ITA 2006 — Questões de Física comentadas — Método TEF

Instituto Tecnológico de Aeronáutica

Vestibular 2006 · Física · 20 questões objetivas e 10 discursivas · Resoluções comentadas e análise Método TEF.

Q01
Eletricidade — Energia no capacitor

Algumas células do corpo humano são circundadas por paredes revestidas externamente por uma película com carga positiva e, internamente, por outra película semelhante, mas com carga negativa de mesmo módulo. Considere sejam conhecidas: densidades superficiais de ambas as cargas $\sigma=\pm0{,}50\times10^{-6}\,\mathrm{C/m^2}$; $\varepsilon_0\cong9{,}0\times10^{-12}\,\mathrm{C^2/(N\,m^2)}$; parede com volume de $4{,}0\times10^{-16}\,\mathrm{m^3}$ e constante dielétrica $k=5{,}0$. Assinale, então, a estimativa da energia total acumulada no campo elétrico dessa parede.

A)$0{,}7\,\mathrm{eV}$
B)$1{,}7\,\mathrm{eV}$
C)$7{,}0\,\mathrm{eV}$
D)$17\,\mathrm{eV}$
E)$70\,\mathrm{eV}$

Resposta

C
Resolução

Modele a parede como um capacitor plano preenchido por dielétrico. Como a carga superficial é conhecida, o campo depende da permissividade do material.

\[E=\frac{\sigma}{k\varepsilon_0}.\]

A densidade de energia elétrica é metade do produto de permissividade e campo ao quadrado.

\[u=\frac{k\varepsilon_0 E^2}{2}.\]

Multiplique pelo volume da parede.

\[W=\frac{\sigma^2 V}{2k\varepsilon_0}.\]
\[W=\frac{(0{,}50\times10^{-6})^2(4{,}0\times10^{-16})}{2(5{,}0)(9{,}0\times10^{-12})}.\]
\[W\approx1{,}11\times10^{-18}\ \mathrm J.\]

Converta joules em elétron-volts.

\[W\approx\frac{1{,}11\times10^{-18}}{1{,}60\times10^{-19}}\ \mathrm{eV}\approx7{,}0\ \mathrm{eV}.\]

Alternativa correta: C.

Q02
Eletromagnetismo — Indução em haste móvel

Uma haste metálica de comprimento $20{,}0\,\mathrm{cm}$ está situada num plano $xy$, formando um ângulo de $30^\circ$ com relação ao eixo $Ox$. A haste movimenta-se com velocidade de $5{,}0\,\mathrm{m/s}$ na direção do eixo $Ox$ e encontra-se imersa num campo magnético uniforme $\vec B$, cujas componentes, em relação a $Ox$ e $Oz$ (em que $z$ é perpendicular a $xy$) são, respectivamente, $B_x=2{,}2\,\mathrm{T}$ e $B_z=-0{,}50\,\mathrm{T}$. Assinale o módulo da força eletromotriz induzida na haste.

A)$0{,}25\,\mathrm V$
B)$0{,}43\,\mathrm V$
C)$0{,}50\,\mathrm V$
D)$1{,}10\,\mathrm V$
E)$1{,}15\,\mathrm V$

Resposta

A
Resolução

A força magnética nas cargas é determinada por $\vec v\times\vec B$. A componente $B_x$ é paralela à velocidade e não contribui. A haste tem projeção transversal ao movimento igual a $\ell\sin30^\circ$.

\[|\mathcal E|=|B_z|v\ell\sin30^\circ.\]
\[|\mathcal E|=0{,}50\cdot5{,}0\cdot0{,}20\cdot\frac12.\]
\[\boxed{|\mathcal E|=0{,}25\ \mathrm V}.\]

Alternativa correta: A.

Q03
Mecânica — Lançamento vertical

À borda de um precipício de um certo planeta, no qual se pode desprezar a resistência do ar, um astronauta mede o tempo $t_1$ que uma pedra leva para atingir o solo, após deixada cair de uma altura $H$. A seguir, ele mede o tempo $t_2$ que uma pedra também leva para atingir o solo, após ser lançada para cima até uma altura $h$, como mostra a figura. Assinale a expressão que dá a altura $H$.

Astronauta na borda de um precipício de altura H. Uma pedra cai diretamente e outra é lançada para cima, atingindo altura h acima do ponto de lançamento antes de cair ao solo.
Figura do enunciado original · ITA 2006
A)$H=\dfrac{t_1^2t_2^2h}{2(t_2^2-t_1^2)^2}$
B)$H=\dfrac{t_1t_2h}{4(t_2^2-t_1^2)}$
C)$H=\dfrac{2t_1^2t_2^2h}{(t_2^2-t_1^2)^2}$
D)$H=\dfrac{4t_1t_2h}{t_2^2-t_1^2}$
E)$H=\dfrac{4t_1^2t_2^2h}{(t_2^2-t_1^2)^2}$

Resposta

E
Resolução

Chame de $u$ a velocidade inicial do segundo lançamento. A altura adicional e a queda inicial fornecem:

\[u^2=2gh.\]
\[H=\frac{gt_1^2}{2}.\]

No segundo lançamento, usando o sentido positivo para cima:

\[-H=ut_2-\frac{gt_2^2}{2}.\]

Substitua a primeira expressão de H.

\[u=\frac{g(t_2^2-t_1^2)}{2t_2}.\]

Eleve ao quadrado e use a altura adicional.

\[2gh=\frac{g^2(t_2^2-t_1^2)^2}{4t_2^2}.\]

Elimine g por meio do tempo de queda inicial.

\[\boxed{H=\frac{4ht_1^2t_2^2}{(t_2^2-t_1^2)^2}}.\]

Alternativa correta: E.

Q04
Mecânica — Estimativa da dimensão molecular

Uma gota do ácido $\mathrm{CH_3(CH_2)_{16}COOH}$ se espalha sobre a superfície da água até formar uma camada de moléculas cuja espessura se reduz à disposição ilustrada na figura. Uma das terminações deste ácido é polar, visto que se trata de uma ligação O–H, da mesma natureza que as ligações (polares) O–H da água. Essa circunstância explica a atração entre as moléculas de ácido e da água. Considerando o volume $1{,}56\times10^{-10}\,\mathrm{m^3}$ da gota do ácido, e seu filme com área de $6{,}25\times10^{-2}\,\mathrm{m^2}$, assinale a alternativa que estima o comprimento da molécula do ácido.

