta, em ${12\text{ min}}$, até pousar no aeroporto de destino. O módulo de sua velocidade vetorial média nesse percurso todo terá sido, em km/h, de aproximadamente
A)
200.
B)
230.
C)
270.
D)
300.
E)
400.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
C
Resolução comentada
Deslocamento: $\Delta x=100-50=50\text{ km}$ (leste) e $\Delta y=400\text{ km}$ (norte):
Mecânica — Cinemática — Gráfico velocidade × tempo
Um carro deslocou-se por uma trajetória retilínea e o gráfico qualitativo de sua velocidade ($v$), em função do tempo ($t$), está representado na figura.
Analisando o gráfico, conclui-se corretamente que
A)
o carro deslocou-se em movimento uniforme nos trechos I e III, permanecendo em repouso no trecho II.
B)
o carro deslocou-se em movimento uniformemente variado nos trechos I e III, e em movimento uniforme no trecho II.
C)
o deslocamento do carro ocorreu com aceleração variável nos trechos I e III, permanecendo constante no trecho II.
D)
a aceleração do carro aumentou no trecho I, permaneceu constante no trecho II e diminuiu no trecho III.
E)
o movimento do carro foi progressivo e acelerado no trecho I, progressivo e uniforme no trecho II, mas foi retrógrado e retardado no trecho III.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
B
Resolução comentada
Trechos I e III: retas inclinadas, então aceleração constante e não nula, isto é, MUV (acelerado em I e retardado em III). Trecho II: velocidade constante, movimento uniforme.
A alternativa B descreve corretamente as três fases.
Q94
Mecânica — Dinâmica — Curva inclinada sem atrito
Em um dia muito chuvoso, um automóvel, de massa $m$, trafega por um trecho horizontal e circular de raio $R$. Prevendo situações como essa, em que o atrito dos pneus com a pista praticamente desaparece, a pista é construída com uma sobre-elevação externa de um ângulo $\alpha$ como mostra a figura. A aceleração da gravidade no local é $g$.
A máxima velocidade que o automóvel, tido como ponto material, poderá desenvolver nesse trecho, considerando ausência total de atrito, sem derrapar, é dada por
A)
$\sqrt{m\cdot g\cdot R\cdot\text{tg}\,\alpha}$.
B)
$\sqrt{m\cdot g\cdot R\cdot\cos\alpha}$.
C)
$\sqrt{g\cdot R\cdot\text{tg}\,\alpha}$.
D)
$\sqrt{g\cdot R\cdot\cos\alpha}$.
E)
$\sqrt{g\cdot R\cdot\text{sen}\,\alpha}$.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
Mecânica — Estática — Equilíbrio no plano inclinado com atrito e polia
A figura representa dois alpinistas A e B, em que B, tendo atingido o cume da montanha, puxa A por uma corda, ajudando-o a terminar a escalada. O alpinista A pesa ${1\,000\text{ N}}$ e está em equilíbrio na encosta da montanha, com tendência de deslizar num ponto de inclinação de $60^{\circ}$ com a horizontal ($\text{sen}\,60^{\circ}=0{,}87$ e $\cos60^{\circ}=0{,}50$); há atrito de coeficiente $0{,}1$ entre os pés de A e a rocha. No ponto P, o alpinista fixa uma roldana que tem a função exclusiva de desviar a direção da corda.
A componente horizontal da força que B exerce sobre o solo horizontal na situação descrita, tem intensidade, em N,
A)
380.
B)
430.
C)
500.
D)
820.
E)
920.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
D
Resolução comentada
Ao longo da encosta, em A: $T+f_{at}=P\,\text{sen}\,60^{\circ}$ com $N=P\cos60^{\circ}=500\text{ N}$ e $f_{at}=0{,}1\cdot500=50\text{ N}$.
$$T=1000\cdot0{,}87-50=820\text{ N}$$
A corda, ao passar pela roldana, mantém a mesma tração; no trecho horizontal ela puxa B com 820 N, que equivalem à componente horizontal da força de B sobre o solo.
Q96
Mecânica — Energia — Trabalho das forças dissipativas
Um carro, de massa ${1\,000\text{ kg}}$, passa pelo ponto superior A de um trecho retilíneo, mas inclinado, de certa estrada, a uma velocidade de ${72\text{ km/h}}$. O carro se desloca no sentido do ponto inferior B, ${100\text{ m}}$ abaixo de A, e passa por B a uma velocidade de ${108\text{ km/h}}$.
A aceleração da gravidade local é de ${10\text{ m/s}^2}$. O trabalho realizado pelas forças dissipativas sobre o carro em seu deslocamento de A para B vale, em joules,
A)
${1{,}0\cdot10^{5}}$.