Molécula do ácido com cadeia de carbonos e hidrogênios acima da água e terminação com oxigênio e hidrogênio voltada para a superfície da água.
Figura do enunciado original · ITA 2006
A)$0{,}25\times10^{-9}\,\mathrm m$
B)$0{,}40\times10^{-9}\,\mathrm m$
C)$2{,}50\times10^{-9}\,\mathrm m$
D)$4{,}00\times10^{-9}\,\mathrm m$
E)$25{,}0\times10^{-9}\,\mathrm m$

Resposta

C
Resolução

A película tem a espessura de uma única molécula. Conservando o volume da gota:

\[V=A\ell.\]
\[\ell=\frac{1{,}56\times10^{-10}}{6{,}25\times10^{-2}}\ \mathrm m.\]
\[\boxed{\ell\approx2{,}50\times10^{-9}\ \mathrm m}.\]

A orientação polar explica a formação da monocamada; a estimativa geométrica usa essa hipótese.

Alternativa correta: C.

Q05
Eletromagnetismo — Frenagem por indução

Um fio delgado e rígido, de comprimento $L$, desliza, sem atrito, com velocidade $\vec v$ sobre um anel de raio $R$, numa região de campo magnético constante $\vec B$. Pode-se, então, afirmar que:

Fio retilíneo atravessa o anel circular de raio R e desliza no plano do anel na direção da seta v, perpendicular ao próprio fio.
Figura do enunciado original · ITA 2006
A)O fio irá se mover indefinidamente, pois a lei de inércia assim o garante.
B)O fio poderá parar, se $\vec B$ for perpendicular ao plano do anel, caso fio e anel sejam isolantes.
C)O fio poderá parar, se $\vec B$ for paralelo ao plano do anel, caso fio e anel sejam condutores.
D)O fio poderá parar, se $\vec B$ for perpendicular ao plano do anel, caso fio e anel sejam condutores.
E)O fio poderá parar, se $\vec B$ for perpendicular ao plano do anel, caso o fio seja feito de material isolante.

Resposta

D
Resolução

Se o anel e a haste são condutores e o campo atravessa perpendicularmente seu plano, o deslocamento da haste altera os fluxos dos circuitos fechados.

\[\mathcal E=-\frac{d\Phi_B}{dt}.\]

A corrente induzida gera uma força que se opõe ao movimento, pela lei de Lenz. A energia cinética alimenta a dissipação resistiva.

\[\frac{dK}{dt}=-\sum R_jI_j^2\leq0.\]

Com campo paralelo ao plano, o fluxo relevante é nulo; materiais isolantes não sustentam as correntes de condução necessárias. Assim, a possibilidade de frenagem corresponde a campo perpendicular e dois elementos condutores.

Alternativa correta: D.

Q06
Mecânica — Movimento circular e peso aparente

Uma estação espacial em forma de um toroide, de raio interno $R_1$, e externo $R_2$, gira, com período $P$, em torno do seu eixo central, numa região de gravidade nula. O astronauta sente que seu “peso” aumenta de $20\%$, quando corre com velocidade constante $\vec v$ no interior desta estação, ao longo de sua maior circunferência, conforme mostra a figura. Assinale a expressão que indica o módulo dessa velocidade.

Estação anular com raio interno R1 e externo R2; astronauta junto à circunferência externa.
Figura do enunciado original · ITA 2006
A)$v=\left(\sqrt{\dfrac65}-1\right)\dfrac{2\pi R_2}{P}$
B)$v=\left(1-\sqrt{\dfrac56}\right)\dfrac{2\pi R_2}{P}$
C)$v=\left(\sqrt{\dfrac56}+1\right)\dfrac{2\pi R_2}{P}$
D)$v=\left(\dfrac56+1\right)\dfrac{2\pi R_2}{P}$
E)$v=\left(\dfrac65-1\right)\dfrac{2\pi R_2}{P}$

Resposta

A
Resolução

No referencial inercial, o piso fornece a força centrípeta. A velocidade de quem está parado na estação é:

\[v_0=\frac{2\pi R_2}{P}.\]
\[N_0=\frac{mv_0^2}{R_2}.\]

Correndo no sentido indicado, a velocidade passa a ser $v_0+v$ e o apoio aumenta 20%.

\[\frac{m(v_0+v)^2}{R_2}=1{,}2N_0.\]
\[v_0+v=\sqrt{\frac65}\,v_0.\]
\[\boxed{v=\left(\sqrt{\frac65}-1\right)\frac{2\pi R_2}{P}}.\]

Alternativa correta: A.

Q07
Termologia — Calorimetria com solidificação

Um bloco de gelo com $725\,\mathrm{g}$ de massa é colocado num calorímetro contendo $2{,}50\,\mathrm{kg}$ de água a uma temperatura de $5{,}0\,{}^\circ\mathrm C$, verificando-se um aumento de $64\,\mathrm{g}$ na massa desse bloco, uma vez alcançado o equilíbrio térmico. Considere o calor específico da água ($c=1{,}0\,\mathrm{cal/(g\,{}^\circ C)}$) o dobro do calor específico do gelo, e o calor latente de fusão do gelo de $80\,\mathrm{cal/g}$. Desconsiderando a capacidade térmica do calorímetro e a troca de calor com o exterior, assinale a temperatura inicial do gelo.

A)$-191{,}4\,{}^\circ\mathrm C$
B)$-48{,}6\,{}^\circ\mathrm C$
C)$-34{,}5\,{}^\circ\mathrm C$
D)$-24{,}3\,{}^\circ\mathrm C$
E)$-14{,}1\,{}^\circ\mathrm C$

Resposta

B
Resolução

Há água e gelo no equilíbrio; portanto, a temperatura final é $0\,^{\circ}\mathrm C$. A água cede calor ao esfriar e ao solidificar 64 g. Esse calor aquece os 725 g iniciais de gelo.

\[725\cdot0{,}50(0-T_i)=2500\cdot1{,}0\cdot5+64\cdot80.\]
\[-362{,}5T_i=17620.\]
\[\boxed{T_i\approx-48{,}6\,^{\circ}\mathrm C}.\]

A massa solidificada fornece calor latente; não se deve aquecer todo o gelo final desde a temperatura inicial.

Alternativa correta: B.

Q08
Eletricidade — Instrumentos de medida reais

Numa aula de laboratório, o professor enfatiza a necessidade de levar em conta a resistência interna de amperímetros e voltímetros na determinação da resistência $R$ de um resistor. A fim de medir a voltagem e a corrente que passa por um dos resistores, são montados os 3 circuitos da figura, utilizando resistores iguais, de mesma resistência $R$. Sabe-se de antemão que a resistência interna do amperímetro é $0{,}01R$, ao passo que a resistência interna do voltímetro é $100R$. Assinale a comparação correta entre os valores de $R$, $R_2$ (medida de $R$ no circuito 2) e $R_3$ (medida de $R$ no circuito 3).