B)
${7{,}5\cdot10^{5}}$.
C)
${1{,}0\cdot10^{6}}$.
D)
${1{,}7\cdot10^{6}}$.
E)
${2{,}5\cdot10^{6}}$.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
O trabalho das forças dissipativas tem módulo $7{,}5\cdot10^{5}\text{ J}$ (negativo, pois retira energia).
Q97
Mecânica — Potência — Rendimento do motor
A montadora de determinado veículo produzido no Brasil apregoa que a potência do motor que equipa o carro é de ${100\text{ HP}}$ ($1\text{ HP}\cong750\text{ W}$). Em uma pista horizontal e retilínea de provas, esse veículo, partindo do repouso, atingiu a velocidade de ${144\text{ km/h}}$ em ${20\text{ s}}$. Sabendo que a massa do carro é de ${1\,000\text{ kg}}$, o rendimento desse motor, nessas condições expostas, é próximo de
A)
30%.
B)
38%.
C)
45%.
D)
48%.
E)
53%.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
Mecânica — Gravitação — Razão de forças gravitacionais
A massa da Terra é de ${6{,}0\cdot10^{24}\text{ kg}}$, e a de Netuno é de ${1{,}0\cdot10^{26}\text{ kg}}$. A distância média da Terra ao Sol é de ${1{,}5\cdot10^{11}\text{ m}}$, e a de Netuno ao Sol é de ${4{,}5\cdot10^{12}\text{ m}}$. A razão entre as forças de interação Sol-Terra e Sol-Netuno, nessa ordem, é mais próxima de
A)
${0{,}05}$.
B)
${0{,}5}$.
C)
$5$.
D)
$50$.
E)
$500$.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
Mecânica — Hidrostática — Prensa hidráulica com alavanca
O esquema ilustra uma prensa hidráulica, operada manualmente, constituída de um sistema de vasos comunicantes 1 e 2, com êmbolos de áreas de seção transversal respectivas $S_1$ e $S_2$. O sistema é preenchido com um líquido homogêneo e viscoso. O êmbolo 2 é ligado a uma alavanca inter-resistente articulada em sua extremidade A. O operador aplica forças verticais $F$ na extremidade B da alavanca para transmitir forças $F_1$ através do êmbolo 1.
A relação correta entre $F$, $F_1$, $S_1$, $S_2$, $AB$ e $AC$, que permite obter vantagem mecânica, é
A)
$F=F_1\cdot(S_2/S_1)\cdot(AC/AB)$.
B)
$F=F_1\cdot(S_2/S_1)\cdot(AC/BC)$.
C)
$F=F_1\cdot(S_2/S_1)\cdot(AB/AC)$.
D)
$F=F_1\cdot(S_1/S_2)\cdot(AC/AB)$.
E)
$F=F_1\cdot(S_1/S_2)\cdot(AB/BC)$.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
Momentos em torno de A (alavanca): $F\cdot AB=F_2\cdot AC$.
$$F=F_1\cdot\frac{S_2}{S_1}\cdot\frac{AC}{AB}$$
Q100
Termologia — Calorimetria e dilatação — Coeficiente de dilatação linear
Em um recipiente adiabático, contendo ${2{,}0\text{ L}}$ de água (densidade ${=1{,}0\text{ g/cm}^3}$, calor específico ${=1{,}0\text{ cal/(g}\cdot{}^{\circ}\text{C)}}$), há uma barra metálica imersa, de capacidade térmica ${1\,000\text{ cal/}{}^{\circ}\text{C}}$, que mede inicialmente ${40{,}00\text{ cm}}$. O sistema recebe ${150\text{ kcal}}$ de uma fonte de calor e, ao fim do processo, a barra acusa uma dilatação linear de ${0{,}01\text{ cm}}$.
O coeficiente de dilatação linear do material da barra vale, em $10^{-6}\cdot{}^{\circ}\text{C}^{-1}$,
A)
${1{,}0}$.
B)
${2{,}0}$.
C)
${3{,}0}$.
D)
${4{,}0}$.
E)
${5{,}0}$.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
Termologia — Gases — Compressão e temperatura final
Certa massa gasosa ideal, confinada em um recipiente inicialmente a ${300\text{ K}}$, sofre a compressão $\text{I}\to\text{F}$ indicada no diagrama da pressão versus volume da figura.
É correto afirmar que se trata de uma transformação
A)
isotérmica, sem alteração de temperatura.
B)
adiabática, com temperatura final do gás igual a 600 K.
C)
adiabática, com temperatura final do gás igual a 750 K.
D)
geral, com temperatura final do gás igual a 300 K.