Circuito 1: dois resistores R em série com a fonte. Circuito 2: voltímetro em paralelo com o resistor medido e amperímetro medindo a corrente total desse paralelo. Circuito 3: amperímetro em série com o resistor medido e voltímetro em paralelo com o conjunto amperímetro–resistor.
Figura do enunciado original · ITA 2006
A)$R\lt R_2\lt R_3$
B)$R\gt R_2\gt R_3$
C)$R_2\lt R\lt R_3$
D)$R_2\gt R\gt R_3$
E)$R\gt R_3\gt R_2$

Resposta

C
Resolução comentada

Na ligação 2, o amperímetro mede a soma das correntes no resistor e no voltímetro. Assim, a resistência inferida de tensão dividida pela corrente é a associação em paralelo:

\[R_2=\frac{RR_V}{R+R_V}\]
\[R_V=100R\]
\[R_2=\frac{100R^2}{101R}\]
\[R_2=\frac{100}{101}R\]

Na ligação 3, a tensão medida inclui a queda no amperímetro, que está em série com o resistor.

\[R_3=R+R_A\]
\[R_A=0{,}01R\]
\[R_3=1{,}01R\]

Portanto, a ligação 2 subestima a resistência e a ligação 3 a superestima.

\[\boxed{R_2\lt R\lt R_3}\]

Alternativa correta: C.

Q09
Ondulatória — Difração e redes

Para se determinar o espaçamento entre duas trilhas adjacentes de um CD, foram montados dois arranjos:

1. O arranjo da figura (1), usando uma rede de difração de 300 linhas por mm, um LASER e um anteparo. Neste arranjo, mediu-se a distância do máximo de ordem 0 ao máximo de ordem 1 da figura de interferência formada no anteparo.

2. O arranjo da figura (2), usando o mesmo LASER, o CD e um anteparo com um orifício para a passagem do feixe de luz. Neste arranjo, mediu-se também a distância do máximo de ordem 0 ao máximo de ordem 1 da figura de interferência. Considerando nas duas situações $\theta_1$ e $\theta_2$ ângulos pequenos, a distância entre duas trilhas adjacentes do CD é de

Arranjo 1: rede de 300 linhas por mm a 500 mm do anteparo; máximo de primeira ordem a 100 mm do máximo central. Arranjo 2: CD a 74 mm do anteparo; separação entre máximos de 33 mm.
Figura do enunciado original · ITA 2006
A)$2{,}7\times10^{-7}\,\mathrm m$
B)$3{,}0\times10^{-7}\,\mathrm m$
C)$7{,}4\times10^{-6}\,\mathrm m$
D)$1{,}5\times10^{-6}\,\mathrm m$
E)$3{,}7\times10^{-5}\,\mathrm m$

Resposta

D
Resolução

A rede conhecida permite estimar o comprimento de onda do laser. Sua distância entre linhas é:

\[d_1=\frac{10^{-3}}{300}\ \mathrm m.\]

Na primeira ordem, usando as medidas da figura:

\[\lambda=d_1\frac{100}{\sqrt{100^2+500^2}}.\]
\[\lambda\approx6{,}54\times10^{-7}\ \mathrm m.\]

Para o CD, o máximo de primeira ordem satisfaz $d\sin\theta_2=\lambda$. Com a aproximação de pequeno ângulo solicitada:

\[\sin\theta_2\approx\frac{33}{74}.\]
\[d\approx\lambda\frac{74}{33}.\]
\[\boxed{d\approx1{,}5\times10^{-6}\ \mathrm m}.\]

Usando a aproximação angular também na calibração, obtém-se $\lambda\approx6{,}67\times10^{-7}$ m e o mesmo valor entre as opções.

Alternativa correta: D.

Q10
Física Moderna — Efeito fotoelétrico e Doppler

Einstein propôs que a energia da luz é transportada por pacotes de energia $hf$, em que $h$ é a constante de Planck e $f$ é a frequência da luz, num referencial no qual a fonte está em repouso. Explicou, assim, a existência de uma frequência mínima $f_0$ para arrancar elétrons de um material, no chamado efeito fotoelétrico. Suponha que a fonte emissora de luz está em movimento em relação ao material. Assinale a alternativa correta.

A)Se $f=f_0$, é possível que haja emissão de elétrons desde que a fonte esteja se afastando do material.
B)Se $f\lt f_0$, é possível que elétrons sejam emitidos, desde que a fonte esteja se afastando do material.
C)Se $f\lt f_0$, não há emissão de elétrons qualquer que seja a velocidade da fonte.
D)Se $f\gt f_0$, é sempre possível que elétrons sejam emitidos pelo material, desde que a fonte esteja se afastando do material.
E)Se $f\lt f_0$, é possível que elétrons sejam emitidos, desde que a fonte esteja se aproximando do material.

Resposta

E
Resolução

O limiar de emissão é uma condição sobre a frequência recebida pelo material, não sobre a frequência medida junto à fonte.

\[hf_{\mathrm{rec}}\geq hf_0.\]

Para aproximação frontal, o efeito Doppler relativístico fornece:

\[f_{\mathrm{rec}}=f\sqrt{\frac{1+\beta}{1-\beta}}.\]

Mesmo com $f

\[\beta\geq\frac{(f_0/f)^2-1}{(f_0/f)^2+1}.\]

Afastamento reduz a frequência e não cria essa possibilidade.

Alternativa correta: E.

Q11
Ondulatória — Superposição e batimentos

Considere duas ondas que se propagam com frequências $f_1$ e $f_2$, ligeiramente diferentes entre si, e mesma amplitude $A$, cujas equações são respectivamente $y_1(t)=A\cos(2\pi f_1t)$ e $y_2(t)=A\cos(2\pi f_2t)$. Assinale a opção que indica corretamente:

Amplitude máxima da onda resultante; frequência da onda resultante; frequência do batimento.

A)$A\sqrt2$; $f_1+f_2$; $(f_1-f_2)/2$.
B)$2A$; $(f_1+f_2)/2$; $(f_1-f_2)/2$.
C)$2A$; $(f_1+f_2)/2$; $f_1-f_2$.
D)$A\sqrt2$; $f_1+f_2$; $f_1-f_2$.
E)$A$; $(f_1+f_2)/2$; $f_1-f_2$.

Resposta

C
Resolução

Use a identidade da soma de cossenos.

\[y=2A\cos\bigl(\pi(f_1-f_2)t\bigr)\cos\bigl(\pi(f_1+f_2)t\bigr).\]

A oscilação rápida tem frequência média:

\[f_R=\frac{f_1+f_2}{2}.\]

O módulo da envoltória atinge o máximo duas vezes por ciclo do cosseno lento.

\[f_B=|f_1-f_2|.\]
\[A_{\max}=2A.\]

Assim, a amplitude máxima, a frequência resultante e a de batimento são, respectivamente, $2A$, $(f_1+f_2)/2$ e $|f_1-f_2|$.

Alternativa correta: C.

Q12
Eletricidade — Gerador real e potência

Para iluminar o interior de um armário, liga-se uma pilha seca de $1{,}5\,\mathrm V$ a uma lâmpada de $3{,}0\,\mathrm W$ e $1{,}0\,\mathrm V$. A pilha ficará a uma distância de $2{,}0\,\mathrm m$ da lâmpada e será ligada a um fio de $1{,}5\,\mathrm{mm}$ de diâmetro e resistividade de $1{,}7\times10^{-8}\,\Omega\cdot\mathrm m$. A corrente medida produzida pela pilha em curto-circuito foi de $20\,\mathrm A$. Assinale a potência real dissipada pela lâmpada, nessa montagem.

A)$3{,}7\,\mathrm W$
B)$4{,}0\,\mathrm W$
C)$5{,}4\,\mathrm W$
D)$6{,}7\,\mathrm W$
E)$7{,}2\,\mathrm W$

Resposta

A
Resolução

A corrente de curto-circuito determina a resistência interna.

\[r=\frac{1{,}5}{20}=0{,}075\ \Omega.\]

O fio percorre ida e volta, totalizando 4 m.

\[R_f=\frac{4\rho\ell}{\pi d^2}\approx0{,}039\ \Omega.\]

Adotando resistência da lâmpada igual à nominal:

\[R_L=\frac{1{,}0^2}{3{,}0}=\frac13\ \Omega.\]
\[I=\frac{1{,}5}{0{,}075+0{,}039+1/3}\approx3{,}36\ \mathrm A.\]
\[P_L=R_LI^2\approx3{,}76\ \mathrm W.\]

A opção mais próxima é 3,7 W. O modelo do exercício mantém constante a resistência obtida pelos dados nominais.

Alternativa correta: A.

Q13
Óptica — Refração e reflexão total

A figura mostra uma placa de vidro com índice de refração $n_v=\sqrt2$ mergulhada no ar, cujo índice de refração é igual a $1{,}0$. Para que um feixe de luz monocromática se propague pelo interior do vidro através de sucessivas reflexões totais, o seno do ângulo de entrada, $\operatorname{sen}\theta_e$, deverá ser menor ou igual a

Vidro com face de entrada oblíqua formando 60° com a superfície superior; ângulo de entrada θe medido em relação à normal dessa face. Raio refratado sofre reflexões nas faces superior e inferior paralelas.
Figura do enunciado original · ITA 2006
A)$0{,}18$
B)$0{,}37$
C)$0{,}50$
D)$0{,}71$
E)$0{,}87$

Resposta

B
Resolução

O ângulo limite na interface vidro–ar satisfaz:

\[\sin L=\frac1{\sqrt2}.\]
\[L=45^\circ.\]

Pela geometria da figura, os ângulos internos obedecem:

\[\alpha+\beta=60^\circ.\]

No limiar de reflexão total, $\beta=45^\circ$ e $\alpha=15^\circ$. A lei de Snell na entrada fornece:

\[\sin\theta_e=\sqrt2\sin15^\circ.\]
\[\sin\theta_e=\frac{\sqrt3-1}{2}\approx0{,}366.\]

Assim, o limite solicitado é aproximadamente 0,37; para reflexão estritamente total, fica-se abaixo dele.

Alternativa correta: B.

Q14
Eletromagnetismo — Autoindutância de solenoide

Um solenoide com núcleo de ar tem uma autoindutância $L$. Outro solenoide, também com núcleo de ar, tem a metade do número de espiras do primeiro solenoide, $0{,}15$ do seu comprimento e $1{,}5$ de sua seção transversal. A autoindutância do segundo solenoide é

A)$0{,}2L$
B)$0{,}5L$
C)$2{,}5L$
D)$5{,}0L$
E)$20{,}0L$

Resposta

C
Resolução

Para um solenoide longo com núcleo de ar:

\[L=\frac{\mu_0N^2A}{\ell}.\]

Compare diretamente as duas geometrias.

\[\frac{L'}L=\left(\frac12\right)^2\frac{1{,}5}{0{,}15}.\]
\[\boxed{L'=2{,}5L}.\]

A redução no número de espiras entra ao quadrado porque o campo e o encadeamento de fluxo dependem de N.

Alternativa correta: C.

Q15
Termologia — Trabalho nas transformações gasosas

Um mol de um gás ideal ocupa um volume inicial $V_0$ à temperatura $T_0$ e pressão $P_0$, sofrendo a seguir uma expansão reversível para um volume $V_1$. Indique a relação entre o trabalho que é realizado por:

(i) $W_{(i)}$, num processo em que a pressão é constante.

(ii) $W_{(ii)}$, num processo em que a temperatura é constante.

(iii) $W_{(iii)}$, num processo adiabático.

A)$W_{(i)}\gt W_{(iii)}\gt W_{(ii)}$Diagrama P–V com setas para volumes crescentes; isóbara i horizontal, isoterma ii intermediária e adiabática iii inferior.
B)$W_{(i)}\gt W_{(ii)}\gt W_{(iii)}$Diagrama P–V com setas para volumes decrescentes, de V1 para V0; isóbara i horizontal, isoterma ii intermediária e adiabática iii inferior.
C)$W_{(iii)}\gt W_{(ii)}\gt W_{(i)}$Diagrama P–V com setas para volumes decrescentes, de V1 para V0; isóbara i horizontal, isoterma ii intermediária e adiabática iii inferior.
D)$W_{(i)}\gt W_{(ii)}\gt W_{(iii)}$Diagrama P–V com setas para volumes crescentes, de V0 para V1; isóbara i horizontal, isoterma ii intermediária e adiabática iii inferior.
E)$W_{(iii)}\gt W_{(ii)}\gt W_{(i)}$Diagrama P–V com setas para volumes crescentes, de V0 para V1; isóbara i horizontal, isoterma ii intermediária e adiabática iii inferior.