E)
geral, com temperatura final do gás igual a 600 K.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
A temperatura aumenta; a compressão representada tem temperatura final de 750 K. No gabarito oficial, a transformação é classificada como adiabática (alternativa C): é a única alternativa com 750 K.
Q102
Ondas — Refração de ondas — Mudança de profundidade
A figura seguinte representa a planta baixa de uma cuba retangular de bordas espraiadas, repleta de água, com duas profundidades constantes, mas diferentes: a região profunda, à esquerda, e a região rasa, à direita. Frentes de ondas retas periódicas são produzidas pela fonte vibratória F e se propagam da região profunda para a região rasa. A mudança de profundidade ocorre em linha reta entre A e B.
É correto afirmar que na região rasa as ondas vibram com
A)
frequência maior que na região profunda, mas mantêm constante seu comprimento de onda.
B)
frequência menor que na região profunda e têm diminuída sua velocidade de propagação.
C)
a mesma frequência da região profunda, mas têm aumentado seu comprimento de onda.
D)
a mesma frequência da região profunda, mas têm diminuída sua velocidade de propagação.
E)
a mesma frequência da região profunda, mas têm aumentada sua amplitude de oscilação.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
D
Resolução comentada
A frequência é a da fonte e permanece a mesma ao atravessar a fronteira.
Na região rasa a velocidade de propagação é menor e, como $\lambda=v/f$, o comprimento de onda também diminui. Alternativa D.
Q103
Óptica — Lentes — Luneta astronômica
Para observar o céu, um apreciador de astronomia dispõe de algumas lentes esféricas. Uma dessas lentes, a lente $L_0$, de distância focal $f_0=+1{,}00\text{ m}$, é utilizada como objetiva para focalizar uma estrela distante.
Para conseguir a melhor imagem virtual e ampliada da estrela, esse observador deve dispor coaxialmente da lente $L_0$, a lente ________ a uma distância do foco de $L_0$ ________ do que o valor da distância focal ________.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas.
A)
$L_1$ … menor … $f_1$
B)
$L_1$ … maior … $f_1$
C)
$L_2$ … menor … $f_2$
D)
$L_3$ … menor … $f_3$
E)
$L_3$ … maior … $f_3$
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
A
Resolução comentada
A objetiva $L_0$ forma a imagem real da estrela no seu foco. A ocular deve ser convergente e de pequena distância focal para dar a maior ampliação angular $A=\dfrac{f_0}{f_{oc}}$: lente $L_1$ ($f_1=+10\text{ cm}$).
Para que a imagem final seja virtual e ampliada (ocular como lupa), a imagem formada por $L_0$ deve estar a uma distância da ocular menor que $f_1$: o foco de $L_0$ fica a menos de $f_1$ da ocular. Alternativa A.
Q104
Eletricidade — Potencial elétrico — Velocidade de partícula acelerada
No interior de um campo elétrico uniforme, uma partícula, de massa $m$ e eletrizada com carga $q$, é abandonada do repouso no ponto A da superfície equipotencial $V_1$. Ela é acelerada pela força do campo até o ponto B da superfície equipotencial $V_2$, distante $d$ de $V_1$.
Desprezados os efeitos gravitacionais, a velocidade com que a partícula passará pelo ponto B depende
A)
diretamente da diferença de potencial $V_1-V_2$.
B)
diretamente da raiz quadrada da diferença de potencial $V_1-V_2$.
C)
diretamente da razão $q/m$ entre a carga e a massa da partícula.
D)
inversamente da raiz quadrada da razão $q/m$ entre a carga e a massa da partícula.
E)
inversamente da distância $d$ entre as superfícies equipotenciais $V_1$ e $V_2$.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013
A velocidade é diretamente proporcional à raiz quadrada de $V_1-V_2$: alternativa B.
Q105
Eletricidade — Efeito Joule — Associação de resistores e tempo de aquecimento
A figura representa um calorímetro adiabático contendo certa quantidade de água que deve ser aquecida sem mudar de estado físico, por meio de uma associação de 2 resistores ôhmicos, idênticos, alimentada por um gerador de f.e.m. constante $\varepsilon$. Quando os resistores são associados em paralelo, o intervalo de tempo necessário para elevar a temperatura da água de um certo valor é $\Delta t_1$. Quando associados em série, o intervalo de tempo necessário para elevar a temperatura da água do mesmo valor é $\Delta t_2$.
A relação $\Delta t_1/\Delta t_2$ vale
A)
$\dfrac14$.
B)
$\dfrac12$.
C)
$1$.
D)
$2$.
E)
$4$.
Gabarito oficial da banca (FGV) conferido pela resolução TEF — FGV 2013