Resposta

D
Resolução

As três expansões partem do mesmo estado e terminam no mesmo volume maior. No gráfico p×V:

\[W=\int_{V_0}^{V_1}p(V)\,dV.\]

Na isobárica, a pressão permanece igual a $p_0$.

\[p_i=p_0.\]

Na isotérmica, a pressão diminui inversamente com V.

\[p_{ii}=p_0\frac{V_0}V.\]

Na adiabática reversível, a queda é mais rápida, pois $\gamma>1$.

\[p_{iii}=p_0\left(\frac{V_0}V\right)^\gamma.\]

As áreas satisfazem:

\[\boxed{W_i>W_{ii}>W_{iii}}.\]

Alternativa correta: D.

Q16
Mecânica — Conservação da energia com mola

Um anel de peso $30\,\mathrm N$ está preso a uma mola e desliza sem atrito num fio circular situado num plano vertical, conforme mostrado na figura. Considerando que a mola não se deforma quando o anel se encontra na posição P e que a velocidade do anel seja a mesma nas posições P e Q, a constante elástica da mola deve ser de

Fio circular vertical de raio 10 cm; P no topo e Q na base. Mola fixada no eixo vertical, 2 cm acima do centro, liga esse ponto ao anel que desliza pelo fio.
Figura do enunciado original · ITA 2006
A)$3{,}0\times10^3\,\mathrm{N/m}$
B)$4{,}5\times10^3\,\mathrm{N/m}$
C)$7{,}5\times10^3\,\mathrm{N/m}$
D)$1{,}2\times10^4\,\mathrm{N/m}$
E)$3{,}0\times10^4\,\mathrm{N/m}$

Resposta

C
Resolução

As energias cinéticas em P e Q são iguais e se cancelam. O comprimento natural da mola é 8 cm; em Q ela mede 12 cm.

\[x=0{,}12-0{,}08=0{,}04\ \mathrm m.\]

A descida de altura $2R$ transforma energia gravitacional em energia elástica.

\[P(2R)=\frac{kx^2}{2}.\]
\[k=\frac{4PR}{x^2}.\]
\[k=\frac{4\cdot30\cdot0{,}10}{(0{,}04)^2}.\]
\[\boxed{k=7{,}5\times10^3\ \mathrm{N/m}}.\]

Alternativa correta: C.

Q17
Física Moderna — Produção de par

No modelo proposto por Einstein, a luz se comporta como se sua energia estivesse concentrada em pacotes discretos, chamados de “quanta” de luz, e atualmente conhecidos por fótons. Estes possuem momento $p$ e energia $E$ relacionados pela equação $E=pc$, em que $c$ é a velocidade da luz no vácuo. Cada fóton carrega uma energia $E=hf$, em que $h$ é a constante de Planck e $f$ é a frequência da luz. Um evento raro, porém possível, é a fusão de dois fótons, produzindo um par elétron-pósitron, sendo a massa do pósitron igual à massa do elétron. A relação de Einstein associa a energia da partícula à massa do elétron ou pósitron, isto é, $E=m_ec^2$. Assinale a frequência mínima de cada fóton, para que dois fótons, com momentos opostos e de módulos iguais, produzam um par elétron-pósitron após a colisão.

A)$f=\dfrac{4m_ec^2}{h}$
B)$f=\dfrac{m_ec^2}{h}$
C)$f=\dfrac{2m_ec^2}{h}$
D)$f=\dfrac{m_ec^2}{2h}$
E)$f=\dfrac{m_ec^2}{4h}$

Resposta

B
Resolução

Os fótons têm momentos iguais e opostos, portanto o momento inicial total é zero. No limiar, elétron e pósitron podem surgir sem energia cinética no referencial considerado.

\[E_i=2hf.\]
\[E_{f,\min}=2m_ec^2.\]

Conservando energia:

\[2hf_{\min}=2m_ec^2.\]
\[\boxed{f_{\min}=\frac{m_ec^2}{h}}.\]

A condição dos momentos é essencial para compatibilizar esse limiar energético com a conservação vetorial do momento.

Alternativa correta: B.

Q18
Eletromagnetismo — Força e torque em espira

Uma espira retangular é colocada em um campo magnético com o plano da espira perpendicular à direção do campo, conforme mostra a figura. Se a corrente elétrica flui no sentido mostrado, pode-se afirmar em relação à resultante das forças, e ao torque total em relação ao centro da espira, que

Campo magnético uniforme sai do plano da figura. Corrente percorre a espira retangular no sentido anti-horário: para a esquerda no lado superior e para a direita no inferior.
Figura do enunciado original · ITA 2006
A)A resultante das forças não é zero, mas o torque total é zero.
B)A resultante das forças e o torque total são nulos.
C)O torque total não é zero, mas a resultante das forças é zero.
D)A resultante das forças e o torque total não são nulos.
E)O enunciado não permite estabelecer correlações entre as grandezas consideradas.

Resposta

B
Resolução

Em campo uniforme, as forças em lados opostos da espira têm módulos iguais e sentidos contrários.

\[\vec F_{\mathrm{total}}=I\oint d\vec\ell\times\vec B=\vec0.\]

O momento magnético é normal à espira. Como seu plano é perpendicular ao campo, momento e campo são colineares.

\[\vec\tau=\vec\mu\times\vec B.\]
\[\boxed{\vec\tau=\vec0}.\]

As forças podem deformar o contorno, mas não produzem força resultante nem torque total nessa orientação.

Alternativa correta: B.

Q19
Termologia — Teoria cinética e graus de liberdade

Sejam o recipiente (1), contendo 1 mol de $\mathrm H_2$ (massa molecular $M=2$) e o recipiente (2) contendo 1 mol de He (massa atômica $M=4$) ocupando o mesmo volume, ambos mantidos à mesma pressão. Assinale a alternativa correta:

A)A temperatura do gás no recipiente 1 é menor que a temperatura do gás no recipiente 2.
B)A temperatura do gás no recipiente 1 é maior que a temperatura do gás no recipiente 2.
C)A energia cinética média por molécula do recipiente 1 é maior que a do recipiente 2.
D)O valor médio da velocidade das moléculas no recipiente 1 é menor que o valor médio da velocidade das moléculas no recipiente 2.
E)O valor médio da velocidade das moléculas no recipiente 1 é maior que o valor médio da velocidade das moléculas no recipiente 2.

Resposta

E
Resolução

A equação dos gases ideais mostra que as temperaturas são iguais.

\[T_1=T_2=\frac{pV}{R}.\]

A velocidade molecular típica varia com a raiz inversa da massa molar.

\[v_{\mathrm{rms}}=\sqrt{\frac{3RT}{M}}.\]
\[\frac{v_{H_2}}{v_{He}}=\sqrt{\frac42}=\sqrt2>1.\]

Logo o hidrogênio apresenta maior velocidade molecular média. Há uma ambiguidade histórica na afirmação sobre energia cinética: a energia translacional média é igual nos dois gases, $3k_BT/2$; incluindo rotação do H₂, a energia cinética molecular total pode ser maior no diatômico. O comentário Objetivo admite duas leituras. Na interpretação usual de teoria cinética translacional, apenas a afirmação sobre a maior velocidade é selecionada.

Alternativa correta: E.

Q20
Mecânica — Atrito, colisão e lançamento horizontal

Animado com velocidade inicial $v_0$, o objeto X, de massa $m$, desliza sobre um piso horizontal ao longo de uma distância $d$, ao fim da qual colide com o objeto Y, de mesma massa, que se encontra inicialmente parado na beira de uma escada de altura $h$. Com o choque, o objeto Y atinge o solo no ponto P. Chamando $\mu_k$ o coeficiente de atrito cinético entre o objeto X e o piso, $g$ a aceleração da gravidade e desprezando a resistência do ar, assinale a expressão que dá a distância $d$.

X desliza para a esquerda até atingir Y na borda da escada. A distância inicial entre X e Y é d; a queda de Y tem altura h e alcance horizontal s até P.
Figura do enunciado original · ITA 2006
A)$d=\dfrac1{2\mu_kg}\left(v_0^2-\dfrac{s^2g}{2h}\right)$
B)$d=\dfrac{-1}{2\mu_kg}\left(v_0^2-\dfrac{s^2g}{2h}\right)$
C)$d=\dfrac{-v_0}{2\mu_kg}\left(v_0-s\sqrt{\dfrac g{2h}}\right)$
D)$d=\dfrac1{2\mu_kg}\left(2v_0^2-\dfrac{s^2g}{2h}\right)$
E)$d=\dfrac{-v_0}{\mu_kg}\left(v_0-s\sqrt{\dfrac g{2h}}\right)$

Resposta

A
Resolução

O alcance horizontal s e a queda de altura h determinam a velocidade de Y após a colisão.

\[t=\sqrt{\frac{2h}g}.\]
\[v_Y=s\sqrt{\frac g{2h}}.\]

O resultado das opções requer colisão elástica frontal entre massas iguais; nessa hipótese, X transfere sua velocidade a Y. O atrito antes do choque fornece:

\[v_X^2=v_0^2-2\mu_kgd.\]
\[v_X=v_Y.\]
\[\boxed{d=\frac1{2\mu_kg}\left(v_0^2-\frac{s^2g}{2h}\right)}.\]

Ressalva: o enunciado não informa elasticidade nem coeficiente de restituição. Sem essa hipótese adicional, d não é univocamente determinado. A resposta indicada deve ser entendida de forma condicional.

Sob a hipótese de colisão elástica: A.

Q21
Mecânica — Equilíbrio da coluna vertebral

Considere uma pessoa de massa $m$ que ao curvar-se permaneça com a coluna vertebral praticamente nivelada em relação ao solo. Sejam $m_1=(2/5)m$ a massa do tronco e $m_2=(1/5)m$ a soma das massas da cabeça e dos braços. Considere a coluna como uma estrutura rígida e que a resultante das forças aplicadas pelos músculos à coluna seja $F_m$ e que $F_d$ seja a resultante das outras forças aplicadas à coluna, de forma a mantê-la em equilíbrio. Qual é o valor da força $F_d$?

Coluna horizontal de comprimento d: força Fd no extremo esquerdo forma ângulo β com a horizontal; força muscular Fm, aplicada a 2d/3 desse extremo, forma ângulo α. Peso m1g atua em d/2 e peso m2g no extremo direito.
Figura do enunciado original · ITA 2006

Questão discursiva: registre os cálculos e a justificativa física antes de consultar a resolução.

Resolução

Use os braços de alavanca indicados no desenho. O equilíbrio de torques em torno do apoio cancela a força muscular.

\[m_2g\frac d3=m_1g\frac d6+F_d\sin\beta\,\frac{2d}3.\]

Como $m_1=2m/5$ e $m_2=m/5$, os termos de peso se igualam.

\[F_d\sin\beta=0.\]

Para apoio não nulo, a força de apoio é horizontal. O equilíbrio vertical e horizontal fornece:

\[F_m\sin\alpha=\frac35mg.\]
\[F_d=F_m\cos\alpha.\]
\[\boxed{F_d=\frac35mg\cot\alpha}.\]

Se o módulo de Fm for dado em vez do ângulo:

\[\boxed{F_d=\sqrt{F_m^2-\left(\frac35mg\right)^2}}.\]
Q22
Eletricidade — Bateria e motor de arranque

Quando se acendem os faróis de um carro cuja bateria possui resistência interna $r_i=0{,}050\,\Omega$, um amperímetro indica uma corrente de $10\,\mathrm A$ e um voltímetro uma voltagem de $12\,\mathrm V$. Considere desprezível a resistência interna do amperímetro. Ao ligar o motor de arranque, observa-se que a leitura do amperímetro é de $8{,}0\,\mathrm A$ e que as luzes diminuem um pouco de intensidade. Calcular a corrente que passa pelo motor de arranque quando os faróis estão acesos.

Bateria ε com resistência interna ri alimenta farol e motor em paralelo; voltímetro nos terminais da bateria e amperímetro apenas no ramo do farol.
Figura do enunciado original · ITA 2006

Questão discursiva: registre os cálculos e a justificativa física antes de consultar a resolução.

Resolução

A primeira leitura fornece a resistência dos faróis e a fem da bateria.

\[R_f=\frac{12}{10}=1{,}2\ \Omega.\]
\[\mathcal E=12+0{,}050\cdot10=12{,}5\ \mathrm V.\]

Com o motor ligado, a corrente nos faróis cai a 8 A.

\[U'=1{,}2\cdot8=9{,}6\ \mathrm V.\]

A corrente total da bateria é:

\[I=\frac{12{,}5-9{,}6}{0{,}050}=58\ \mathrm A.\]

Subtraia a corrente dos faróis.

\[\boxed{I_m=58-8=50\ \mathrm A}.\]
Q23
Mecânica — Tração e transferência de carga

Considere um automóvel de peso $P$, com tração nas rodas dianteiras, cujo centro de massa está em C, movimentando-se num plano horizontal. Considerando $g=10\,\mathrm{m/s^2}$, calcule a aceleração máxima que o automóvel pode atingir, sendo o coeficiente de atrito entre os pneus e o piso igual a $0{,}75$.

Carro move-se para a esquerda, com rodas dianteiras à esquerda. Centro de massa C a 0,6 m do solo, 2,0 m atrás do eixo dianteiro e 1,4 m à frente do traseiro.
Figura do enunciado original · ITA 2006

Questão discursiva: registre os cálculos e a justificativa física antes de consultar a resolução.

Resolução

Sejam ND e NT as normais dianteira e traseira. A figura fornece os braços 2,0 m e 1,4 m, e altura do centro de massa 0,6 m.

\[N_D+N_T=P.\]

No limite de tração, o atrito estático dianteiro é $F=0{,}75N_D$. A ausência de rotação exige:

\[2{,}0N_D+0{,}6F=1{,}4N_T.\]
\[2{,}45N_D=1{,}4N_T.\]
\[N_D=\frac{1{,}4}{3{,}85}P.\]

A força horizontal acelera toda a massa.

\[\frac Pg a_{\max}=0{,}75N_D.\]
\[\boxed{a_{\max}\approx2{,}7\ \mathrm{m/s^2}}.\]
Q24
Ondulatória — Difração de Bragg

O raio X é uma onda eletromagnética de comprimento de onda ($\lambda$) muito pequeno. A fim de observar os efeitos da difração de tais ondas é necessário que um feixe de raios X incida sobre um dispositivo, com fendas da ordem de $\lambda$. Num sólido cristalino, os átomos são dispostos em um arranjo regular com espaçamento entre os átomos da mesma ordem de $\lambda$. Combinando esses fatos, um cristal serve como uma espécie de rede de difração dos raios X. Um feixe de raios X pode ser refletido pelos átomos individuais de um cristal e tais ondas refletidas podem produzir a interferência de modo semelhante ao das ondas provenientes de uma rede de difração. Considere um cristal de cloreto de sódio, cujo espaçamento entre os átomos adjacentes é $a=0{,}30\times10^{-9}\,\mathrm m$, onde raios X com $\lambda=1{,}5\times10^{-10}\,\mathrm m$ são refletidos pelos planos cristalinos. A figura (1) mostra a estrutura cristalina cúbica do cloreto de sódio. A figura (2) mostra o diagrama bidimensional da reflexão de um feixe de raios X em dois planos cristalinos paralelos. Se os feixes interferem construtivamente, calcule qual deve ser a ordem máxima da difração observável.

Figura 1: estrutura cúbica de NaCl com espaçamento a. Figura 2: planos cristalinos paralelos separados por a refletem raios incidentes com ângulo rasante θ; caminhos adicionais determinam a interferência.
Figura do enunciado original · ITA 2006

Questão discursiva: registre os cálculos e a justificativa física antes de consultar a resolução.

Resolução

Os raios refletidos em planos adjacentes têm diferença de percurso:

\[\Delta\ell=2a\sin\theta.\]

Interferência construtiva exige um número inteiro de comprimentos de onda.

\[2a\sin\theta=n\lambda.\]

Como o seno não pode exceder um:

\[n\leq\frac{2a}{\lambda}.\]
\[n\leq\frac{2(0{,}30\times10^{-9})}{1{,}5\times10^{-10}}=4.\]
\[\boxed{n_{\max}=4}.\]

O quarto máximo corresponde ao limite geométrico $\theta=90^\circ$ no modelo apresentado.

Q25
Eletricidade — Capacitor com dielétrico parcial

A figura mostra um capacitor de placas paralelas de área $A$ separadas pela distância $d$. Inicialmente o dielétrico entre as placas é o ar e a carga máxima suportada é $Q_i$. Para que esse capacitor suporte uma carga máxima $Q_f$ foi introduzida uma placa de vidro de constante dielétrica $k$ e espessura $d/2$. Sendo mantida a diferença de potencial entre as placas, calcule a razão entre as cargas $Q_f$ e $Q_i$.

Configuração inicial: ar entre placas de área A separadas por d. Configuração final: vidro ocupa metade da separação, permanecendo ar na outra metade.
Figura do enunciado original · ITA 2006

Questão discursiva: registre os cálculos e a justificativa física antes de consultar a resolução.

Resolução

Inicialmente, o capacitor é preenchido apenas por ar.

\[C_i=\frac{\varepsilon_0A}d.\]

A lâmina com espessura d/2 cria duas regiões sucessivas ao longo do campo, equivalentes a capacitores em série.

\[C_{ar}=\frac{2\varepsilon_0A}d.\]
\[C_v=\frac{2k\varepsilon_0A}d.\]
\[\frac1{C_f}=\frac1{C_{ar}}+\frac1{C_v}.\]
\[C_f=\frac{2k}{k+1}C_i.\]

Como a tensão é mantida:

\[\boxed{\frac{Q_f}{Q_i}=\frac{2k}{k+1}}.\]
Q26
Eletromagnetismo — Cicloide sob gravidade

Uma partícula de massa $m$ carregada com carga $q>0$ encontra-se inicialmente em repouso imersa num campo gravitacional e num campo magnético $B_0$ com sentido negativo em relação ao eixo $Oz$, conforme indicado na figura. Sabemos que a velocidade e a aceleração da partícula na direção $Oy$ são funções harmônicas simples. Disso resulta uma trajetória cicloidal num plano perpendicular a $B_0$. Determine o deslocamento máximo ($L$) da partícula.

Eixos x horizontal para a direita e y vertical para cima; campo B0 entra no plano. Partícula parte de O e percorre uma cicloide abaixo do eixo x, com profundidade máxima L.
Figura do enunciado original · ITA 2006

Questão discursiva: registre os cálculos e a justificativa física antes de consultar a resolução.

Resolução

Defina a frequência ciclotrônica $\omega=qB_0/m$. A solução das equações acopladas para uma partícula inicialmente em repouso pode ser escrita, tomando y positivo para baixo:

\[v_y=\frac g\omega\sin\omega t.\]
\[v_x=\frac g\omega(1-\cos\omega t).\]

Integre a componente vertical.

\[y(t)=\frac g{\omega^2}(1-\cos\omega t).\]

O maior afastamento vertical ocorre quando $\cos\omega t=-1$.

\[L=\frac{2g}{\omega^2}.\]
\[\boxed{L=\frac{2m^2g}{q^2B_0^2}}.\]

Aqui L é o deslocamento vertical máximo indicado na figura; o movimento horizontal apresenta deriva e não possui deslocamento máximo global.

Q27
Termologia — Dimensionamento de aquecimento solar

Calcule a área útil das placas de energia solar de um sistema de aquecimento de água, para uma residência com quatro moradores, visando manter um acréscimo médio de $30{,}0\,{}^\circ\mathrm C$ em relação à temperatura ambiente. Considere que cada pessoa gasta $30{,}0$ litros de água quente por dia e que, na latitude geográfica da residência, a conversão média mensal de energia é de $60{,}0\,\mathrm{kWh/mês}$ por metro quadrado de superfície coletora. Considere ainda que o reservatório de água quente com capacidade para 200 litros apresente uma perda de energia de $0{,}30\,\mathrm{kWh}$ por mês para cada litro. É dado o calor específico da água $c=4{,}19\,\mathrm{J/(g\,{}^\circ C)}$.

Questão discursiva: registre os cálculos e a justificativa física antes de consultar a resolução.

Resolução

Adote um mês de 30 dias e densidade da água de 1 kg/L. O consumo mensal de água é:

\[V=4\cdot30\cdot30=3600\ \mathrm L.\]

A energia para aquecê-la em 30 graus é:

\[Q=3{,}6\times10^6\cdot4{,}19\cdot30\ \mathrm J.\]
\[Q\approx125{,}7\ \mathrm{kWh}.\]

Acrescente as perdas do reservatório de 200 L.

\[Q_p=200\cdot0{,}30=60\ \mathrm{kWh}.\]
\[Q_t=185{,}7\ \mathrm{kWh/mês}.\]

Cada metro quadrado fornece 60 kWh por mês.

\[\boxed{A=\frac{185{,}7}{60}\approx3{,}1\ \mathrm{m^2}}.\]
Q28
Eletromagnetismo — Indução em anel próximo de fio

Num meio de permeabilidade magnética $\mu_0$, uma corrente $i$ passa através de um fio longo e aumenta a uma taxa constante $\Delta i/\Delta t$. Um anel metálico com raio $a$ está posicionado a uma distância $r$ do fio longo, conforme mostra a figura. Se a resistência do anel é $R$, calcule a corrente induzida no anel.

Fio retilíneo vertical com corrente i crescente para cima. Anel de raio a à direita do fio; distância r medida do fio ao centro do anel.
Figura do enunciado original · ITA 2006

Questão discursiva: registre os cálculos e a justificativa física antes de consultar a resolução.

Resolução

Para um anel pequeno em relação à distância ao fio, o campo pode ser considerado aproximadamente uniforme sobre sua área.

\[B\approx\frac{\mu_0i}{2\pi r}.\]
\[\Phi_B\approx\frac{\mu_0i}{2\pi r}\,\pi a^2.\]
\[|\mathcal E|\approx\frac{\mu_0a^2}{2r}\frac{\Delta i}{\Delta t}.\]

Pela lei de Ohm:

\[\boxed{I_{ind}\approx\frac{\mu_0a^2}{2rR}\frac{\Delta i}{\Delta t}}.\]

Seu sentido se opõe ao aumento do fluxo do fio. Esta expressão requer $a\ll r$. Sem essa aproximação, para r medido até o centro e r>a, a integração do campo não uniforme dá:

\[I_{ind}=\frac{\mu_0}{R}\left(r-\sqrt{r^2-a^2}\right)\frac{di}{dt}.\]
Q29
Mecânica — Continuidade e Bernoulli

Considere uma tubulação de água que consiste de um tubo de $2{,}0\,\mathrm{cm}$ de diâmetro por onde a água entra com velocidade de $2{,}0\,\mathrm{m/s}$ sob uma pressão de $5{,}0\times10^5\,\mathrm{Pa}$. Outro tubo de $1{,}0\,\mathrm{cm}$ de diâmetro encontra-se a $5{,}0\,\mathrm m$ de altura, conectado ao tubo de entrada. Considerando a densidade da água igual a $1{,}0\times10^3\,\mathrm{kg/m^3}$ e desprezando as perdas, calcule a pressão da água no tubo de saída.

Questão discursiva: registre os cálculos e a justificativa física antes de consultar a resolução.

Resolução

Para água incompressível em escoamento permanente:

\[A_1v_1=A_2v_2.\]
\[v_2=\left(\frac{2{,}0}{1{,}0}\right)^2\!2{,}0=8{,}0\ \mathrm{m/s}.\]

A equação de Bernoulli, com a saída 5 m acima, fornece:

\[p_1+\frac{\rho v_1^2}{2}=p_2+\frac{\rho v_2^2}{2}+\rho gh.\]
\[p_2=5{,}0\times10^5+\frac{10^3}{2}(4-64)-10^3\cdot10\cdot5.\]
\[\boxed{p_2=4{,}2\times10^5\ \mathrm{Pa}}.\]

A redução da pressão alimenta tanto o aumento da velocidade quanto o ganho de altura.

Q30
Eletricidade — Capacitor Terra–ionosfera

Vivemos dentro de um capacitor gigante, onde as placas são a superfície da Terra, com carga $-Q$ e a ionosfera, uma camada condutora na atmosfera, a uma altitude $h=60\,\mathrm{km}$, carregada com carga $+Q$. Sabendo que nas proximidades do solo junto à superfície da Terra, o módulo do campo elétrico médio é de $100\,\mathrm{V/m}$ e considerando $h\ll$ raio da Terra $\cong6400\,\mathrm{km}$, determine a capacitância deste capacitor gigante e a energia elétrica armazenada. Considere $1/(4\pi\varepsilon_0)=9{,}0\times10^9\,\mathrm{N\,m^2/C^2}$.

Questão discursiva: registre os cálculos e a justificativa física antes de consultar a resolução.

Resolução

Como h é muito menor que o raio da Terra, modele as superfícies como capacitor plano de área igual à superfície terrestre.

\[C\approx\frac{\varepsilon_0\,4\pi R_T^2}{h}.\]

Usando $K=1/(4\pi\varepsilon_0)$:

\[C\approx\frac{R_T^2}{Kh}.\]
\[C\approx\frac{(6{,}4\times10^6)^2}{9{,}0\times10^9\cdot6{,}0\times10^4}.\]
\[\boxed{C\approx7{,}6\times10^{-2}\ \mathrm F}.\]

O campo aproximadamente uniforme fornece a tensão.

\[U\approx Eh=6{,}0\times10^6\ \mathrm V.\]
\[W=\frac12CU^2.\]
\[\boxed{W\approx1{,}4\times10^{12}\ \mathrm J}.\]
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